Isabel Teixeira diz que Pilar viverá a sexualidade de forma livre e terá cenas quentes com José Loreto em ‘Quem ama cuida’: ‘Uma relação carnal’
Se na primeira fase de “Quem ama cuida” Pilar já acumulava motivos para ser uma das vilãs de novela mais odiadas dos últimos tempos pelo público, na segunda — que entra no ar nesta seguda-feira (6) — a personagem promete elevar a maldade a um novo patamar.
Isabel Teixeira brinca que, até o último capítulo, sua personagem terá cometido todos os sete pecados capitais.
Gula, soberba, ira, inveja e avareza já se manifestaram até aqui.
Agora, após a passagem de seis anos, é a vez da luxúria ganhar protagonismo — restando apenas a preguiça para completar a lista.
Mais loura, rica e poderosa, a predadora Pilar passa a viver sua sexualidade de forma explícita.
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— Esperei muito por essa transformação.
A libido da Pilar vem junto do dinheiro.
Na primeira fase, ela queria preencher um vazio.
Parecia uma draga, comia tudo o que via pela frente.
Ela não dividia a comida com ninguém, não oferecia, comia sozinha! Ali era a gula se manifestando! Talvez eu consiga gabaritar os sete pecados capitais com a Pilar — diverte-se Isabel, que concedeu duas longas entrevistas para esta reportagem de capa.
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Pilar (Isabel Teixeira) na novela "Quem ama cuida"
Manoella Mello/Rede Globo
Após a passagem de tempo, Pilar passa a circular ao lado do segurança Iuri (José Loreto).
Aos poucos, a relação entre os dois deixa de ser estritamente profissional: ele se torna seu amante e também cúmplice nas armações da vilã.
— É uma relação fogosa, carnal — adianta ela.
A atriz Isabel Teixeira interpreta a vilã Pilar na novela 'Quem ama cuida'
Marcos Sabah/Divulgação
Embora mantenha a essência cruel, traidora e falsa — como a dos crocodilos que brilham no vestido de sua intérprete neste ensaio exclusivo para a Canal Extra —, a megera revelará novas facetas a partir de agora.
— Surge uma nova Pilar.
A libido vai crescendo, e isso é algo que não existia antes.
Eu não defendo a personagem.
Ela tem uma amoralidade, um desvio ético.
Mas, por vias tortas, ela é sexualmente livre — analisa a paulistana.
Pilar (Isabel Teixeira) em 'Quem ama cuida'
Reprodução/ Rede Globo
Na visão da atriz, essa liberdade está diretamente ligada ao perfil psicológico da megera.
Pilar não cultiva tabus quando o assunto são seus desejos e, para Isabel, há uma explicação para isso.
— Ela tem um nível de narcisismo muito elevado — explica a atriz.
Maria Bruaca e Levi em Pantanal
TV Globo/Divulgação
O novo amante da personagem já foi seu genro em outra produção.
Em “Pantanal” (2022), Isabel interpretou Maria Bruaca, papel que a projetou nacionalmente.
Loreto viveu o peão Tadeu, que chegou a se envolver com a filha dela na trama.
— Lá a gente teve muita convivência.
Loreto é luz no set, ele é solar, tem muita energia.
E a gente já está azeitado — elogia.
Pilar (Isabel Teixeira) na novela 'Quem ama cuida'
Manoella Mello/Rede Globo
Aos 52 anos e solteira, Isabel acredita que a personagem despertará críticas por se envolver com um homem mais novo.
Ela cita o livro “O jovem”, da escritora francesa Annie Ernaux, que narra um relacionamento da autora com um parceiro com quase 30 anos a menos, quando ela tinha 54.
— Quando uma mulher madura namora um homem mais novo, existe um olhar de julgamento.
Acho que isso é cultural, mas está em vias de extinção.
Para mim, isso não é uma questão.
Não vou me esconder se tiver um namorado mais jovem.
Se for bom para mim, no meu profundo coração, vou viver plenamente essa história de amor.
