Israel bombardeia a Síria para ameaçar a Turquia? - QTU Questões do Universo

Israel bombardeia a Síria para ameaçar a Turquia?

Fonte: Bandeira da fonte

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Israel bombardeou uma base aérea na Síria, a 70 quilômetros da fronteira com a Turquia, em ação condenada pelos Estados Unidos.
Não foi o primeiro ataque ao território sírio neste ano, apesar de, em nenhum momento, o novo regime da Síria ter ameaçado ou atacado os israelenses.
Nenhum justificativa oficial foi dada pelo governo de Benjamin Netanyahu e tampouco houve reivindicação oficial para o bombardeio.
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Alvo é a Turquia – O ataque teve como alvo uma base da aeronáutica síria.
Um dos motivos especulados para o bombardeio seria impedir que o regime sírio volte a desenvolver sua força aérea, embora seja improvável que em algum momento possa representar uma ameaça a Israel.
Um outro motivo mais provável seria enviar uma mensagem para a Turquia, que é aliada do governo sírio de Ahmed al-Sharaa.
Turquia e o HTS – Aqui cabe explicar um pouco o contexto.
Ao longo da Guerra da Síria, a Turquia apoiou milícias anti-Assad como o grupo jihadista Hayet Tahrir al-Sham (HTS), liderado por Al-Sharaa.
A organização dominava a província de Idlib, na fronteira com a Turquia.
O governo turco de Recep Tayyip Erdogan usava essas milícias para combater tanto Assad quanto, acima de tudo, grupos armados curdos, inimigos históricos dos turcos, e também o grupo Estado Islâmico.
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Israel, Assad e o HTS – Israel sempre enxergou Bashar al-Assad como adversário, porque o antigo regime era aliado do Irã e do Hezbollah.
Ao mesmo tempo, mantinha cautela em relação a grupos como o HTS, apesar de algumas de suas ações ao longo do conflito na Síria terem beneficiado indiretamente a organização jihadista aliada da Turquia.
O objetivo, no entanto, sempre foi enfraquecer a aliança Assad-Irã-Hezbollah.
Vitória turca – Quando o HTS avançou e derrubou Assad, Al-Sharaa assumiu o poder em uma clara vitória geopolítica da Turquia, enquanto o Irã saiu derrotado — vale ressaltar que turcos e iranianos sempre mantiveram boa relação bilateral, apesar de estarem em lados opostos na Guerra da Síria e de Ancara integrar a Otan.
Israel foi beneficiado pela queda de um aliado de Teerã, mas seguia reticente com o HTS.
Colinas do Golã – Desde o primeiro dia da chegada do HTS ao poder, Israel manteve ataques à Síria e ampliou sua área de ocupação nas Colinas do Golã — o território sírio que, segundo a comunidade internacional, é ocupado ilegalmente pelos israelenses desde 1967 e acabou sendo anexado de forma ilegal anos depois.
Apenas os EUA, com Donald Trump, e a Colômbia, com Abelardo de la Espriella, reconhecem a anexação ilegal.
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EUA e Síria – O problema é que Trump acabou se aproximando de Al-Sharaa e retirou as sanções que haviam sido impostas durante regime de Assad.
Na visão dos EUA, o novo regime sírio é importante para a estabilidade na região, incluindo no Líbano.
Para Washington, os bombardeios israelenses apenas enfraquecem a Síria e isso pode até beneficiar indiretamente o Irã.
Por este motivo, o embaixador norte-americano Thomas Barrack, amigo do presidente dos EUA, condenou a ação em nome da administração Trump.
“O governo de Al-Sharaa não adotou uma postura predatória em relação a Israel.
Na verdade, (a Síria) repetidamente indicou sua preferência por desescalar suas relações com Israel”, disse o diplomata.
Israel versus Turquia – A imagem da Turquia em Israel está desgastada há algum tempo, apesar de os dois países manterem relações diplomáticas, militares e na área de inteligência.
Tanto Netanyahu quanto alguns líderes da oposição, incluindo Naftali Bennett, já afirmam que a “Turquia seria o novo Irã”.
A comparação é absurda.
A Turquia nunca ameaçou a existência de Israel, é uma nação com economia aberta, apesar da autocracia de Erdogan.
Mais importante, integra a Otan e é uma peça fundamental na estratégia geopolítica global dos EUA há décadas.