Israel desconhecia negociações avançadas entre EUA e Irã e se preparava para escalada
O governo de Israel desconhecia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava perto de fechar um acordo com o Irã e vinha se preparando para uma escalada nos confrontos.
As informações são de autoridades israelenses sobre condições de anonimato para a agência de notícias Reuters e a estação de rádio do país GLZ.
Segundo a própria Reuters e o site Axios, os governos dos Estados Unidos e do Irã estão finalizando um memorando curto de uma página para acabar com a guerra no Oriente Médio.
De acordo com a Axios, apesar da proximidade, os EUA ainda aguardam respostas iranianas para alguns pontos importantes em até dois dias.
Nada foi totalmente definido, porém, de acordo com site, esse é o momento mais próximo de um acordo desde o começo da guerra.
Algumas das definições do acordo estão o compromisso do Irã com uma moratória no enriquecimento nuclear, o acordo dos EUA em suspender as sanções e liberar bilhões em fundos iranianos congelados, e ambas as partes suspenderem as restrições ao trânsito pelo Estreito de Ormuz.
Apesar disso, esse memorando seria uma espécie de primeiro passo para um acordo final, o que abre margem para uma retomada de conflitos.
Mesmo com essa proximidade, autoridades americanas acreditam que uma possível fragmentação das lideranças do Irã podem gerar discordâncias sobre o aceite.
O memorando de entendimento possui uma página e 14 pontos está sendo negociado entre os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, e vários funcionários iranianos, tanto diretamente quanto por meio de mediadores.
O texto declararia o fim da guerra e o começo de um período de 30 dias de negociações sobre um acordo detalhado para abrir o estreito, limitar o programa nuclear do Irã e suspender as sanções americanas.
Junto disso, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que o país estava avaliando a proposta de paz de 14 pontos de Washington, informou a CNBC.
Irã afirma que passagem pelo Estreito de Ormuz está liberada após fim da operação dos EUA
Embarcação no Estreito de Ormuz.
PUNIT PARANJPE /AFP
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou em um comunicado nesta quarta-feira (6) que a passagem segura e estável pelo Estreito de Ormuz seria garantida após o que descreveu como a neutralização das 'ameaças de agressores' e a introdução de novos protocolos marítimos.
'Com as ameaças do agressor neutralizadas e os novos protocolos em vigor, a passagem segura e estável pelo Estreito de Ormuz será garantida', diz o texto.
A Guarda Revolucionária também agradeceu aos capitães e proprietários de navios que operam no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã por cumprirem as regulamentações iranianas do Estreito de Ormuz.
A notícia surge após o presidente Donald Trump anunciou a suspensão temporária da operação militar para destravar o trânsito de navios pelo Estreito de Ormuz.
O republicano tentou justificar o recuo, dizendo que um plano de paz definitivo com os representantes do Irã está próximo
Trump afirmou que a pausa é um 'gesto de boa vontade' para verificar se um acordo final com o Irã, mediado pelo Paquistão, pode ser assinado.
Nas redes sociais, o presidente americano declarou que houve 'grande progresso' nas conversas.
Antes de anunciar a trégua na escolta, Trump demonstrou otimismo sobre um possível acordo para o fim da guerra, mas acusou o Irã de fazer jogo duplo.
Com o fechamento do Estreito de Ormuz, os estoques globais de petróleo despencaram a um nível sem precedentes e são os mais baixos em 8 anos.
Abril registrou a maior queda já documentada para um único mês. Segundo uma agência internacional de inteligência de mercado, houve uma redução de 200 milhões de barris – o equivalente a mais de 6 milhões de barris por dia.
Até o início da guerra, 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passavam pelo Estreito de Ormuz.
Com a perspectiva de que o acordo de paz poderá ser assinado, o preço do petróleo hoje teve um leve recuo e está na casa dos 108 dólares o barril do tipo Brent, referência internacional.
