Israel fala em conclusão de 'fase inicial' de ofensiva após novos ataques no Irã e amplia incursão por terra contra o Hezbollah no Líbano

 

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As Forças Armadas de Israel deram início à 10ª onda de bombardeios contra o Irã nesta quarta-feira, anunciaram porta-vozes militares, após a confirmação de ataques noturnos contra centrais militares do regime iraniano. A nova leva de ataques aéreos acontece simultaneamente ao aprofundamento da incursão por terra de tropas israelenses contra o sul do Líbano, em posições controladas pelo grupo xiita Hezbollah, aliado do Irã no "Eixo da Resistência", que entrou na guerra com ataques retaliatórios à morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Observadores internacionais calculam que mais de mil pessoas já morreram no Irã desde o começo do atual conflito.

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O general israelense Effie Defrin, porta-voz militar, anunciou em um pronunciamento em vídeo que os ataques mais recentes contra a infraestrutura do regime iraniano concluíam a fase inicial da operação "Rugido do Leão" — como foi oficialmente batizada a ofensiva contra o Irã em Israel. Ataques iniciados durante a madrugada foram descritos como de "larga escala", contra alvos que incluem dezenas de sistemas de defesa antiaérea, arsenais de armas e ao menos uma plataforma de lançamentos de mísseis. Um caça iraniano também teria sido abatido entre a noite de terça e a madrugada desta quarta.

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— Hoje vamos completar as primeiras 100 horas da Operação 'Rugido do Leão', e assim a fase inicial da operação será concluída, uma etapa que incluiu a eliminação da maior parte da liderança do regime, a conquista da superioridade aérea nos céus do Irã e a desestabilização e danos a todos os sistemas centrais do regime — disse Defrin no comunicado oficial.

Apesar da retaliação massiva que já afetou mais de uma dezena de países, o Irã sofreu o maior dano até o momento. A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos EUA, mas que acompanha o cenário interno no Irã a partir de fontes locais, afirma que o número de mortos na nação persa ultrapassou os mil, enquanto os EUA anunciaram na terça-feira o afundamento de 17 navios da Marinha iraniana e o bombardeio de mais de 2 mil alvos desde o começo da ofensiva.

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Atta Kenare/AFP

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O extenso dano provocado e a anunciada conclusão da primeira fase da operação pelo lado israelense não são um sinal de que as hostilidades estão perto de acabar. Autoridades de EUA e Israel repetiram ao longo dos últimos dias que a operação ainda "deve demorar". Porta-vozes israelenses alertaram que as conquistas militares até o momento não eliminaram por completo a ameaça iraniana.

— Destruímos dezenas de lançadores de mísseis que representavam ameaças significativas à frente israelense — disse Defrin em uma coletiva de imprensa televisionada. — Continuaremos a atacar os lançadores de mísseis e a reduzir os disparos, mas o regime [iraniano] ainda possui uma capacidade significativa, e gostaria de lembrar que nossa defesa não é impenetrável.

Avanços no Líbano

O alto comando militar israelense também informou que uma nova onda de ataques contra o Líbano atingiu posições do Hezbollah em Beirute, à medida que uma ofensiva por terra avança pelo sul do país, onde o governo israelense anunciou a intensão de estabelecer uma zona de segurança entre os dois países, a fim de evitar ataques diretos do movimento xiita.

A imprensa estatal libanesa afirmou que tropas israelenses entraram na cidade de Khiam, localizada a cerca de 6 km da fronteira, enquanto novos bombardeios foram ouvidos em outras regiões do país. Um balanço preliminar divulgado pelo Ministério da Saúde do Líbano registro mortos e feridos em Baalbek (no leste) e em Aramoun e Saadiyat (ao sul de Beirute).

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O Exército israelense ordenou nesta quarta-feira a retirada imediata da população civil libanesa de toda a área ao sul do rio Litani — a cerca de 30 km da fronteira, região que Israel exige ficar livre da presença do Hezbollah desde a Guerra do Líbano, em 2006 —, afirmando que toda a área está sujeita a ataques.

O governo libanês, que não toma parte direta na ação militar — apesar de ter condenado os ataques lançados pelo Hezbollah e decretado o desarmamento do grupo —, afirma que o conflito já forçou o deslocamento de 65 mil pessoas.

O Hezbollah anunciou ter atacado com drones e mísseis um alvo ligado à indústria aeroespacial israelense, na região central do Estado judeu, e uma base militar no norte do país. O grupo, que é considerado uma organização terrorista por Israel e pelos EUA, justificou a ação como uma resposta aos ataques israelenses contra cidades e vilarejos libaneses. (Com AFP)