Ironman: Polícia do Texas confirma identidade de vítima brasileira e indica causa preliminar da morte

 

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O gabinete do xerife do condado de Montgomery (MCSO), ligado à polícia do Texas, nos EUA, registrou oficialmente ao público que a brasileira Mara Flávia de Araújo, de 38 anos, foi a triatleta que morreu enquanto participava da prova, no último sábado. O corpo de Mara foi encontrado submerso no Lago Woodlands após uma operação de resgate que incluiu um barco com sonar e mergulhadores.

Em nota enviada à ABC News, o MCSO acrescentou que a autópsia do corpo da brasileira ainda precisa ser concluída, mas indicou uma causa preliminar para a morte.

"O Gabinete do Xerife do Condado de Montgomery (MCSO) confirma que Mara Flavia Souza Araujo, de 38 anos, brasileira, faleceu enquanto competia no evento Ironman em Woodlands, no sábado", diz o comunicado. "Investigações preliminares indicam que ela se afogou durante a etapa de natação da prova".

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Em 2017, um atleta identificado como Glen Bruemmer, de 54 anos, morreu durante a mesma competição, enquanto nadava no mesmo lago.

Voluntário relata 'pânico'

Um americano que atuou como voluntário na etapa de natação do Ironman Texas, neste sábado, relatou os momentos de tensão após a brasileira submergir. Pelo Facebook, Shawn McDonald disse que resolveu compartilhar detalhes do incidente para que a família da brasileira tivesse algum conforto ao saber que "pessoas que não a conheciam deram tudo de si para salvá-la".

McDonald e a filha Mila, de 12 anos, acordaram cedo para ir ao Woodlands e ficar de prontidão numa prancha de stand-up paddle ao longo da disputa. A ideia, segundo ele, era torcer por um amigo que competia pela primeira vez e mostrar à filha uma perspectiva diferente do evento, do qual o pai havia participado no ano passado.

Segundo McDonald, ele e a filha gravaram vídeos, cantaram o hino nacional e vibraram de emoção enquanto milhares de atletas começavam a entrar na água.

"Após a largada, remamos ao lado dos nadadores, oferecendo ajuda — ou uma prancha — a quem precisasse descansar um pouco. Então ouvimos um apito", contou. "Um grupo de voluntários mais jovens em um caiaque do outro lado do campo estava hasteando uma bandeira, soprando um apito e gritando por socorro. Dezenas de atletas estavam entre nós e eles. Eu podia ver nadadores agarrados ao caiaque. Ouvi dizerem que ela [Mara] havia afundado".

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O pai pediu que a filha lhe entregasse o remo e que os atletas ao seu redor parassem para que pudesse atravessar o lago. Chegou lá em cerca de trinta segundos e perguntou o que havia acontecido.

"Todos disseram a mesma coisa: ela afundou. Bem aqui. Bem abaixo de nós. O pânico e o medo em seus rostos não me abandonarão por muito tempo", relatou.

McDonald disse ter visto um senhor de cerca de 60 anos agarrado à lateral do caiaque, com "os olhos mais arregalados" que já viu num "olhar perdido". O homem, segundo ele, acabara de ver alguém "desaparecer sob seus pés".

"Mergulhei imediatamente e comecei a procurar. Outro jovem voluntário, possivelmente um salva-vidas, começou a mergulhar comigo. Depois de cerca de um minuto debaixo d'água, senti o corpo dela com o pé. Subi à superfície, respirei o que me pareceu a respiração mais profunda que já dei e voltei a mergulhar. Ela havia sumido. Não sei como descrever o que senti. Tentei de novo. E de novo. E de novo. Eu simplesmente sabia que a sentiria novamente e que conseguiria agarrá-la e puxá-la para cima. Perdi a conta de quantas vezes mergulhei na hora seguinte", disse McDonald.

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O homem compartilhou nas redes o registro de sua movimentação na água à procura de Mara Flávia. Quando o barco com sonar chegou ao local, o voluntário passou a mergulhar nos locais em que o equipamento identificava um "alvo".

