James Van Der Beek morreu após luta contra o câncer de cólon: quando começar os exames de rastreamento?

 

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer colorretal é o terceiro tipo de câncer mais frequente no mundo. A doença representa cerca de 10% de todos os casos de câncer e é a segunda principal causa de mortes relacionadas ao câncer globalmente. Em 2024, o diagnóstico do ator James Van Der Beek, famoso por protagonizar a série Dawson’s Creek e que morreu nesta quarta-feira em decorrência desse tipo de câncer, voltou a colocar em evidência a importância da detecção precoce, que pode favorecer o tratamento e os resultados da doença. Por isso, os exames preventivos são imprescindíveis para todos, especialmente a partir dos 45 anos.

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Em entrevistas após o diagnóstico, Van Der Beek contou como a notícia o pegou de surpresa.

— Eu comia o melhor que podia. Era saudável. Minha saúde cardiovascular era incrível. Não havia nenhuma razão para receber um diagnóstico positivo — disse à E! News.

Por isso, ainda em vida, o ator foi enfático ao recomendar o exame de rastreamento do câncer colorretal. Ele realizou o teste aos 46 anos, sem saber que a idade recomendada havia sido reduzida para 45.

— O câncer de cólon se refere ao crescimento descontrolado das células localizadas no intestino grosso (o cólon). Essa doença predomina em pessoas com mais de 50 anos no momento do diagnóstico, mas não se deve esquecer que também pode aparecer em indivíduos mais jovens — afirmou a médica Liliana Larrea, chefe de Auditoria Oncológica do Pacífico Salud.

Nesse sentido, também é importante destacar a existência de outros fatores de risco relevantes.

— A idade é o principal fator de risco, por isso os exames de rotina são fundamentais. Outro fator importante é o histórico familiar de câncer colorretal — explicou a médica Brenda Jiménez, gastroenterologista da Cleveland Clinic.

Da mesma forma, há fatores de risco que podem ser controlados ao longo da vida. Entre eles estão a inatividade física, dietas inadequadas, sedentarismo, obesidade e o consumo de álcool e tabaco.

— Também existem algumas doenças inflamatórias do cólon, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa, que podem aumentar a predisposição ao câncer colorretal. O mesmo ocorre com algumas condições hereditárias, como a síndrome de Lynch — acrescentou.

Quais são os sintomas do câncer colorretal?

A OMS afirma que, frequentemente, o câncer colorretal não causa sintomas nas fases iniciais, o que torna os exames periódicos essenciais para detectar a doença precocemente e iniciar o tratamento adequado. Em estágios mais avançados, porém, alguns sinais podem indicar a presença da doença.

— Os sintomas incluem dor abdominal, perda de peso sem causa aparente, falta de apetite, fraqueza, rectorragia (sangue vermelho nas fezes), hematoquezia (sangue misturado às fezes), fadiga e alterações persistentes do ritmo intestinal, como diarreia, constipação ou fezes finas — detalhou a dra. Larrea.

Além disso, a OMS ressalta que a anemia por deficiência de ferro causada por hemorragia crônica também pode ser um sintoma de câncer de cólon.

Por que fazer exames de rastreamento do câncer de cólon precocemente?

Em primeiro lugar, a dra. Jiménez enfatizou que os exames de rastreamento devem ser realizados periodicamente a partir dos 45 anos. Essa é a idade ideal para pessoas sem histórico familiar de câncer de cólon e sem os fatores de risco mencionados anteriormente.

— Desde 2021, o Grupo de Trabalho de Serviços Preventivos dos Estados Unidos, um painel independente e voluntário de especialistas nacionais em prevenção e medicina baseada em evidências, recomenda que os exames de rastreamento do câncer colorretal comecem aos 45 anos. Antes, a recomendação era aos 50 — esclareceu.

Por outro lado, a população de alto risco inclui pessoas com condições predisponentes, como as já citadas, e aquelas com familiares que tiveram câncer.

— Para esse grupo, recomenda-se iniciar os exames antes dos 45 anos, ainda na juventude. Preferencialmente, o rastreamento deve ser feito por colonoscopia, e a periodicidade depende da causa do aumento do risco — destacou.

Sobre a importância do rastreamento, a dra. Larrea afirmou que o fator prognóstico mais relevante para a sobrevivência no câncer de cólon é o estágio clínico da doença. Por isso, programas de detecção precoce são essenciais tanto para identificar e tratar lesões pré-malignas antes do desenvolvimento do tumor quanto para diagnosticar a doença em estágios iniciais.

— A taxa de sobrevivência em cinco anos de pacientes com câncer de cólon em estágios iniciais supera 90%, enquanto em estágios mais avançados fica em torno de 50% a 70% — acrescentou.

Segundo Larrea, os dois principais exames de rastreamento são:

Teste de sangue oculto nas fezes: consiste em coletar uma pequena amostra de fezes em um recipiente e enviá-la a um laboratório para análise com reagentes. O exame é indicado para a população na faixa etária de risco (entre 50 e 90 anos), sem sintomas nem fatores adicionais de risco para o desenvolvimento do câncer colorretal. De acordo com a Sociedade Americana do Câncer (ACS), não exige preparo intestinal e pode ser feito uma vez por ano. A amostra pode, inclusive, ser coletada em casa.

Colonoscopia: permite observar a mucosa de todo o cólon por meio de um tubo longo e flexível (endoscópio), introduzido pelo ânus. O exame é diagnóstico e também terapêutico, pois possibilita a retirada imediata de pólipos identificados, eliminando o risco de evolução para câncer. Segundo a ACS, recomenda-se realizar a colonoscopia a cada dez anos. Esse exame exige preparo intestinal.

Quais são os possíveis tratamentos para o câncer de cólon?

A médica da Cleveland Clinic ressaltou que, após o diagnóstico, o mais importante é saber que é possível impedir a progressão da doença. Em seguida, é fundamental determinar onde o câncer está localizado — se apenas no cólon ou se já se espalhou para fora do órgão. Para isso, são realizados exames como tomografias e ressonâncias magnéticas.

— Depois de obter os resultados, o médico responsável poderá definir o tratamento de acordo com a localização da doença. As opções incluem imunoterapia, quimioterapia e radioterapia. O tratamento é altamente especializado e individualizado, sendo discutido por uma equipe multidisciplinar antes, durante e após sua realização — concluiu Jiménez.