Já provou vinhos de Goiás? Conheça rótulos da Monte Castelo e São Patrício; tinto teve medalha de ouro da Decanter - QTU Questões do Universo

Já provou vinhos de Goiás? Conheça rótulos da Monte Castelo e São Patrício; tinto teve medalha de ouro da Decanter

Fonte: Bandeira da fonte

Desconhecidos por muitos no país, os vinhos de Goiás começam a crescer e aparecer, conquistando altas pontuações.
Esses rótulos do Cerrado são marcados pela produção em dupla poda e uvas de vinhedos jovens.
Em visita ao Rio, Carolina Martin, sommelière e diretora comercial das vinícolas Monte Castelo e São Patrício, apresentou vinhos das duas marcas, entre eles, o premiado Udu de Coroa Azul Grande Reserva Cabernet Franc 2023, da São Patrício.

As vinícolas são separadas pela distância de 8 quilômetros, em uma região, que já concentra mais de 40 projetos.
As marcas são do mesmo grupo familiar, mas os sócios são distintos.

— As duas vinícolas têm suas áreas próprias de vinhedos.
Apesar da proximidade, têm algumas características diferentes de solo.
São vinificados pela mesma equipe de enologia, mas tentamos manter a identidade deles.
Não são os mesmos vinhos.
A enóloga residente é a Bárbara Marques.
E temos o consultor Cristian Sepúlveda — explica Carolina.
Carolina Martin, diretora comercial das vinícolas São Patrício e Monte Alegre
Cláudia Meneses
Três vinhos da São Patrício
A São Patrício fica a 623 metros de altitude e tem 6,5 hectares de vinhedos.
Fundada em 2019, está localizada no Vale do São Patrício, por isso foi batizada com esse nome.
Ela tem instalações próprias de vinificação, com visitas de enoturismo.
As uvas plantadas são Syrah, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon e Marselan, além da branca Chenin Blanc.

O São Patrício Cauré Rosé 2025 (R$ 145) é um corte com três variedades: Syrah, Chenin Blanc e Cabernet Franc.

— As uvas são colhidas no mesmo dia e fermentadas juntas.
O vinho apresenta aromas de frutas vermelhas e de polpa branca — descreve Carolina.

O Caurê recebeu o nome de um pássaro, assim como outros vinhos da marca:
— O caurê é um falcão peregrino que migra na América Latina.
No inverno, ele passa uma temporada no Araguaia.
Os nomes dos nossos vinhos são de aves que são vistas no Rio Araguaia, que divide Goiás do Mato Grosso.
Essa inspiração vem da arquitetura da nossa vinícola.
O prédio da vinícola foi projetado pelo arquiteto Sylvio de Podestá, com um telhado invertido, em formato de asas.

— E a ideia do arquiteto era essa: termos asas para voar alto.

O São Patrício Talha-Mar Reserva Blend 2023
Divulgação
Já o vinho São Patrício Talha-Mar Reserva Blend 2023 (R$ 185) recebeu o nome de uma gaivota.
O vinho é um corte de Syrah e Cabernet Sauvignon com seis meses de passagem por barrica de carvalho francês.
Obteve 90 pontos no Guia Descorchados e conquistou medalha de ouro no concurso Vinalies Internationales da França 2026.
— O Cabernet Sauvignon ficou seis meses em barricas francesas usadas.
O Syrah ficou tanque de inox.
Fizemos o corte no envase.
É uma proposta de não ter tanta barrica, obtermos um pouco mais de frescor.
Já está com um ano e meio em garrafa.

