Irã rejeita negociações, diz estar focado na defesa e que está lutando contra 'o diabo'
O Irã defendeu nesta terça-feira (3) que está focada na 'defesa' após diversas tentativas de negociações com os Estados Unidos e voltou a rejeitar uma nova rodada de conversas com o governo Trump.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, comentou que a 'desgraça eterna recairá sobre aqueles que alegaram buscar a diplomacia, mas, diante da lógica do Irã, cederam e optaram pela via militar'.
Sobre o aumento das tensões com os países vizinhos através de ataques à sua infraestrutura energética, ele apenas enfatizou que Teerã se considera 'comprometida com os princípios humanitários'.
'O regime sionista não hesita em cometer nenhum ato de maldade. Peço aos meus amigos árabes que reflitam cuidadosamente. O regime não hesita em expandir o alcance da guerra, difamar a reputação do Irã e cometer crimes em outros países', segue ele.
Baghaei também afirmou que 'o Irã é atualmente a única força restante que se opõe ao mal', se referindo aos EUA como 'o diabo'.
Os Estados Unidos orientaram os americanos que estão em 14 países da região do Oriente Médio e de locais próximos a 'deixarem seus países imediatamente por meios comerciais devido a sérios riscos à segurança'.
A declaração foi feita por Mora Namdar, subsecretária de Estado dos EUA, em uma publicação nas redes sociais. Entre os países citados estão:
Bahrein
Egito
Irã
Iraque
Israel e Gaza
Jordânia
Kuwait
Líbano
Omã
Catar
Arábia Saudita
Síria
Emirados Árabes Unidos
Iêmen
Além disso, os EUA ordenaram nesta terça-feira (3) que os funcionários governamentais não essenciais deixem ao menos seis países do Oriente Médio após os ataques iranianos e do Hezbollah a embaixadas americanas na região.
Funcionários na Jordânia, Bahrein, Iraque, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos foram orientados pelo Departamento de Estado dos EUA a deixarem seus países com suas famílias 'devido a riscos à segurança'.
Destruição no Irã após ataques dos EUA e de Israel.
AFP
A embaixada dos EUA em Riade, na Arábia Saudita, após ter sido atingida por drones.
AFP
Isso ocorre após ataques contra embaixadas americanas na Arábia Saudita e no Kuwait, com outras embaixadas dos EUA emitindo alertas para que as pessoas permaneçam em casa.
No quarto dia de conflitos no Oriente Médio, pelo menos nove países da região já foram alvo de resposta do Irã aos ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel. A embaixada dos EUA em Riad, na Arábia Saudita, foi atingida por dois drones nesta terça-feira (3).
O local estava vazio e não houve mortos ou feridos, conforme a representação americana. Em comunicado, a embaixada pediu para que os cidadãos americanos no país busquem abrigo. As explosões ocorrem no momento em que o Irã intensifica a campanha contra os países do Golfo.
Diversos drones têm sido lançados por Teerã contra alvos no Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, muitos deles em direção a bases americanas. No Iraque, um ataque feito também com drones teve como alvo uma base militar dos Estados Unidos nas proximidades do aeroporto de Erbil. No Kuwait, a embaixada americana foi fechada por tempo indeterminado.
Ao ser perguntado sobre uma possível retaliação, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a resposta ocorrerá em breve.
Pelo exército de Israel, houve também um ataque simultâneo contra Teherã e Beirute. A força aérea israelense atingiu alvos militares iranianos e do grupo terrorista Hezbollah.
Israel anuncia ataques ao 'complexo de liderança' do Irã, atingindo gabinete presidencial
Presidente do Irã, Massoud Pezeshkian.
Divulgação
As Forças de Defesa de Israel anunciaram nesta terça-feira (3) que atacaram nas últimas horas, através da Força Aérea, o 'complexo de liderança' do Irã em Teerã, capital do país. Cerca de 100 caças lançaram mais de 250 bombas sobre o complexo.
Os edifícios visados no complexo incluíam o gabinete presidencial do Irã, a sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, um complexo usado pelo 'fórum mais importante' do Irã para reuniões, bem como uma 'instituição para treinamento de oficiais do exército iraniano', de acordo com as Forças de Defesa de Israel.
'O complexo de liderança do regime terrorista é um dos ativos mais seguros do Irã e se estende por várias ruas no coração de Teerã', diz o exército, descrevendo como o 'quartel-general mais importante e central do regime terrorista iraniano'.
'A liderança e os responsáveis pela segurança do regime terrorista reuniam-se frequentemente no complexo e, a partir dali, realizavam, entre outras coisas, avaliações da situação relativa ao programa nuclear iraniano e ao avanço do plano para destruir o Estado de Israel', segue a nota oficial.
Em outro bombardeio, Israel anunciou que concluiu uma série de ataques aéreos contra alvos militares do Hezbollah em Beirute, no Líbano.
Segundo nota oficial, os ataques atingiram depósitos de armas, centros de comando e equipamentos de 'comunicações via satélite' pertencentes à divisão de inteligência do Hezbollah.
'Foram atingidos locais de comunicação usados pela organização terrorista Hezbollah como infraestrutura para o terrorismo, os quais a organização utilizava para realizar atividades terroristas, coletar informações e também para fins de propaganda', afirmaram as Forças de Defesa de Israel.
A mídia libanesa noticiou que os estúdios do canal de notícias Al-Manar, pertencente ao Hezbollah, foram alvejados.
Antes dos ataques, as Forças de Defesa de Israel emitiram alertas de evacuação, 'para mitigar os danos aos civis', segundo o comunicado.
'Todos os alvos atacados eram alvos terroristas destinados a serem usados pela organização terrorista para promover e executar diversos planos terroristas contra as forças das Forças de Defesa de Israel e cidadãos do Estado de Israel'.