Pilar (Isabel Teixeira) encara Otoniel (Tony Ramos) no apartamento de Adriana (Letícia Colin), em "Quem ama cuida"
Beatriz Damy/Rede Globo/Divulgação
Além da alegria do reencontro com Loreto, a artista celebra as cenas com quase todo o elenco de “Quem ama cuida”.
— A vilã do Walcyr (Carrasco, que escreve a novela com Cláudia Souto) circula por vários núcleos e causa fricções em muitos personagens.
Parece que estou num grande baile e posso dançar com todos.
Com cada ator é uma energia.
Vendo a novela em casa, como espectadora, chorei com a cena em que Pilar apanha da Silvana (Belize Pombal).
Tinha tanta coisa ali que não foi falada, mas nem precisou.
E ela ainda tirou o anel antes de bater na Pilar.
Foi um tapa clássico.
Ingrid (Agatha Moreira), Pilar (Isabel Teixeira), Brigitte (Tatá Werneck) e Mau Mau (João Victor Gonçalves) em "Quem ama cuida"
Manoella Mello/TV Globo/Divulgação
Isabel fala com entusiasmo de cada um dos atores com quem contracena, especialmente dos que vivem seus filhos: Brigitte (Tatá Werneck), Ingrid (Agatha Moreira) e Rafael (João Vitor Silva).
— Gravar com o elenco de “Quem ama cuida” é um parque de diversões.
Sabe aquele jogo de tênis em que a bola nunca cai? Eu me sinto um pouco assim.
Deu muito “match” entre mim e os atores que fazem meus filhos — destaca.
Isabel Teixeira com o filho, Diego
Reprodução/ Instagram
Na vida real, a atriz é mãe de Diego, de 22 anos, e Flora, de 15, frutos do casamento de 12 anos com o fotógrafo Roberto Setton.
— Eu sempre fui do teatro, e eles cresceram comigo trabalhando e viajando muito.
Também tenho uma editora artesanal de livros em casa, então eles estiveram ao meu lado nesse ambiente.
Sempre fui muito caxias, porque precisava pagar as contas.
Eu me considero uma trabalhadora.
Osmar (Milhem Cortaz) e Violeta (Isabel Teixeira) em ‘Volta por cima’
Rede Globo/Divulgação
Na televisão, Isabel não desacelerou desde “Amor de mãe” (2019/2021).
Após a novela, engatou um trabalho no outro: esteve em “Pantanal” (2022) e, na sequência, interpretou as malvadas Helena, em “Elas por elas” (2023), e Violeta, em “Volta por cima” (2024).
Agora, voltou a mergulhar no universo das antagonistas.
— Cada vilã foi exibida num horário diferente e todas tinham estruturas distintas.
Helena era uma filhinha de papai mimada, rica e obcecada pelo ex-marido.
Violeta foi criada numa família de contraventores.
Já na novela das nove, entra um outro registro de vilania.
Isabel Teixeira como Maria Bruaca em "Pantanal", Helena em "Elas por elas" e Violeta em "Volta por cima"
Globo/divulgação
Para a atriz, esse tipo de personagem precisa mesmo ser odiada e provocar reações intensas.
— Eu só penso na Perpétua (Joana Fomm em “Tieta”, 1989).
Eu não concordava com nada dela, mas era fascinada.
Ela era odiada nos mínimos detalhes.
A antagonista precisa canalizar o ódio nacional, virar uma catarse.
Vilã de novela é feita para ser xingada mesmo, para as pessoas falarem mal.
É uma válvula de escape das pessoas.
Eu leio os comentários e as mensagens que recebo: “Você é da pior espécie.
Te amo, parabéns”.
Já existe uma polarização na frase: odeiam a personagem e elogiam a atriz — analisa.
Ulisses (Alexandre Borges) e Pilar (Isabel Teixeira) na novela "Quem ama cuida"
Manoella Mello/Rede Globo
Isabel afirma que não vê problema em continuar interpretando mulheres cruéis.
— Às vezes, acho que as pessoas querem que eu mude de rosto (risos).
Isso não dá! Sou sempre eu vivendo essas personagens.
