O jantar do presidente Lula com empresários na segunda-feira teve manifestações sobre a necessidade de melhorias institucionais em temas como agências reguladoras e emendas parlamentares, preocupação com a segurança pública e recados de que uma maior harmonia entre as políticas fiscal e monetária ajudará a enfrentar o problema dos elevados juros no Brasil.
Segundo relatos, a questão fiscal esteve presente em algumas falas de empresários, mas com menos ênfase do que se esperava.
Mas o tema foi contemplado nas falas dos representantes do governo.
Falaram pelo lado do governo o vice-presidente, Geraldo Alckmin, os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento) e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, além do presidente Lula, que encerrou o jantar.
Foi reforçado o compromisso com um ajuste da ordem de dois pontos percentuais do PIB ao longo de um novo mandato.
Mas houve também indicações de alguns governistas, como Alckmin e Mercadante, de que o quadro demandaria um ajuste mais rápido e que envolvesse também os outros Poderes e os governos subnacionais.
Lula arredondou a mensagem para deixar claro que, embora reconheça a insustentabilidade dos juros e veja necessidade de agir, a responsabilidade fiscal não se sobreporá à sua agenda social.
O presidente chegou a dizer que se incomoda com os questionamentos sobre seu compromisso fiscal, depois de dois governos com superávits primários e agora uma gestão que reduziu o déficit legado pelo antecessor e que entregou um orçamento para 2027 com previsão de superávit.
Mas a grande unanimidade mesmo foi sobre a urgência de se reduzir os juros, que está inviabilizando não só a atividade industrial, principal prejudicada, mas também estaria impactando negativamente o próprio setor bancário, por conta do aumento da inadimplência.
Houve lembranças de que o problema remonta às origens do plano real e uma das conclusões foi que é preciso repensar a relação entre a política monetária e fiscal.
Um interlocutor mencionou que há questões dos dois lados dessa equação que precisam ser melhoradas.
Além do esforço federal, foi mencionado que é preciso também olhar para estados e municípios, para as pautas-bombas do Congresso e a impositividade das emendas parlamentares e os problemas não só dos super salários e penduricalhos no Judiciário, mas também o problema dos precatórios (sentenças judiciais), que consomem boa parte do orçamento.
Entre os empresários, além dos juros e dos recados fiscais, houve questionamentos sobre um suposto excesso de poder das agências reguladoras e uma certa disfuncionalidade em sua atuação, à dinâmica de crescimento das emendas parlamentares e uma queixa mais incisiva ao problema da segurança pública.
Alguns mencionaram que o Brasil vive o risco de repetir o exemplo do México, onde territórios inteiros são comandados pelo narcotráfico.
Houve reconhecimento de que o governo mostrou compromisso de enfrentar o problema da infiltração do crime no Estado com operações como as que enfrentaram os esquemas envolvendo o Banco Master, a Reag e a Refit, e deveria perseverar nessa trilha.
Em sua fala, Lula também pediu que os empresários comparassem o vice dele, Geraldo Alckmin, e das candidaturas adversárias, a ideia foi marcar uma diferença de qualidade em sua equipe em relação aos adversários.
Na semana passada, alguns dos empresários presentes estiveram em jantar com o principal concorrente de Lula, Flavio Bolsonaro.
Estavam presentes, segundo o Palácio do Planalto:
Josué Gomes, Coteminas
André Esteves, BTG
Luiz Carlos Trabuco, Bradesco
Rubens Ometto Silveira Mello, Cosan
Joesley Batista, JBS
José Seripieri Filho, Amil
Henrique Constantino, Gol Linhas Aéreas
André Gerdau Johannpeter, Gerdau
Rubens Menin, MRV Engenharia
Eraí Maggi, Grupo Bom Futuro
Fábio Ermírio de Moraes, Votorantim Cimentos
José Luís Cutrale Júnior, Cutrale
Chain Zaher, Grupo SEB
Roberto Setúbal, Itaú Unibanco
João Alves de Queiroz Filho, Hypera Pharma
Ricardo Lacerda, BR Partners
