Israel mata quatro pessoas no sul do Líbano e põe à prova trégua com Hezbollah
Quatro pessoas morreram em um ataque de Israel contra um veículo no sul do Líbano nesta segunda-feira, informou o Ministério da Saúde libanês, em um dos ataques mais letais das últimas semanas.
A nova ofensiva israelense coloca à prova um cessar-fogo anunciado no mês passado que reduziu drasticamente a violência no sul do Líbano, principal palco do conflito entre o Hezbollah, aliado do Irã, e Israel, mas não a eliminou completamente.
Os militares de Israel disseram ter atingido um veículo que transportava quatro pessoas que, segundo afirmam, se aproximavam do que chamam de "zona de segurança" no sul do Líbano e representavam uma ameaça para suas forças.
O Ministério da Saúde identificou as vítimas como a diretora de escola Esperanza Ghandour, sua mãe, uma trabalhadora doméstica e um trabalhador estrangeiro.
Ghandour havia ido verificar os reparos em sua casa, danificada pela guerra, em Nabatieh e estava voltando quando o veículo foi atingido, de acordo com uma fonte local e com a agência estatal de notícias do Líbano.
No Hospital Najdeh, em Nabatieh, um funcionário da área de saúde disse à Reuters por telefone que a equipe ouviu o ataque antes da chegada das vítimas.
"Ouvimos a explosão e vimos a fumaça subir", disse o funcionário.
O ataque ocorreu em uma área que os moradores locais consideravam segura contra bombardeios, acrescentou.
Ele afirmou ainda que ataques de drones israelenses continuaram desde o cessar-fogo, embora com menor frequência do que antes.
Ataque destrói sensação de segurança
Israel estabeleceu o que descreve como uma zona de segurança que se estende por cerca de 10 quilômetros para dentro do sul do Líbano ao longo da fronteira, afirmando que ela é necessária para proteger as comunidades do norte de Israel contra ataques do Hezbollah.
As forças israelenses permanecem posicionadas em partes dessa zona apesar do cessar-fogo, enquanto o Líbano afirma que a presença israelense viola sua soberania.
Para os moradores de Nabatieh e das cidades vizinhas, o ataque destruiu a pouca sensação de segurança que havia retornado com o cessar-fogo.
Ali Safa, de 32 anos, disse que sua família foi obrigada a ir e voltar diversas vezes, fugindo do sul do país repetidamente desde que a trégua foi anunciada no fim de junho.
"Trouxe o medo de volta mais uma vez", disse Safa sobre o ataque desta segunda-feira.
"Alguns dos poucos estabelecimentos que haviam reaberto voltaram a fechar por causa dos ataques diários, e algumas famílias foram embora.
Sempre existe uma pequena esperança de que pelo menos você voltou para a sua própria casa, mas todos os dias você se pergunta se terá de partir novamente."
O Líbano sofreu o transbordamento mais letal da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã desde que o Hezbollah abriu uma frente em apoio a Teerã em 2 de março, desencadeando uma ofensiva israelense e uma incursão terrestre no sul do Líbano.
O cessar-fogo foi negociado pelos Estados Unidos e pelo Catar com ajuda do Irã.
Teerã tem insistido em um cessar-fogo no Líbano nas negociações para encerrar o conflito regional mais amplo, enquanto Israel reduziu a intensidade de seus ataques no Líbano a pedido de Washington.
Os ataques israelenses mataram mais de 4.300 pessoas no Líbano, segundo o Ministério da Saúde, que não faz distinção entre civis e combatentes.
Do lado israelense, pelo menos 36 pessoas, entre elas 32 soldados e quatro civis, morreram nos confrontos, segundo as autoridades israelenses.
