Javier Bardem critica neutralidade diante do fascismo: “É defender o que é certo”

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

247 – O ator espanhol Javier Bardem, de 57 anos, fez uma defesa contundente do posicionamento público contra o fascismo, os genocídios e outras violações de direitos humanos. Em entrevista ao F5, da Folha de S.Paulo, publicada neste sábado (24), o artista criticou a postura de neutralidade adotada por personalidades públicas diante de questões políticas e sociais e afirmou que denunciar injustiças não deve ser confundido com militância partidária.

“A vida seria mais fácil se você não irritasse ninguém, mas seria totalmente desprovida de sentido”, declarou Bardem ao ser informado de que o Brasil se aproxima do segundo turno das eleições presidenciais e de que diversos artistas brasileiros preferiram evitar manifestações políticas durante a campanha.

O ator, conhecido por seu posicionamento em defesa da causa palestina e pelo apoio à Ucrânia diante do conflito com a Rússia, sustentou que determinadas questões ultrapassam as disputas ideológicas e exigem uma resposta da sociedade. “Se posicionar politicamente é uma coisa, mas denunciar de fato o fascismo, os genocídios, a fome, as mudanças climáticas, o aquecimento global — isso é defender o que é certo”, afirmou.

Bardem também criticou aqueles que se colocam contra essas causas e defendeu que suas posições sejam submetidas ao escrutínio público. “Portanto, não se trata de se envolver em política, e aqueles que se opõem a essas causas são perigosos e precisam ser expostos perante a sociedade.

Desculpe, mas é assim que as coisas são.” Preocupação com o futuro das próximas gerações

A preocupação de Bardem com os rumos políticos e sociais do mundo também está relacionada à sua experiência como pai. Casado com a atriz Penélope Cruz, de 52 anos, o espanhol tem dois filhos, Leonardo, de 15 anos, e Luna, de 13.

Durante a entrevista, o artista reconheceu que, apesar de demonstrar firmeza em suas manifestações públicas, convive com receios sobre o futuro da humanidade e as consequências das decisões tomadas pelas gerações atuais. “Tenho 57 anos e dois filhos”, afirmou, antes de explicar que suas maiores preocupações estão relacionadas ao ambiente em que eles crescerão.

“Acho que todos os meus medos dizem respeito a eles, ao mundo que estamos deixando para eles.” O ator também recorreu a uma reflexão sobre a responsabilidade coletiva de preservar o planeta para as próximas gerações.

“Como alguém disse, não herdamos o mundo dos nossos pais; nós o tomamos emprestado dos nossos filhos”, comentou. “E o mundo que estamos deixando para eles agora está muito complicado.

Então esse é o meu medo: como eles vão lidar com todas as coisas que fizemos tão errado.” As declarações reforçam a ligação que Bardem estabelece entre suas preocupações pessoais e o engajamento em questões internacionais, como os conflitos armados, as violações de direitos humanos e a crise climática.

Ator interpreta personagem movido pela vingança em “Cabo do Medo” A entrevista ocorreu em meio à divulgação da minissérie “Cabo do Medo”, disponível na Apple TV, na qual Bardem interpreta Max Cady, um homem que deixa a prisão após cumprir 17 anos por um crime que não cometeu.

Na trama, Cady passa a aterrorizar a família Bowden. Tom Bowden, interpretado por Patrick Wilson, foi o promotor responsável pelo caso, enquanto Anna Bowden, vivida por Amy Adams, atuou como advogada de defesa do condenado antes de se casar com Tom.

A libertação de Cady desencadeia uma sequência de acontecimentos que coloca o casal sob constante tensão. A nova adaptação da história, baseada no livro de John D.

MacDonald e anteriormente levada ao cinema em 1962 e 1991, incorpora elementos contemporâneos, como o uso de tecnologias de vigilância. Ao analisar a psicologia de seu personagem, Bardem explicou que a ausência de perspectivas e o desejo de vingança tornam Cady especialmente ameaçador.

“Ele tem todo o tempo do mundo e não tem nada a perder — ele já perdeu tudo”, afirmou. “É isso que o torna perigoso.”

Segundo o ator, o principal temor do personagem não está relacionado às consequências de seus atos, mas à possibilidade de fracassar em sua busca por vingança. “Acho que a resposta é que ele teme trair o próprio objetivo, teme não ser capaz de concretizar sua vingança”, avaliou.

“Ele saboreia isso, adora, sabe que a vingança, quando servida fria, é ainda mais poderosa do que quando servida quente; é daí que vem o prazer do personagem.” A produção reúne ainda Joe Anders e Lily Collias no elenco e conta com dez episódios.

Novo filme aborda colonização espanhola do Saara Ocidental Além da produção televisiva, Bardem participa da Mostra Internacional de Cinema em São Paulo com o filme “O Ser Querido”, dirigido por Rodrigo Sorogoyen.

No longa-metragem, o espanhol interpreta um cineasta envolvido na realização de uma obra sobre a colonização espanhola do Saara Ocidental, território africano cuja situação política é uma das causas defendidas publicamente pelo ator. A escolha do projeto mantém a aproximação entre sua trajetória artística e temas políticos que também aparecem em suas manifestações fora das telas.

O filme integra a programação da Mostra com sessões neste sábado (24), às 17h30, no Reserva Cultural, e no domingo (25), às 16h, no Cultura Artística. A participação nas duas produções ocorre em um momento em que Bardem reafirma sua disposição de se pronunciar sobre conflitos internacionais e problemas sociais, mesmo diante das possíveis repercussões para sua carreira.

Para o ator, o silêncio pode evitar confrontos, mas não constitui uma resposta aceitável diante de situações que considera moralmente injustificáveis.

Publicação Original Brasil 247 brasil247.com
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