Javier Bardem, Tilda Swinton e outros artistas condenam Berlinale após fala de Wim Wenders, presidente do júri, sobre Gaza; entenda
Mais de 80 personalidades do cinema, incluindo atores como Javier Bardem e Tilda Swinton, assinaram uma declaração de condenação contra o Festival de Cinema de Berlim para denunciar seu “silêncio” sobre Gaza e o “genocídio dos palestinos”.
Os signatários da carta aberta, à qual a AFP teve acesso nesta terça-feira (17), afirmam estar “consternados com o silêncio institucional da Berlinale” sobre o tema, depois que o presidente do júri, o cineasta Wim Wenders, respondeu a uma pergunta sobre Gaza na semana passada conclamando a “manter-se à margem da política”.
"Temos que nos manter fora da política, porque, se fizermos filmes que sejam dedicadamente políticos, entramos no campo da política; mas nós somos o contrapeso da política", declarou Wenders na quinta-feira, em resposta a um jornalista que o questionou sobre o júri manifestar sua solidariedade à Ucrânia ao mesmo tempo em que trabalhava para o governo da Alemanha, patrocinador do evento, e apoiador do "genocídio em Gaza", nas palavras do jornalista responsável pela pergunta.
A fala de Wenders gerou desconforto e fez até com que a cultuada escritora indiana Arundhati Roy cancelasse sua presença no evento. "Ouvir alguém dizer que a arte não deve ser política é de cair o queixo", afirmou a autora em nota oficial publicada no site indiano The Wire. "É uma forma de silenciar uma conversa sobre um crime contra a humanidade enquanto ele se desenrola diante de nós em tempo real — quando artistas, escritores e cineastas deveriam estar fazendo tudo ao seu alcance para impedi-lo", continuou.
No sábado (14), a diretora da 76ª Berlinale, Tricia Tuttle, divulgou nota em defesa dos cineastas e jurados que participam do evento. Segundo Tuttle, cineastas se posicionam "através de seus filmes, sobre seus filmes – e às vezes também sobre temas geopolíticos que podem estar associados ao seu trabalho ou não". A diretora frisou a importância da diversidade da programação do festival, que tem produções que tocam em temas como o genocídio, por exemplo, mas argumentou que "cineastas não têm o dever de se posicionar sobre tudo".
