Japão e países europeus condenam ataques do Irã no Golfo e se dizem 'dispostos a contribuir' na segurança do Estreito de Ormuz

 

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Em comunicado conjunto, divulgado nesta quinta-feira, Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão condenaram os recentes ataques retaliatórios do Irã contra infraestruturas energéticas no Golfo e pediram que o país cesse as ameaças a embarcações no Estreito de Ormuz, rota marítima vital para o escoamento de cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente. O grupo expressou sua "disposição" em contribuir com "esforços apropriados" para garantir a passagem segura pelo canal estratégico, bloqueado por Teerã desde o início da guerra.

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"A liberdade de navegação é um princípio fundamental do direito internacional", afirma a declaração. "Os efeitos das ações do Irã serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente pelas mais vulneráveis. Estamos prontos para contribuir com os esforços necessários para garantir a segurança da passagem pelo Estreito de Ormuz".

Na quarta-feira, o Exército israelense atacou o campo de gás South Pars, o maior campo de exploração de gás natural do planeta, compartilhado entre Irã e Catar. Trata-se de uma reserva responsável por abastecer cerca de 70% do consumo doméstico de gás natural da República Islâmica. Em retaliação, o Irã atacou Ras Laffan — o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo —, no Catar, causando "danos extensos".

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Também foram registrados ataques nesta quinta-feira à duas refinarias no Kuwait e contra uma instalação petrolífera no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, utilizada pela Arábia Saudita para exportar petróleo sem passar pelo Estreito de Ormuz.

"Pedimos uma moratória imediata e geral sobre ataques a infraestruturas civis, especialmente instalações de petróleo e gás", declararam os seis países.

Após os ataques iranianos ao Catar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou destruir o maior campo de gás natural do Irã, elevando os riscos de uma escalada com efeitos globais. Segundo a agência Reuters, o Pentágono cogita um reforço nas tropas no Oriente Médio para dar mais opções a Trump, incluindo a de uma operação terrestre em solo iraniano.

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Em publicação na sua plataforma Truth Social, Trump voltou a dizer que os EUA não foram informados com antecedência sobre o bombardeio israelense contra South Pars. A ação foi condenada pelas monarquias do Golfo e o republicano disse ser contra ações voltadas ao setor energético iraniano, de acordo com o relato de assessores.

"NENHUM OUTRO ATAQUE SERÁ FEITO POR ISRAEL contra este importantíssimo e valioso campo de South Pars, a menos que o Irã, imprudentemente, decida atacar um país inocente, neste caso, o Catar", escreveu o presidente. "Nessa situação, os Estados Unidos da América, com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, explodirão maciçamente a totalidade do Campo de Gás de South Pars com uma força e potência jamais vistas ou testemunhadas pelo Irã".

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Em resposta, um porta-voz da Guarda Revolucionária afirmou, em comunicado, ter advertido a EUA e Israel "que cometeram um grande erro ao atacar a infraestrutura energética do Irã". "Se isso se repetir, os próximos ataques à sua infraestrutura energética e à de seus aliados não cessarão até sua completa destruição", diz o texto, divulgado pela agência estatal Isna.