Jantar fora e passar boa parte do tempo olhando para a tela do celular se tornou uma cena comum. Em algumas mesas, os aparelhos dividem a atenção dos clientes com a comida e a conversa — quando ela acontece.
Para mudar essa dinâmica, restaurantes nos Estados Unidos estão adotando medidas que incentivam, ou até exigem, que os frequentadores deixem os dispositivos de lado durante as refeições. Veja: Pinky Wainer ministra aulas de aquarela no Rio pela primeira vez
Confira: Repórter de ELA faz relato sobre o desafio de viver experiências sem postar nas redes A tendência foi abordada pelo The Wall Street Journal, que observou como alguns estabelecimentos passaram a se parecer com espaços de rolagem de redes sociais que, por acaso, também servem comida e bebida.
Em um cenário no qual fotografar pratos, gravar vídeos e responder mensagens fazem parte da experiência de sair para comer, a proposta é recuperar a atenção ao que acontece ao redor da mesa. As iniciativas variam de acordo com o restaurante.
O The Edge, no Harlem, em Nova York, reforça a filosofia de desconexão com uma placa que anuncia: “Sem Wi-Fi, sem telas. Conecte-se uns com os outros”.
O local não proíbe os celulares, mas incentiva os clientes a priorizarem a companhia. Já o The Antagonist, na Carolina do Norte, distribui bolsas da Yondr, marca conhecida por seus compartimentos que bloqueiam o acesso aos aparelhos até serem liberados pela equipe.
Em Tribeca, bairro de Nova York, o Eulalie adota uma regra mais rígida e proíbe o uso de celulares. Entre a desconexão e a liberdade do cliente
A proposta, porém, divide opiniões. Se, por um lado, há quem veja o afastamento das telas como uma oportunidade de conversar mais e aproveitar a refeição, por outro, regras rígidas podem ser percebidas como inconvenientes, especialmente em restaurantes que vendem uma experiência de luxo.
O celular também funciona como um recurso de segurança e comunicação, e nem toda ligação pode ser ignorada. Outro ponto é a relação com a própria comida.
Comer enquanto se responde a mensagens ou se navega pelas redes pode desviar a atenção dos sabores e do trabalho de quem preparou o prato. Para os defensores da desconexão, deixar o aparelho guardado é uma forma de valorizar tanto a refeição quanto a companhia.
A tendência não significa, necessariamente, que todos os restaurantes passarão a proibir celulares. As experiências citadas mostram diferentes formas de lidar com a presença dos aparelhos, desde o incentivo à desconexão até a proibição explícita.
A questão que fica é se, em meio à rotina digital, deixar o celular fora da mesa pode transformar a maneira como as pessoas se relacionam — e como aproveitam o tempo à mesa.
O Globo