O Flamengo reagiu bem após a eliminação na semifinal da Libertadores e venceu o Atlético-MG por 3 a 2 no Maracanã, mantendo a liderança do Brasileirão ao fim da 32ª rodada. Vaiado levemente pela torcida antes do jogo, o treinador Leonardo Jardim abriu o jogo sobre os últimos dias e como a equipe precisa reagir nas últimas rodadas do campeonato.
Nesta segunda-feira, a vitória veio no último lance, um gol de pênalti de Carrascal. — O torcedor do Flamengo está habituado a jogar por títulos e, algumas vezes, a ter derrotas marcantes, como foi essa derrota (para o Estudiantes).
Isso também cria uma certa intranquilidade e falta de confiança nos jogadores. Hoje, eu senti que em alguns detalhes, se tivéssemos um pouco mais de tranquilidade...
mas, com certeza, todos correram muito. Todos queriam ir bem, ganhar o jogo, mas às vezes, correr não é sinônimo de fazer bem.
Hoje, eu senti essa intranquilidade, falei isso no vestiário, um certo nervosismo, de fazer as coisas rápidas demais. Graças a Deus que as coisas foram ao nosso favor, e penso que essa vitória vai voltar a dar confiança e mais tranquilidade, como tínhamos até aqui — declarou o português na coletiva.
Os últimos dias foram marcados por "luto" nos corredores do Ninho do Urubu, mas Jardim garante que não falta motivação para faturar o único título que resta nesta temporada. — Nos primeiros dois dias, eu, a comissão técnica e os jogadores fizemos o nosso luto, porque isso abalou a todos nós, não foram só os jogadores.
Eu próprio e todo o staff ficamos tristes. Às vezes, é preciso fazer o luto e, depois, no outro dia, falei com eles que agora temos o jogo do campeonato.
Sabemos que ser campeão brasileiro já é uma motivação extraordinária. Por isso temos que recuperar energia.
O campeonato estava a sete, agora está a seis rodadas do fim. Por isso não há motivação maior do que jogar a liderança do campeonato, e a equipe tem que se motivar e criar energias.
Para jogar para ser campeão, temos que acordar todos os dias motivados e pensar o que vamos fazer, porque ser campeão é aquilo que pretendemos em todos os trabalhos que desenvolvemos e os jogadores também — explicou. Chamado a fazer uma análise de seu trabalho nesta temporada, o português acredita que houve momentos de falhas recentes, mas que ninguém deixa de fazer o melhor.
— Há duas formas de avaliar o trabalho: uma é pelos títulos, e a outra é pelo percentual de sucesso. Acho que o percentual de sucesso é de bom nível.
Claudicamos (tivemos dificuldade) em dois momentos, na semifinal (da Libertadores), dois empates fizeram a gente perder nos pênaltis. Às vezes, cai para um lado ou para o outro.
Aqui no Brasil, não tenho tido muita sorte, apesar de ter ganhado o Carioca nos pênaltis. É sempre uma ocasião difícil.
Como já disse, acho que, na campanha da Libertadores, se tivéssemos conseguido uma vitória, teria sido a melhor campanha dos últimos tempos. No final da temporada, podemos fazer as análises do que está bem e do que poderíamos fazer melhor, mas se posso fazer melhor? Eu acordo todos os dias para fazer o melhor.
Já passei por vários países e continentes e, quando acordo de manhã, sempre quero fazer o meu melhor. Tento sempre inovar, gerir jogadores e problemas de forma diferente.
Esse é o meu trabalho como treinador. E a Libertadores?
O Flamengo tenta na Conmebol reverter a eliminação para o Estudiantes, alegando que a escalação do veterano Marcos Rojo foi irregular. O caso depende agora de um julgamento definitivo na Corte Arbitral do Esporte (CAS).
Por enquanto, Jardim diz acreditar na possibilidade de classificação para a final, mas foi breve no assunto. — Eu acredito que é possível, mas essa situação está no departamento jurídico e eu não vou me alongar.
O Globo