O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou no debate da TV Globo ontem (23) que o governo de Jair Bolsonaro, pai do candidato Flávio Bolsonaro (PL), gastou “quase 30% a mais” com cartão corporativo do que a sua gestão. A afirmação foi classificada como falsa pelo Fato ou Fake, serviço de checagem do Grupo Globo.
Dados do Portal da Transparência sobre o Cartão de Pagamento do Governo Federal (CPGF), nome oficial do cartão corporativo, mostram que nenhum recorte comparável sustenta o percentual. As cifras variam de acordo com as unidades administrativas consideradas no cálculo.
Os dados públicos mais recentes se referem a agosto deste ano, a cerca de quatro meses do fim do mandato de Lula. A comparação, por isso, considera os primeiros 44 meses de cada mandato: de janeiro de 2019 a agosto de 2022, no governo Bolsonaro, e de janeiro de 2023 a agosto de 2026, no governo Lula.
Segundo o levantamento do g1, que considerou os gastos registrados no órgão superior 20000 do Portal da Transparência, o governo Bolsonaro gastou mais nesse período: R$ 95,4 milhões, contra R$ 91,6 milhões do governo Lula, em valores corrigidos pelo IPCA até agosto de 2026, uma diferença de cerca de 4%.
O órgão superior 20000 é o código com que o Portal da Transparência agrupa as despesas da Presidência da República. Além da Secretaria de Administração, ele reúne unidades como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Vice-Presidência.
Segundo o advogado Bruno Morassutti, cofundador da ONG Fiquem Sabendo, especializada no acesso a informações públicas, é mais seguro comparar os valores reunidos nesse conjunto, uma vez que é comum que as gestões redistribuam os gastos entre as unidades administrativas. Quando se considera apenas a Secretaria de Administração, que tende a concentrar a maior parte dos gastos da própria Presidência, o resultado se inverte.
Levantamento com dados do Portal da Transparência mostra que, no mesmo período, a secretaria gastou R$ 58,7 milhões no governo Lula, contra R$ 49,3 milhões no governo Bolsonaro, também em valores corrigidos, cerca de 19% a mais na gestão atual. Embora seja possível comparar o que foi gasto, não se pode em grande parte apontar para que foram destinados os recursos.
Mais de 98% dos valores aparecem como sigilosos no portal, nos dois governos, sem identificação do que foi comprado ou de quem recebeu o pagamento.
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