O risquinho nas teclas F e J do teclado serve como guia tátil para que o usuário posicione os dedos indicadores na fileira central e digite com agilidade sem olhar para as mãos. O recurso viabiliza a técnica de digitação às cegas, herdada das antigas máquinas de datilografia.
Fabricantes consagradas como Logitech, Dell e Lenovo mantêm esses relevos para acelerar a escrita no computador e auxiliar pessoas com deficiência visual na localização espacial imediata dos comandos. A marcação em alto-relevo também costuma equipar ao número cinco do bloco numérico lateral para orientar a digitação rápida de cálculos.
O padrão agiliza a produção de textos e reduz a fadiga muscular ao dispensar o movimento contínuo dos olhos entre os botões plásticos e o monitor. O TechTudo reuniu detalhes sobre a história desse mecanismo, a relação com o layout QWERTY e métodos práticos para aprimorar sua velocidade de escrita no computador.
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Entenda o motivo dos risquinhos nas letras F e J Divulgação/Make Use Of
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Para que servem os risquinhos nas teclas F e J do teclado? Os risquinhos nas teclas F e J funcionam como referências táteis para facilitar a digitação e possibilitar que os usuários escrevam sem olhar para o teclado.
Para entender a importância desse recurso, contudo, precisamos voltar um pouquinho no tempo. Embora, nas últimas décadas, a popularização dos computadores pessoais tenha transformado a digitação em uma atividade cotidiana, nem sempre foi assim.
Antigamente, os grandes digitadores, munidos de suas máquinas de escrever, tinham nome e profissão: eram os datilógrafos. Como em outras atividades profissionais, a datilografia também possuía técnicas próprias, desenvolvidas para tornar o trabalho mais ágil e preciso.
Uma delas era a chamada digitação por toque (touch typing), que permitia escrever sem precisar olhar constantemente para as teclas. Um manual da máquina de escrever Corona Four, publicado em 1925, já ensinava esse método, orientando os datilógrafos a posicionar os dedos sobre oito teclas da fileira central e a memorizar os movimentos necessários para alcançar as demais letras.
Print do manual de escrita de máquina de escrever Reprodução/Pinterest
Como mostra a ilustração do manual, reproduzida abaixo, as teclas A, S, D, F, J, K, L e ; eram destacadas como posições iniciais dos dedos, enquanto pequenos números indicavam qual deles deveria pressionar cada letra. Os indicadores, identificados pelo número 1, ficavam sobre F e J, respectivamente.
2. Como os relevos ajudam a digitar sem olhar para o teclado?
Pode parecer mínimo, mas o tempo gasto olhando para o teclado, procurando uma letra e voltando os olhos para a tela pode se acumular ao longo de um texto. Além disso, em geral, os usuários comuns de computadores utilizam apenas os dois dedos indicadores para digitar, o que limita a quantidade de teclas que conseguem alcançar sem movimentar as mãos.
Isso não significa, necessariamente, que a digitação seja lenta, até porque, com a prática, é possível digitar rapidamente, até mesmo dessa maneira. A técnica tradicional de digitação por toque, no entanto, propõe um método diferente.
Nela, os oito dedos das mãos são distribuídos sobre a fileira central do teclado, enquanto os polegares ficam responsáveis principalmente pela barra de espaço. Cada dedo possui um conjunto de teclas que deve alcançar, permitindo que as mãos realizem movimentos menores e mais organizados.
Com a repetição, o cérebro desenvolve uma memória dos movimentos, popularmente chamada de memória muscular, que permite encontrar as letras quase automaticamente, sem depender da visão. Apesar de pequeno, o teclado do Asus Zenbook DUO conta com os sinaizinhos nas teclas F e J
Aline Barbieri/TechTudo É nesse processo que os relevos das teclas F e J fazem a diferença.
Conforme explica a Microsoft, em um artigo sobre digitação por toque, essas pequenas marcações ajudam a encontrar e manter a posição correta dos dedos sem precisar olhar para o teclado. Com o treinamento, isso pode contribuir para uma digitação mais fluida e precisa, embora a velocidade dependa também da familiaridade de cada pessoa com o equipamento.
Essa preocupação com a precisão era ainda mais importante na época das máquinas de escrever. Diferentemente dos computadores atuais, nos quais basta pressionar uma tecla para apagar um erro, corrigir uma palavra datilografada podia exigir o uso de borrachas especiais, fitas corretivas ou até a substituição da folha de papel.
