Irã segue aberto a negociar, mas tem dúvidas se os EUA estão 'falando sério', diz ministro iraniano

 

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou nesta sexta-feira (15) que Teerã permanece aberta a negociações caso Washington demonstre seriedade, mas acrescentou que o Irã não confia nos Estados Unidos após tentativas diplomáticas anteriores.

'Só estamos interessados ​​em negociar se a outra parte estiver falando sério. Não confiamos nos americanos. Estamos tentando manter o cessar-fogo para dar uma chance à diplomacia', declarou.

As declarações de Araghchi surgiram após a cúpula dos ministros das Relações Exteriores do BRICS, onde ele também acusou Washington de enviar mensagens contraditórias que complicam a diplomacia.

Nessa quinta-feira (14), o ministro fez um pedido para que as nações do BRICS condem o que ele chamou de violações do direito internacional pelos Estados Unidos e por Israel, enquanto diplomatas se reuniam para negociações em Nova Déli, na Índia.

Araghchi afirmou que o Irã era 'vítima de expansionismo ilegal e belicism'o'. Ele pediu ao grupo BRICS+ - composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos - que resistisse à 'hegemonia ocidental e à sensação de impunidade que os EUA acreditam ter direito'.

'Portanto, o Irã apela aos Estados membros do BRICS e a todos os membros responsáveis ​​da comunidade internacional para que condenem explicitamente as violações do direito internacional pelos Estados Unidos e por Israel', declarou ele.

Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã.

Divulgação

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, ainda acusou os Emirados Árabes Unidos de envolvimento direto em operações militares contra seu país durante uma reunião do BRICS em Nova Déli, na Índia, nesta quinta-feira (14).

A informação foi divulgada pela agência de notícias iraniana Mehr, destacando que houve um bate boca entre ele e o ministro árabe, Abdullah bin Zayed Al Nahyan.

'Não mencionei os Emirados Árabes Unidos na minha declaração por uma questão de unidade. Mas a verdade é que os Emirados Árabes Unidos estiveram diretamente envolvidos na agressão contra o meu país. Quando os ataques começaram, eles nem sequer emitiram uma condenação', disse Araghchi, segundo a agência, em resposta aos comentários feitos pelo representante dos Emirados.

Araghchi fez um alerta firme a Abu Dhabi de que 'sua aliança com os israelenses também não os protegeu', afirmando para país repensar sua abordagem em relação ao Irã.

'Os Emirados Árabes Unidos são um parceiro ativo nessa agressão, e não há dúvida disso', completou.

A notícia surge no dia em que o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou ter feito uma viagem secreta aos Emirados Árabes Unidos no auge do conflito com o Irã, fortalecendo as relações com o país do Golfo, que vinha sendo alvo de ataques por parte de Teerã.

O gabinete do primeiro-ministro israelense afirmou que uma reunião secreta com o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Sheikh Mohammed bin Zayed Al Nahyan, levou a 'um avanço histórico nas relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos'.

Além disso, segundo a imprensa israelense, o chefe do Mossad, serviço secreto de Israel, Dedi Barnea, também fez pelo menos duas visitas durante a guerra para coordenar ações militares.

Só que o Ministério das Relações Exteriores dos Emirados Árabes Unidos negou que o encontro tenha ocorrido, afirmando que as relações com Israel 'são públicas' e 'não se baseiam em acordos não transparentes ou extraoficiais'.