O São Patrício Udu de Coroa Azul Grande Reserva Cabernet Franc 2023
Divulgação
O São Patrício Udu de Coroa Azul Grande Reserva Cabernet Franc 2023 (R$ 310) foi medalha de ouro no concurso Decanter World Wine Awards, um dos mais importantes do universo do vinho.
— Ele é 100% Cabernet Franc, nossa primeira vinificação dessa variedade na propriedade.
Passou um ano em barricas francesas novas de primeiro uso, e tem um ano e meio em garrafa.
A Cabernet Franc já demonstrava que ia ter potencial, desde o início a gente percebeu que ela estava diferente.
A uva foi colhida e já nasceu para ser da linha Grande Reserva.
A grande surpresa é que ele, no concurso da Decanter de 2026, foi premiado com a medalha de ouro.
Foram quatro medalhas de ouro para o Brasil, sendo um branco e três tintos.
Dos três tintos, dois foram do mesmo produtor em Minas (Casa Geraldo), de colheita de inverno.
Foi a primeira pra Goiás, uma região ainda não tão conhecida.
Carolina explica que a premiação foi "uma virada de chave" para a São Patrício:
— De fato, com a medalha de ouro, a gente começou a aparecer no cenário brasileiro de vinhos.
Mostramos que Goiás tem potencial.
Se a gente continuar, agora a régua subiu.
Teremos que continuar com este padrão elevado para demonstrar que não somos só uma promessa.
A gente quer também se tornar uma região consolidada, como Minas Gerais.

Vinhos da Monte Castelo
A Monte Castelo fica em Jaraguá e foi fundada em 2016 e tem 6,5 hectares de vinhedos, que ficam a 644 metros de altitude.
As uvas cultivadas são: Cabernet Sauvignon, Syrah, Cabernet Franc, Tempranillo, além das brancas Sauvignon Blanc e Chenin Blanc.
Seus vinhos são vinificados nas instalações da vinícola vizinha São Patrício.
Ela soma premiações como medalhas de bronze e prata nas edições 2023, 2024, 2025 e 2026 do Decanter World Wine Awards.

Vinhedo da Monte Castelo, em Goiás
Divulgação / Monte Castelo
O Monte Castelo Monte Alba 2025 (R$ 165) é um corte de 60% Sauvignon Blanc e 40% Chenin Blanc.
— Nas primeiras safras, esse vinho era 100% Sauvignon Blanc.
A Chenin Blanc foi plantada em uma segunda etapa, não produziu desde o início do nosso projeto.
A gente já tem o Monte Alba desde 2020, é a quinta safra dele.
Quando a Chenin começou a entrar em produção, a quantidade era pequena, não tínhamos como fazer um vinho separado, aí fizemos uma cofermentação e nasceu o blend, que foi muito apreciado e elogiado.
Em 2025, foi a primeira vez que a gente colheu Chenin em quantidade suficiente para fazer a vinificação separada, mas na hora de fazer as degustações o corte venceu.
Ele já tinha o seu espaço, já tinha adquirido o nosso gosto, então a gente manteve esse corte.
Ele é bastante aromático, com um perfil de frutas brancas bem frescas, tem um pouco de floral.
Na boca, com a acidez equilibrada e um corpo interessante.
Alguns nomes de vinhos da Monte Castelo são de plantas da região, como o Zey:
— Na Monte Castelo, a gente seguiu nomes científicos de plantas do Cerrado.
Então existe uma árvore chamada ipê-felpudo, cujo nome científico é Zeyheria tuberculosa.
A gente adaptou para fazer um nome mais curto.
O Monte Castelo Zey 2025 (R$ 115) é o lançamento da Monte Castelo, com uma proposta mais leve.
Tem 63% Tempranillo, 25% Syrah, 12% Merlot, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon.
Apresenta notas de de frutas vermelhas e ervas frescas:
— Até então a gente só tinha vinhos tintos reserva, ou grande reserva.
Então buscamos um vinho que fosse jovem, sem passagem por barrica.
A proposta é ser mais leve.
Ele está com teor alcoólico de 13,5 graus.
O Albhus Gran Reserva Blend 2022
Divulgação
O Monte Castelo Albhus Gran Reserva 2022 (R$ 299) é um blend potente, com cinco variedades.
Passou 12 meses em carvalho francês, 40 meses em garrafa.
Obteve medalha de prata na Decanter e 94 pontos no Vinalies 2026.
— O nome dele é inspirado no ipê amarelo, o Handroanthus albus.
O rótulo tem até a flor amarela.
Nós já estamos falando de uma safra 22 e de um corte que tem Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Petit Verdot e Cabernet Franc.
Ele já está completando 3 anos em garrafa.

Os vinhos podem ser comprados nos sites das vinícolas: São Patrício e Monte Castelo.