Jardim Oceânico: legislação sustenta valorização imobiliária
Em uma região cada vez mais marcada pela verticalização, o Jardim Oceânico destaca-se como uma exceção planejada e bem-sucedida. O gabarito do bairro, que restringe a construção de projetos com mais de três pavimentos, sustenta sua valorização imobiliária. É uma herança do plano urbanístico concebido por Lúcio Costa, que idealizou o bairro com uma escala mais humana e integrada ao entorno.
O resultado é um cenário de ruas residenciais silenciosas e bem iluminadas, que formam uma malha urbana convidativa para caminhadas ou passeios de bicicleta. O ambiente estimula a vida ao ar livre e a convivência entre moradores — contrastando com a lógica dependente do automóvel que marcou a expansão da Barra da Tijuca.
A natureza também contribui para o sucesso do bairro: o Jardim Oceânico se estende entre a praia e a Lagoa da Tijuca, reunindo paisagens que combinam vistas para o mar e a imponente Pedra da Gávea — combinação que cria uma sensação de refúgio urbano difícil de replicar em outras áreas da cidade.
Qualidades não faltam, é fato! Mas faltam terrenos disponíveis para novos projetos, exigindo que as construtoras garimpem oportunidades para lançar novos empreendimentos na região para atender à demanda em alta. Uma delas é a Itten, que lançou recentemente o Panorama (residencial com 19 unidades, que já está com 70% delas vendidas) e já prepara um novo projeto para o bairro — o Merino, com 34 apartamentos, infraestrutura completa e acabamentos de alto padrão.
Esse movimento acompanha a valorização consistente da metragem no Jardim Oceânico. Quando o Singular, primeiro empreendimento da Itten no bairro, foi lançado há cerca de seis anos, o metro quadrado girava em torno de R$ 9,5 mil. Uma unidade do residencial foi revendida há poucos meses por cerca de R$ 14 mil o metro quadrado, refletindo o aumento da procura e a escassez de novos terrenos.
— Vamos lançar mais dois projetos ali em 2026, além do Merino. A demanda no Jardim Oceânico é muito intensa, porque o bairro reúne qualidades pouco comuns na Barra: boas opções de transporte público, comércio e serviços abundantes e uma tranquilidade que é rara no Rio como um todo. O grande desafio é encontrar terrenos que garantam a liquidez das obras. Incorporar ali exige muita paciência e oportunidade — afirma o sócio-fundador da Itten, Eduardo Cruz.
ESTILO DE VIDA
Para Homero Neto, diretor da JB Andrade Imóveis, o fascínio que o Jardim Oceânico exerce está ligado a um princípio simples, mas nem sempre presente no planejamento urbano das grandes cidades: ser um bairro efetivamente planejado para oferecer qualidade de vida.
Segundo ele, o limite de altura dos prédios reforça a sensação de exclusividade e tranquilidade, criando um ambiente residencial mais harmonioso e menos adensado do que o observado em outras regiões da Barra. Atualmente, a empresa tem oito empreendimentos em construção no bairro, entre eles o recém-lançado Ello.
— É difícil encontrar no Rio um lugar que reúna tão bem mobilidade, lazer e conforto no dia a dia. Como o bairro é pequeno e bem estruturado, praticamente todas as localizações são valorizadas e há opções para diferentes perfis: de quem busca vida saudável a quem prefere morar perto do metrô. No fim, o que pesa é o estilo de vida de cada um — explica Cruz.
Foi justamente em busca desse estilo de vida que o administrador Jean Pierre decidiu trocar Jacarepaguá pelo Jardim Oceânico. Depois de avaliar as opções, ele comprou um apartamento no bairro e afirma que a mudança trouxe exatamente o que procurava.
— Resolvi morar aqui porque é um bairro muito charmoso, com relativa segurança e fácil acesso à Zona Sul e ao Centro. O comércio é completo, dá para resolver praticamente tudo a pé, e a praia significa qualidade de vida — diz.
