Isabel Fillardis volta à rua em que foi vizinha de Wagner Moura na infância e relembra parceria: 'Seguro e generoso'
Quando Wagner Moura cruzar o tapete vermelho rumo à cerimônia do Oscar, hoje, uma parte do subúrbio carioca estará com ele no Dolby Theatre, em Los Angeles, cidade na Califórnia onde escolheu morar. Antes, muitos anos antes de ser o ator indicado a uma estatueta por seu protagonista no filme “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, ele era o Waguinho, menino baiano que passou parte da infância no Rio.
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Numa dessas coincidências que mais parecem coisa de filme, Marechal Hermes, na Zona Norte da cidade, uniu dois atores. Wagner e Isabel Fillardis foram vizinhos. A convite da coluna, a atriz voltou ao bairro para “refazer” o caminho dos dois rumo ao estrelato.
“Nossa, não venho aqui há, sei lá, mais de 30 anos!”, diz uma Isabel surpresa ao descer do carro e caminhar até sua antiga casa, agora um salão de beleza: “Tinha um mercadinho e um açougue aqui do lado, uma janela que dava para a rua. Os quartos ficavam onde é hoje parte da academia. Mudou muito”.
Isabel Fillardis em frente à sua antiga casa, hoje um sação de beleza
Guito Moreto
Era na garagem de sua casa que aconteciam as festinhas e brincadeiras da turma da Rua Latife Luvizaro. Isabel, de 52, e Wagner, de 49, têm três anos de diferença, e ela já era uma “mocinha” quando ele chegou de Salvador.
“Estamos falando do final da década de 1970, início de 1980. Éramos pequenos ainda. Mas todo mundo se misturava lá em casa. Certamente, o Wagner esteve na garagem. Era lá que minha mãe fazia os aniversários, com aqueles bolos grandes da época, a criançada reunida em volta da mesa...”, detalha.
Isabel Fillardis e colegas de rua numa festa na famosa garagem dos Fillardi
Arquivo pessoal
Foi por conta do nome da rua que ela e Wagner se deram conta que tinham sido vizinhos na infância. A descoberta aconteceu quando os dois faziam a novela das sete “A lua me disse”, em 2005.
A gente estava no almoço, naquelas intermináveis horas de espera até gravar, e ele diz que morou no Rio quando era pequeno, em Marechal Hermes. ‘Isabel, era uma rua com nome difícil, Latife Luvizaro’. Ele lembrava! Eu falei: ‘Não, para, pode parar. Eu morei nessa rua!’. E rimos muito disso, porque ele se lembrava de coisas, mesmo sendo pequeno, e perguntei se já tinha estado nas festas da garagem. ‘Certamente’, ele disse”.
Isabel Fillardis antes e depois na sala de casa, hoje um salão
arquivo pessoal e Guito Moreto
O pai de Isabel e o de Wagner eram sargentos da Aeronáutica. E viveram no bairro, criado para dar base às famílias de oficiais do Exército, de passagem ou não, em plena ditadura militar. A mesma época retratada no longa que hoje concorre ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional, além das categorias de Melhor Ator e Direção de Elenco.
Isabel Fillardis volta à rua em que morou na infância em Marechal Hermes
Guito Moreto
“Olha, eu acho que os meus pais me blindaram bem. O meu pai devia ser um militar mais brando, não esse militar ortodoxo e, vamos dizer assim, de extrema-direita, tá? Meu pai sempre foi aquele militar que queria que a gente estudasse, que cobrava tabuada. Mas a minha mãe era a dona da casa, era quem fazia tudo”, diz Isabel, sobre Sônia, a mãe, em mais uma semelhança com a história do amigo baiano.
Wagner Moura na escola
rep/ instagram
Na família de Wagner, era Alderiva quem gerenciava os lares pelos quais passaram os Moura. O pai, José, assim como o de Isabel, exigia igualmente dos filhos o estudo. E quis o destino que os antigos vizinhos se encontrassem na mesma profissão quase três décadas depois.
“Ele é um colega extremamente espirituoso, generoso, engraçado, concentrado. E sempre foi muito seguro”, enumera Isabel, que lembra que o tal molho do baiano já existia naquela época:
Wagner Moura e Isabel Fillardis
rep/ instagram
“Estava escondido (risos). O personagem dele (em ‘A lua me disse’) era um cara mais tímido. Então, o molho já tava ali dentro. Porque essas coisas não são fabricadas. O borogodó estava lá”.
E Isabel aposta muito não só no molho, que arrebatou o mundo, mas no talento do amigo para levar a estatueta do Oscar. Em sua análise, o protagonista de “O agente secreto” é um dos personagens mais complexos que Wagner já fez.
Isabel Fillardis volta à rua em que morou na infância em Marechal Hermes
Guito Moreto
“Tudo depende, claro, de como cada julgador vai entender a carga dramática que tem esse personagem. Porque ele estava vivendo um drama terrível, procurado e ameaçado de morte o tempo inteiro. E tentando ver a família, resgatar o filho. Era um alvo ambulante. Mas, ao mesmo tempo, tem uma atuação contida, onde não há explosão, muito naturalista. De fato, eu posso dizer para você que fazer o que o Wagner fez é mais difícil do que fizeram alguns de seus concorrentes ao prêmio”, analisa a atriz, que torce não só pela estatueta, como para reencontrar o “vizinho secreto” em breve:
“Agora, toda vez que a gente se vê, ele diz para as pessoas em volta: ‘Sabia que ela foi minha vizinha?”.
Isabel Fillardis volta à rua em que morou na infância em Marechal Hermes e foi vizinha de Wagner Moura
Guito Moreto
Wagner Moura e o pai, sargento Moura
Arquivo pessoal
Isabel Fillardis e o pai, o sargento Valdemil
rep/ instagram