Por isso, dominar os movimentos dos dedos e evitar erros era uma habilidade especialmente valiosa para os profissionais da datilografia. 3.
Por que os relevos ficam justamente nas teclas F e J? Faça um teste: coloque os dedos indicadores das mãos esquerda e direita sobre as teclas F e J, respectivamente.
Com os punhos levemente arqueados e as mãos relaxadas, deixe os outros dedos repousarem naturalmente sobre o teclado. Onde eles vão parar? Se você estiver utilizando um teclado convencional, perceberá que eles ficam próximos das demais letras da fileira central, formando uma posição bastante conveniente para alcançar boa parte das teclas sem movimentar muito as mãos.
Essa é a razão pela qual os risquinhos ficam nas teclas F e J. Na técnica tradicional de digitação por toque, essas duas letras servem como pontos de partida para os dedos indicadores.
Como são os dedos usados como referência para posicionar as mãos, basta encontrar os pequenos relevos para saber onde colocar os demais, sem precisar olhar para o teclado. Teclado QWERTY está presente há muito tempo em nossas vidas
Stella Dauer/TechTudo Como mostra o manual da máquina de escrever Corona Four, de 1925, a técnica já utilizava F e J como posições iniciais dos indicadores há mais de um século.
A ideia era distribuir o trabalho entre as duas mãos, com cada dedo responsável por alcançar determinadas teclas. Essa organização segue o padrão QWERTY, criado ainda na época das máquinas de escrever e utilizado até hoje na maioria dos teclados.
O nome vem das seis primeiras letras da fileira superior: Q, W, E, R, T e Y. Existem outras disposições, como Dvorak e Colemak, mas o QWERTY continua sendo o mais popular.
4. Todo teclado tem risquinhos nas teclas F e J?
Embora sejam bastante comuns, os risquinhos nas teclas F e J não estão presentes em todos os teclados. O motivo é simples: nem todos os teclados do mundo seguem o padrão QWERTY, utilizado na maioria dos computadores brasileiros.
Em outros países, existem disposições diferentes, como AZERTY e QWERTZ, que mudam a posição de algumas letras e podem apresentar referências táteis em outras teclas. Mesmo entre os aparelhos QWERTY, as marcações não são sempre iguais.
Dependendo do fabricante e do modelo, elas podem aparecer como pequenos traços, pontos ou elevações mais discretas. Em alguns casos, são tão sutis que quase não podem ser percebidas visualmente, embora continuem fáceis de identificar com a ponta dos dedos.
No meu notebook Dell G15, por exemplo, são riscos sutis, quase imperceptíveis. Também existem, é claro, teclados que dispensam completamente esse recurso, como os virtuais de celulares e tablets, que nem sequer contam com teclas físicas para oferecer a mesma referência tátil.
Teclado AZERTY Divulgação/XSKN
5. Como usar os risquinhos para melhorar a digitação?
Para aproveitar os risquinhos das teclas F e J, basta praticar a digitação, tentando seguir, ao máximo, a posição dos dedos prevista pela técnica. A ideia é utilizar todos os dedos das mãos, mantendo os indicadores sobre F e J e os demais na fileira central do teclado.
Durante os exercícios, vale tentar escrever sem olhar para as teclas, recorrendo aos pequenos relevos sempre que for necessário encontrar novamente a posição inicial. No começo, é normal digitar mais devagar e cometer alguns erros, especialmente para quem está acostumado a escrever utilizando apenas dois dedos.
Com a prática, entretanto, os movimentos tendem a se tornar mais naturais. Pense que, tal qual um pianista, você está praticando a independência motora dos seus próprios dedos.
Teclados digitais, é claro, não contam com os risquinhos Reprodução/Motorola
Para ajudar nesse processo, existem treinadores de digitação gratuitos na Internet. O TypingClub, por exemplo, oferece aulas e exercícios para aprender a posição correta dos dedos, enquanto o Monkeytype permite testar a velocidade e a precisão da escrita.
Não é preciso mudar todos os hábitos de uma vez: alguns minutos de treino por dia já podem ajudar a desenvolver a técnica. Com informações de PCWorld, Ranked, Microsoft e Corona Four
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