Isabel Teixeira
Marcus Sabah/Divulgação
A primeira conversa da atriz com a Canal aconteceu por telefone enquanto ela seguia para os Estúdios Globo, de manhã.
Já a segunda entrevista para esta reportagem foi concedida numa noite de sábado, de casa, após mais um dia de gravações.
Com uma rotina intensa, Isabel trabalha de segunda-feira a sábado e admite que, mesmo na folga de domingo, não consegue se desligar do ofício.
— Estou cansada, mas me sinto nutrida.
No meu único dia de folga, descanso e decoro texto — conta a atriz, que mantém uma rotina rigorosa e criou o que chama de “kit de disciplina” para atravessar os longos meses de gravação da trama das nove, prevista para terminar apenas em janeiro de 2027: — Eu me preparei muito para fazer essa novela.
A Amora (Mautner, diretora artística) me avisou que eu gravaria bastante.
Eu já vinha numa pegada bem intensa de trabalho.
Isabel Teixeira
extra/ rep instagram
Diariamente, Isabel acorda por volta das 5h30 e se exercita durante uma hora e meia, seis vezes por semana.
Quando sai de casa, às 9h, para os Estúdios Globo, ela já meditou, treinou, tomou café da manhã e resolveu questões domésticas.
Ela faz as próprias compras no supermercado e leva marmitas para as gravações.
— Tenho uma rotina muito, muito, muito regrada.
Quando fico cansada, bate um medinho, mas entro no meu circuito de comer e dormir bem.
Nessas horas, também gosto de ligar para o meu pai (o cantor e compositor Renato Teixeira, de 81 anos).
Hoje temos uma relação muito presente.
Pilar (Isabel Teixeira) na novela "Quem ama cuida"
Manoella Mello/Rede Globo
A disciplina ganhou importância na vida da atriz quando ela recebeu, em 2019, o diagnóstico da síndrome de Li-Fraumeni, condição genética rara que foi responsável pela morte de sua mãe, a atriz Alexandra Corrêa, em 2006.
A síndrome aumenta significativamente o risco de desenvolver diferentes tipos de câncer, e Isabel fala sobre o tema com naturalidade.
— A síndrome não é um problema, é uma condição — afirma ela, que mudou completamente seus hábitos ao descobrir que a prevenção é uma das principais aliadas de quem convive com a questão.
Por recomendação médica, passou por uma dupla mastectomia preventiva, diante do alto risco de desenvolver câncer de mama: — As escolhas que você faz impactam diretamente a saúde.
Eu já tinha parado de fumar e de beber.
Ainda não entrei na menopausa, mas estou chegando nessa fase e não poderia atravessá-la com um certo peso.
Para quem tem a síndrome, o excesso de gordura depois dos 50 anos é muito nocivo.
A atriz Isabel Teixeira
Flora Negri/Divulgação
Depois de usar roupas mais largas na primeira fase da novela, Pilar surgirá agora com a silhueta mais enxuta por conta do processo de emagrecimento da atriz.
— Vivemos num país gordofóbico, mas não estou pensando em estética.
Depois dos meus 40 e poucos anos, passei a me amar muito, do meu jeito.
O que fiz foi seguir os protocolos da síndrome.
Minha mãe morreu aos 56 anos.
Ao refletir sobre a pressão estética imposta às mulheres, Isabel lembra de Maria Bruaca, de “Pantanal”, como um exemplo de alguém que floresceu justamente quando encontrou sua própria força e passou a ser fiel a si mesma.
— Ela vivia isolada e não tinha uma referência opressora de beleza.
Para mim, o belo não é algo externo, é um sentimento.
Você vê muitas pessoas fora do chamado padrão que são lindas — afirma a paulistana, mostrando ser o oposto de Pilar: — Gosto do simples da vida.
Créditos:
Texto: Zean Bravo @zean.bravo
Edição: Camilla Mota
Fotos: Marcos Sabah @msabah
Produção de moda: Karen José @karenjoseserra
Styling: Anderson Rodriguez @andersonrodriguez
Beleza: Romulo Flores @romuloflores
