Israel anuncia suspensão da entrada de ajuda do Unicef proveniente do Egito para Gaza

 

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Israel anunciou nesta terça-feira (17) que suspendeu a entrada da ajuda transportada pelo Unicef destinada à Faixa de Gaza proveniente do Egito, após frustrar "uma tentativa de contrabando" dentro de carregamentos de ajuda humanitária coordenados por essa agência da ONU. O que o país diz ter encontrado é 'tabaco e nicotina'.

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Essa tentativa foi detectada nesta terça-feira na passagem de Kerem Shalom, entre Israel e Gaza, por onde transita e é inspecionada a ajuda que chega do Egito, segundo o Cogat, órgão do Ministério da Defesa responsável por assuntos civis nos territórios palestinos ocupados.

O Cogat anunciou, em um comunicado, a suspensão "após uma tentativa de contrabando de tabaco e nicotina em carregamentos de ajuda provenientes do Egito e coordenados pelo Unicef", agência das Nações Unidas para a infância.

Em outubro do ano passado, a Corte Internacional de Justiça (CIJ), o mais alto tribunal da ONU para julgar disputas entre Estados, determinou que Israel, sob o governo de Benjamin Netanyahu, permita e facilite a entrada na Faixa de Gaza de insumos básicos para a população local. Os juízes determinaram ainda que o país não use a fome como uma arma de guerra.

Naquele mês, o Unicef pediu a abertura de todas as passagens de ajuda alimentar para Gaza. O órgão destacava que as crianças do território eram um grupo especialmente vulnerável e afetadas pelos bloqueios.

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No final do mês passado, a Suprema Corte de Israel suspendeu a aplicação de uma medida do governo que forçaria o encerramento das operações de 37 organizações internacionais de ajuda humanitária na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, por se recusarem a cumprir com uma nova determinação que prevê a entrega de dados pessoais dos funcionários empregados em território palestino a instituições do Estado judeu. O governo israelense afirma que a medida responde a uma demanda de segurança, e cita que pretende impedir que indivíduos considerados terroristas se infiltrem nas organizações, que por sua vez apontam um temor de que as informações possam expor os funcionários no terreno — considerando o número de trabalhadores humanitários mortos desde o início da guerra em Gaza.

A decisão da instância máxima da justiça israelense atende a um pedido de liminar da ação interposta por 17 organizações humanitárias, incluindo Médicos Sem Fronteiras (MSF), Conselho Norueguês para Refugiados e Oxfam, que pedia uma medida imediata para impedir a expulsão de Gaza e Cisjordânia a partir de 1º de março, conforme anunciado pelo governo.

Israel tem feito ataques diários a ao menos três países da região, elevando a escalada de violência e envolvendo nações vizinhas. São alvos do governo e das tropas de Netanyahu: terristórios da Palestina, como Faixa de Gaza e Cisjordânia; Líbano, incluindo a capital Beirute; e Irã, que, como o diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos Estados Unidos, Joe Kent, disse, sofreu ataques pelo estado judeu e pelos EUA pela pressão de Israel.