"Nunca me passou pela cabeça que ela já tivesse falecido há muito tempo. Continuei procurando como se fosse puxá-la para cima viva. Olhando para trás, provavelmente estava correndo mais riscos do que deveria. Mas eu não conseguia parar", disse ele, que depois recebeu orientações de mergulhadores profissionais para sair da água.

O corpo foi recuperado pouco depois das 9h da manhã (horário local). McDonald pediu desculpas à família pelos esforços não terem sido "o suficiente" para salvar a brasileira.

"O nome dela era Mara e ela era do Brasil. Ela era o mundo inteiro de alguém. Para a família dela: fizemos tudo o que podíamos. Sinto muito, de verdade, que não tenha sido o suficiente. Ela ficará comigo. Que ela descanse em paz. Estarei orando por todos vocês e, por favor, façam o mesmo por nós", destacou.

'Exceção' para evento permitiu natação em lago do Texas

Nadar no Lago Woodlands, no estado americano do Texas, "normalmente" não é permitido, dada a "visibilidade zero" da água, mas pode ser autorizado como "exceção" para eventos especiais. Foi o que disseram autoridades à imprensa americana, incluindo a afiliada local da rede ABC.

Segundo as autoridades locais, várias embarcações foram utilizadas durante as buscas pela brasileira, incluindo uma equipada com um sonar de varredura lateral, instrumento que auxilia em condições de baixa visibilidade. Cerca de meia hora depois do acionamento do socorro, o sonar "detectou um alvo" a três metros de profundidade, que posteriormente foi identificado como a vítima.

"As autoridades explicaram que normalmente não é permitido nadar no Lago Woodlands devido à 'visibilidade zero' na água, com exceções para alguns eventos especiais. As autoridades disseram que havia um grande número de pessoas na água no momento do incidente, e que embarcações de apoio estavam próximas e puderam prestar auxílio rapidamente", detalhou a rede ABC13.

A prova é considerada uma das mais tradicionais do triatlo mundial e reúne atletas em um percurso de mais de 220 km dividido entre natação, ciclismo e corrida. De acordo com o portal oficial do evento, o tempo médio de finalização da prova é de 13h25min.

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O trajeto, conhecido por sua estrutura e grande presença de público, começa em uma área de mata da cidade de The Woodlands, na região metropolitana de Houston, com uma etapa de natação de cerca de 4 quilômetros. Os atletas largam em um parque da região, mergulham no lago de The Woodlands e seguem por um canal cercado por espectadores até a chegada em outro parque às margens do corpo d'água. O percurso é linear, com apenas um ponto de retorno, e ocorre em água doce com temperatura média em torno de 23 °C, permitindo o uso opcional de roupa de neoprene.

Mara Flávia Araújo tinha 38 anos

Reprodução/Instagram

Na sequência, os competidores enfrentam 180 quilômetros de ciclismo. O percurso passa por áreas de The Woodlands e segue até o norte do Condado de Harris, com dois circuitos na em uma estrada de terra. A maior parte da rota é fechada ao tráfego, com terreno plano e propício para altas velocidades, embora exposto ao vento e ao sol intenso.

A etapa final é uma maratona de 42,2 quilômetros ao redor do Lago Woodlands. Dividida em três voltas, a corrida é conhecida pelo forte apoio do público ao longo do percurso, com destaque para a área chamada Hippie Hollow, marcada por decoração colorida, luzes e apresentações. A chegada acontece na Waterway Avenue, área turística do município.

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A organização do evento confirmou a morte nas redes sociais e manifestou solidariedade à família e aos amigos. "Estamos tristes por confirmar a morte de uma participante da corrida durante a parte de natação do triatlo IRONMAN Texas de hoje. Enviamos as nossas mais sinceras condolências à família e amigos do atleta e vamos oferecer-lhes o nosso apoio à medida que passam por este momento tão difícil. Nosso agradecimento vai para os socorristas pela ajuda", diz a nota.

A irmã da atleta, Melissa Araújo, contou ao portal g1 que Mara competia em triatlos há cerca de uma década e já havia participado de outras edições do Ironman. Ainda não há informações sobre o sepultamento no Brasil.

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