Japão aprova mudanças na sucessão imperial, mas mantém veto a mulher no cargo
O Parlamento japonês aprovou nesta sexta-feira uma reforma na lei de sucessão imperial, mas manteve a proibição de uma mulher se tornar imperatriz, apesar das pesquisas indicarem que tal medida teria amplo apoio popular.
O futuro da Casa Imperial Japonesa, que segundo a lenda descende de Amaterasu, a deusa xintoísta do sol, depende atualmente do Príncipe Hisahito, de 19 anos, sobrinho do atual Imperador Naruhito, de 66 anos.
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Se Hisahito, que é solteiro e recentemente começou a estudar biologia e entomologia, não tiver um filho, a linha de sucessão se extinguirá por falta de herdeiro, de acordo com as regras atuais.
A reforma, aprovada por ampla maioria na Câmara Alta japonesa, autoriza a adoção de parentes distantes do sexo masculino com mais de 15 anos para reintegrar a família imperial, desde que sejam solteiros.
Também permite que as mulheres mantenham seu status real após se casarem com um plebeu, algo já permitido aos homens.
A Lei da Casa Imperial do Japão, em vigor desde 1947, não permite que mulheres ascendam ao Trono do Crisântemo, um direito que só pode ser transmitido pela linhagem masculina e que não foi alterado no projeto de lei recentemente aprovado.
Isso elimina a possibilidade de a popular princesa Aiko, de 24 anos, filha de Naruhito, ou as duas irmãs mais velhas de Hisahito, se tornarem imperatriz.
"Absolutamente ultrajante"
Essas novas mudanças na legislação foram alcançadas após significativas disputas dentro do partido conservador de Sanae Takaichi, a primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra do Japão, que se opõe à sucessão feminina.
Seiichiro Murakami, um parlamentar veterano do Partido Liberal Democrático (PLD), disse após a aprovação do projeto de lei pela Câmara Baixa em 10 de julho que era "absolutamente ultrajante" descartar a possibilidade de Aiko se tornar imperatriz.
Asahiro Kuni, de 81 anos, ex-membro da família imperial, afirmou que seria irrealista adotar parentes distantes do sexo masculino, acrescentando que aconselharia seus netos a rejeitarem tal proposta.
Kuni pertence a um dos 11 ramos da família imperial que deixaram o registro imperial após a Segunda Guerra Mundial.
"Aos 15 anos, uma pessoa já cresceu respirando o ar da liberdade", disse Kuni ao jornal Asahi Shimbun.
"Acho que seria difícil se adaptar à vida na família imperial.
Pode haver pessoas que queiram se juntar à família imperial, mas se entendessem as dificuldades da vida como membro da família real, provavelmente não diriam algo assim", acrescentou Kuni.
O Yomiuri Shimbun, um jornal de grande circulação e geralmente apoiador do Partido Liberal Democrático (PLD), também criticou o governo em um editorial recente.
A família imperial tem agora 16 membros no total, incluindo cinco homens: o Imperador Emérito Akihito, de 92 anos; seu irmão, de 90 anos; o atual imperador, de 66 anos; seu irmão Fumihito, de 60 anos; e o filho de Fumihito, Hisahito.
Uma pesquisa realizada pelo jornal Asahi Shimbun em maio revelou que 72% dos entrevistados eram favoráveis à mudança das regras para permitir que mulheres ascendessem ao trono.
