Israel diz que irá intensificar ataques contra 'elementos-chave' do regime iraniano
O governo de Israel afirmou nesta segunda-feira (2) que irá intensificar os ataques nas próximas horas e dias contra 'elementos-chave do regime iraniano'. A afirmação das Forças de Defesa de Israel acontece após o país avaliar que o Irã está tentando realizar bombardeios de mísseis balísticos maiores e mais coordenados contra o território israelense.
Segundo o Comando da Defesa Civil de Israel, os ataques com mísseis contra Israel no último dia consistiram em nove a 30 mísseis por vez, com longos intervalos entre cada lançamento. O Irã não lançou nenhum míssil balístico contra Israel durante a noite.
Isso contrasta com as salvas de dois a três projéteis, com intervalos mais curtos entre cada lançamento, durante o primeiro dia do conflito.
As Forças de Defesa de Israel acreditam que o Irã está tendo dificuldades para coordenar ataques ainda maiores, com dezenas de mísseis lançados simultaneamente, enquanto a Força Aérea Israelense busca localizar seus lançadores.
O Comando da Defesa Civil também confirma que o Irã lançou um míssil balístico com uma ogiva de bomba de fragmentação contra o centro de Israel na noite passada.
Ataques dos EUA atingiram instalações nucleares no Irã
Explosão no Irã após ataque dos EUA e de Israel.
ATTA KENARE / AFP
Os ataques dos Estados Unidos atingiram instalações nucleares do Irã, afirmou o embaixador iraniano junto à Agência Internacional de Energia Atômica em uma reunião de emergência na segunda-feira (2).
Ele afirmou que as instalações de Natanz foram atingidas no ataque.
A declaração surge no mesmo dia em que a agência disse não haver indícios de que as instalações nucleares do Irã tenham sido atingidas.
'Não temos indicação de que qualquer uma das instalações nucleares... tenha sido danificada ou atingida. Os esforços para contatar as autoridades reguladoras nucleares iranianas... continuam, sem resposta até o momento', disse o chefe da AIEA, Rafael Grossi, em um comunicado ao conselho.
Ainda na declaração, ele destacou preocupação com a situação e que não poderia ser possível descartar uma 'possível liberação radiológica com graves consequências, incluindo a necessidade de evacuar áreas tão grandes ou até maiores que grandes cidades'.
Em um comunicado divulgado nesta segunda-feira (2), a ONG Crescente Vermelho Iraniano informou que um total de 555 pessoas foram mortas em todo o Irã nos ataques conjuntos dos EUA e de Israel desde o início no sábado (28).
Ainda de acordo com o grupo, 131 cidades foram afetadas até o momento em diversas regiões do país. Os números não fazem distinção entre militares, líderes e civis.
Os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã já causam no mundo o temor de um conflito generalizado e impactam a economia global afetando os preços do petróleo e cancelando centenas de voos.
A ofensiva militar e os contra-ataques retaliatórios contra instalações americanas e israelenses provocaram interrupções imediatas na cadeia global de suprimento de energia.
O barril do petróleo tipo Brent, referência internacional, alcançou na abertura das bolsas asiáticas o valor de 78,34 dólares - uma alta de sete e meio por cento.
Investidores temem que o fornecimento de petróleo do Oriente Médio sofra uma redução drástica, ou até seja interrompido, especialmente devido às tensões no Estreito de Ormuz.
Ataques contra embarcações na região já limitam a capacidade de exportação de vários países.
As ofensivas com mísseis, por sua vez, deixam milhares de passageiros retidos em aeroportos do Oriente Médio.
Pelo menos 2,8 mil voos foram cancelados apenas nesse domingo (1) em diversos aeroportos do mundo.
O espaço aéreo foi fechado em países estratégicos como Israel, Catar, Síria, Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Omã e Emirados Árabes Unidos.
Aeroportos em Dubai, Abu Dhabi e Doha, fundamentais para conexões entre Europa, África e Ásia, foram diretamente afetados pelos ataques. Estima-se que pelo menos noventa mil pessoas façam conexões diárias nesses terminais.
Irã diz que não negociará com os EUA
Ataques dos EUA e de Israel contra Irã.
- / VARIOUS SOURCES / AFP
O chefe de segurança do Irã afirmou nesta madrugada que o país não negociará com os Estados Unidos.
A declaração contradiz o presidente Donald Trump, que antes havia dito que a nova liderança tinha interesse em retomar as negociações.
O segundo dia do conflito coordenado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã foi marcado por novos ataques e retaliações do governo iraniano, que reagiu à morte do líder supremo Ali Khamenei.
O Irã iniciou uma contraofensiva em larga escala por meio da Guarda Revolucionária Islâmica, com ataques a bases israelenses, próximas a Jerusalém, e em oito países da região.
Os Estados Unidos confirmaram a morte de três militares norte-americanos e cinco feridos graves durante as ofensivas do Irã.
O presidente Donald Trump disse que essas mortes serão vingadas. Ele determinou que o país persa deponha as armas.
Ao mesmo tempo em que afirmou que está disposto a reabrir as negociações com o Irã, Trump disse que a campanha militar no país vai continuar por ao menos quatro semanas.
Ele ainda afirmou que 48 líderes iranianos foram mortos. Entre as baixas do regime iraniano, está o ex-presidente do país Mahmoud Ahmadinejad.
O governo iraniano afirmou que 153 pessoas morreram após uma escola primária só de meninas ter sido atingida por mísseis nos ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Nesta segunda (2), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participa de reuniões em Israel para tratar do Irã.
A presidente do Poder Executivo da União Europeia, Ursula von der Leyen, convocou um encontro especial de atualização de segurança para discutir a situação.
Já o conselho de governadores da Agência Internacional de Energia Atômica, órgão de vigilância nuclear da ONU, realiza reunião de emergência para discutir os ataques. O encontro foi pedido pela Rússia.
