A primeira-dama Janja da Silva defendeu a retirada imediata da plataforma Discord do ar no Brasil. Durante uma cerimônia no Palácio do Planalto em que o presidente Lula sancionou a lei que endurece penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes, Janja fez um apelo aos ministros da AGU e da Justiça, para que encontrem instrumentos legais para bloquear a plataforma após casos de violência envolvendo menores. Janja citou o caso de uma adolescente de 13 anos, do Mato Grosso do Sul, que morreu durante uma transmissão ao vivo no Discord. Ela disse que não é possível aceitar episódios como esse. "Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente, é um apelo que eu faço, o Discord do ar. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. A gente precisa encontrar instrumentos para isso acontecer, ministro. Eu não posso aceitar ver uma menina de 13 anos se mutilar ao vivo na internet, no Discord. Não consigo admitir um país desse." No mesmo evento, o secretário nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça, Victor Fernandes, afirmou que a pasta identificou falhas sistêmicas nos mecanismos de proteção do Discord, incluindo a ausência de verificação efetiva de idade. Segundo ele, o ministério chegou a pedir a suspensão da plataforma, mas o pedido foi negado pela Justiça.
Em seguida, o advogado-geral da União, Jorge Messias, solicitou ao Ministério da Justiça todas as informações do caso da adolescente para preparar uma ação civil pública contra o Discord. Segundo o ministro, a AGU buscará a responsabilização da plataforma e vai pedir a sua retirada do Brasil por considerar que ela não cumpre a legislação brasileira de proteção a crianças e adolescentes. A Operação Lívia foi deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul na última terça-feira para investigar uma organização criminosa suspeita de induzir adolescentes à prática de violência e ao suicídio por meio de plataformas digitais. Cinco adolescentes foram apreendidos e um homem de 18 anos foi preso. Os investigados respondem por homicídio qualificado e organização criminosa.
CBN