A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, divulgou, nesta segunda-feira (24), uma nota de repúdio às declarações de Renan Santos (Missão), candidato à presidência da República, durante debate presidencial no domingo (23).
Segundo ela, é possível visualizar um padrão de falas do candidato que normalizam o desrespeito às mulheres.
Janja se refere à afirmação de Renan Santos a qual disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ausente na ocasião, supostamente seria um alcoólatra por não suportar a convivência doméstica com a primeira-dama.
Nas suas palavras: “Lula ou está bêbado, ou está com a Janja”, afirmou.
“Melhor ficar bêbado nessas horas, né, presidente?”
Na nota divulgada nesta noite, a socióloga disse que situações como esta não podem ser normalizadas.
"O candidato atacou, de forma pessoal e depreciativa, uma mulher que não é candidata, não estava presente para se defender e não tinha qualquer relação com o tema em discussão", disse a primeira-dama.
"Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de 'pena' está longe de ser uma crítica política.
É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher, como ferramenta misógina para atacar um adversário político", complementou.
Janja disse que episódios como esse não são um caso isolado na vida do candidato.
Aos 42 anos, solteiro, sem filhos, Renan Santos tem um histórico longo de flerte com a misoginia.
Circula há anos pelas redes sociais um vídeo em que ele grita, junto a outros integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), corrente política que criou, que estuprariam uma tal de Bárbara se não pudessem entrar em um bar.
A cena é de 2018.
Ele disse que Bárbara é uma amiga dele e que tudo se tratou de uma brincadeira.
Acrescentou que estava alcoolizado na ocasião.
Já em 2022, era com ele que Arthur do Val, o “Mamãe Falei”, estava quando enviou a amigos um áudio em que falou sobre como as ucranianas eram mulheres fáceis de “levar para a cama”.
A partir disso, a primeira-dama diz que é possível visualizar um padrão de falas que normalizam o desrespeito às mulheres.
"Nós, mulheres, sabemos o quanto precisamos lutar para sermos ouvidas sem sermos interrompidas, desqualificadas ou atacadas.
Por isso, faz-se tão necessário repreender imediatamente atos como esses, que depreciam nossas existências", comentou.
Ela defendeu que o debate político é, ou deveria ser, um lugar para apresentar propostas, confrontar ideias e discutir projetos para o nosso país.
"Não é lugar para expor, debochar ou intimidar uma mulher, principalmente uma que nem candidata é", finalizou.
