Earl Spencer, irmão da princesa Diana, reafirmou à emissora inglesa BBC que está dizendo a verdade ao relatar uma conversa telefônica que teve com o então príncipe Charles nos dias posteriores à morte da irmã. Segundo Spencer, o telefonema ocorreu durante uma discussão sobre a participação dos príncipes William e Harry no cortejo fúnebre, quando ele questionou se os dois adolescentes deveriam caminhar atrás do caixão. O irmão de Diana afirma que, depois de uma reação irritada de Charles, ouviu dele: "vamos esquecê-la em breve". De alimentação a exercícios com instrutor brasileiro: Saiba como é a rotina de Antonela Roccuzzo, mulher de Lionel Messi O que é Metabolic Beauty? Entenda o conceito que vai além da aparência A conversa é descrita no novo livro de Spencer, "Swan Song: Diana, My Sister", que será publicado na próxima semana. Ao ser questionado pela apresentadora Laura Kuenssberg sobre a declaração do Palácio de Buckingham, que colocou em dúvida a forma como lembranças de acontecimentos antigos podem ser preservadas, Spencer manteve sua versão. — Posso dizer a você agora, essas são exatamente as palavras que ele disse — afirmou Spencer. O irmão de Diana também ressaltou que teve apenas duas conversas telefônicas com Charles em toda a vida e disse que, por isso, estava especialmente atento ao que era dito naquele momento. — Só tive duas conversas por telefone com o príncipe Charles em toda a minha vida. Eu estava hiperalerta ao que ele estava dizendo e essas são precisamente as palavras que ele disse, e prometo isso a você agora. Genuinamente, foi isso que ele disse. Não o ouço dizendo que não disse isso — afirmou. Palácio questiona lembranças de Spencer O Palácio de Buckingham contestou a versão apresentada por Spencer. Em uma manifestação, afirmou que o rei Charles está consciente de que o sofrimento provocado pelo luto pode afetar o julgamento e modificar lembranças ao longo dos anos. "Embora não comentemos livros por uma questão de princípio, Sua Majestade está ciente de que a dor pelo luto fraternal pode obscurecer a razão, afetar o julgamento e alterar as lembranças de maneiras que outras pessoas não reconhecem, mesmo muitos anos depois de uma perda semelhante", afirmou o palácio. A manifestação não apresentou uma versão alternativa detalhada para a conversa relatada por Spencer. Depois dela, o irmão de Diana foi questionado pela BBC sobre se possuía alguma prova adicional para sustentar o relato. Ele respondeu que havia contado o episódio a familiares e amigos na época porque considerou o que ouvira algo extremamente grave. Spencer também criticou a forma como o Palácio respondeu à declaração. Para ele, a instituição evitou contestar diretamente o conteúdo da lembrança. — Eles meio que deram uma disfarçada nisso, não deram? Disseram que as lembranças podem variar — afirmou. Quando Laura Kuenssberg perguntou em qual dos dois Charles o público deveria acreditar, Spencer respondeu: — Estou dizendo a verdade — disse Spencer. O Palácio de Buckingham decidiu não comentar essas novas declarações. Como teria sido a conversa sobre o funeral Em trechos do livro publicados pelo Daily Mail, Spencer afirma que o telefonema aconteceu depois que insistiu que Diana não gostaria que os filhos participassem do cortejo fúnebre atrás do caixão. Na entrevista, ele disse que Charles ficou muito irritado e passou parte da conversa falando sobre a necessidade de cumprir os deveres associados à família real. Spencer conta que esperou que, depois daquele momento, o então príncipe de Gales retomasse o controle e mudasse a forma de falar. Foi então, segundo sua lembrança, que Charles teria dito "vamos esquecê-la em breve", segundo Spencer. Ele afirma que ficou profundamente chocado. Segundo ele, ficou atordoado e não conseguiu compreender imediatamente o que acabara de ouvir. Depois de um período de silêncio, respondeu: — "Não acredito que você acabou de dizer isso". E desliguei o telefone — relata Spencer. Na cerimônia funerária, William e Harry, então com 15 e 12 anos, caminharam atrás do caixão da mãe. Eles estavam acompanhados por Charles e por Earl Spencer. A outra lembrança sobre a morte de Diana Em outro trecho de "Swan Song: Diana, My Sister", Spencer também relata como recebeu a notícia da morte da irmã. Ele estava em sua casa na Cidade do Cabo, na África do Sul, quando recebeu, durante a madrugada, um telefonema da irmã Jane informando sobre o acidente. Depois de outras ligações confirmarem a morte de Diana, Charles também telefonou para Spencer. O irmão da princesa afirma que percebeu uma diferença entre a reação do então príncipe de Gales e a das outras pessoas que haviam entrado em contato com ele. — Ao contrário dos meus outros interlocutores, que estavam chocados, mal conseguiam articular suas condolências e ofertas de ajuda, ele parecia euforicamente feliz, como um ganhador da loteria, lembro-me de ter pensado na época — escreveu Spencer. Spencer também afirma que Charles contou ter informado William e Harry sobre a morte da mãe naquela manhã, nos quartos deles em Balmoral. Diana e Charles antes e durante o casamento As memórias também tratam do relacionamento de Diana e Charles. Spencer afirma que um amigo da princesa contou a ele que, na véspera do casamento, em julho de 1981, Charles teria dito a Diana que estava muito feliz por se casar com ela, mas que não estava apaixonado. Spencer escreve que o relacionamento do casal se tornou "muito difíceis de fato" e afirma ter "certeza de que ambos os cônjuges se desesperaram um com o outro em alguns momentos". O livro ainda apresenta a avaliação de Spencer de que Diana tinha transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, o TDAH. Ele relaciona a irmã à chamada Disforia Sensível à Rejeição, que descreve como "dor emocional intensa diante da rejeição ou crítica de outras pessoas". Spencer também escreve que Diana teria considerado tirar a própria vida em mais de uma ocasião nos últimos anos de vida, mas afirma que o amor pelos filhos a impediu de levar essas intenções adiante. A morte da princesa William e Harry participaram do cortejo funerário de Diana após a morte da princesa, em 31 de agosto de 1997, em decorrência de um acidente de carro em Paris. Diana tinha 36 anos. Anos depois, Harry falou sobre a experiência de caminhar atrás do caixão da mãe quando tinha 12 anos. Ele afirmou que nenhuma criança "deveria ser obrigada a fazer" aquilo. Em entrevista à BBC em 2017, Harry também declarou que não "tinha uma opinião sobre se aquilo foi certo ou errado". Ao mesmo tempo, disse que, "olhando para trás", ficou feliz por ter participado daquele dia. A morte da princesa provocou forte reação pública no Reino Unido. Diana era uma figura de grande popularidade, e parte da população passou a criticar a família real por considerar que seus integrantes não demonstravam emoção e empatia suficientes diante da morte. Esse ambiente também marcou o funeral, no qual Earl Spencer fez um discurso emocional e crítico. As novas memórias voltam a abordar o período e apresentam a versão do irmão de Diana para conversas privadas com Charles.
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Irmão de Diana contesta resposta de Buckingham e reafirma que Charles disse 'vamos esquecê-la em breve' após a morte da princesa, em 1997
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O Globo
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