O ministro da Defesa da Itália, Guido Crosetto, pediu nesta sexta-feira uma presença naval mais forte no Mar Vermelho para proteger a navegação comercial. O apelo ocorre em meio às preocupações com o Estreito de Bab el-Mandeb, uma rota marítima vital ameaçada pela ampliação do conflito no Oriente Médio pelos houthis do Iêmen. Leia também: Ofensiva dos rebeldes houthis, reforçados pelo Irã, chocou regime da Arábia Saudita China pressiona Irã a conter houthis após apelo da Arábia Saudita EUA abrem caminho para venda de caças de US$ 24,3 bilhões à Arábia Saudita
A milícia xiita apoiada pelo Irã avançou rapidamente nas últimas semanas ao longo da costa do Mar Vermelho, complicando ainda mais as rotas marítimas em uma região que também inclui o Estreito de Ormuz, onde o tráfego já havia diminuído devido à guerra entre Estados Unidos e Irã.
A Itália, que integra a missão Aspides da União Europeia, lançada em 2024 para proteger a navegação contra ataques dos houthis, afirmou na quinta-feira que estava preparando uma missão naval na região, argumentando que não poderia esperar uma resposta do bloco europeu à nova crise.
“Depois do que eu disse, houve alguma movimentação dentro da Aspides, mas precisamos de mais navios”, disse à Reuters Crosetto, importante aliado da primeira-ministra Giorgia Meloni.
“Os únicos países que realmente estão apoiando [os esforços de segurança] são Itália e Grécia”, prosseguiu, sem estimar quantas embarcações seriam necessárias para garantir a segurança da região.
‘Burocracia europeia’ O Estreito de Bab el-Mandeb tem 29 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito e é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, por onde passam bens e commodities transportados da Ásia para a Europa através do Canal de Suez.
Segundo a Kpler, empresa de dados e análises de commodities, o volume de petróleo que passou pelo Bab el-Mandeb em junho correspondeu a cerca de 7% da produção mundial da commodity.
A Assarmatori, uma das principais associações representantes dos armadores italianos, afirmou que cerca de 40% do comércio da Itália com o restante do mundo passa pelo Canal de Suez.
Na quinta-feira, Crosetto afirmou que Roma havia decidido agir com sua Marinha porque não queria que a resposta fosse atrasada pelo que chamou de “burocracia europeia”, alertando que uma demora poderia agravar a situação. Guido Crosetto, ministro da Defesa da Itália, faz apelo para que países europeus reforcem proteção da navegação comercial no Mar Vermelho Chris Ratcliffe/Bloomberg
Roma não detalhou quais medidas considera adotar nem quais meios navais poderia enviar à região.
O presidente da Assarmatori, Stefano Messina, recebeu positivamente a iniciativa de Crosetto e afirmou que ela está alinhada ao que os armadores vinham reivindicando.
“A Marinha italiana, que também demonstrou grande experiência e preparo nessa região, é capaz de atuar enquanto aguarda as decisões que a União Europeia tomará em relação à missão Aspides”, disse à Reuters.
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