Janelas do Paço Imperial ‘choram’ em exposição de Niura Bellavinha

 

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Não se engane com o pranto que escorre das janelas do Paço Imperial, no Centro do Rio, nas telas de Niura Bellavinha. As lágrimas, avisa a artista mineira, não devem ser interpretadas como impotência. “Chorare pitangas”, nome da intervenção e que significa “chorar lágrimas de sangue” em tupi-guarani, trata-se de “algo positivo, na verdade”, ela defende. “Não é dramático. É realista porque se refere ao que estamos vivendo, e falar sobre isso é importante”, diz, mencionando temas como a violência contra a mulher e o extrativismo ambiental.

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Feitas à base de urucum, pau-brasil e rejeitos da mineração, as pinturas integram a individual “Toró”, recém-inaugurada por lá e que marca os 35 anos de carreira da artista. Além da intervenção na fachada, Niura destrincha, no interior do prédio, seu encantamento pela vida e pelo cosmos com obras feitas a partir de experimentações em seu ateliê, em Belo Horizonte.

Paço Imperial com a intervenção de Niura Bellavinha na fachada

Custodio Coimbra

São telas sobre as quais sopra poeira de meteoritos ou combina jatos de água e pigmentos finalizados pela ação do tempo. “Sempre tive essa coisa da experimentação, um aspecto que talvez tenha me aproximado de amigos como o Tunga (1952-2016)”, diz, citando o célebre artista pernambucano e um de seus entusiastas no começo da carreira, nos efervescentes anos 1980. “Não gosto da ideia de retrospectiva porque estou em plena atividade. Posso até revisitar as maneiras como pinto, mas há sempre novos insights.”

Curador da exposição ao lado de Rafael Peixoto e Viviane Matesco, Marcus Lontra ressalta o caráter radical da obra de Niura, já exposta em diferentes países, como Japão, Portugal e Suíça. “Ela é uma herdeira do pensamento moderno, mas uma herdeira devassa”, ele define. “É movida por desafios e faz parte de uma geração que não aceita envelhecer. Costumo dizer que, com ela, não há exposições retrospectivas. São sempre prospectivas.”