Irã quer responsabilizar judicialmente EUA e Israel por assassinatos de líderes, afirma porta-voz
O Irã quer responsabilizar os Estados Unidos e Israel pelo assassinato de seus líderes, declarou nesta quinta-feira (16) o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ismail Baghaei, à agência de notícias russa Ria Novosti.
'Precisamos fazer isso. E acredito que não é apenas o Irã , mas toda a comunidade internacional que está exigindo que os responsáveis sejam responsabilizados', disse.
Desde o início da guerra, Israel e EUA assassinou diversas figuras poderosas no Irã, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo, e Ali Larijani, um alto funcionário da segurança nacional.
O Irã e os Estados Unidos fizeram alguns progressos nos últimos dias à medida que se aproxima a contagem regressiva para o fim do cessar-fogo de duas semanas, em 22 de abril, disse um alto funcionário iraniano para a agência de notícias Reuters.
Fumaça após ataque contra o Irã na guerra do Oriente Médio.
AFP
Mas o funcionário afirmou que ainda existem grandes divergências, inclusive sobre as ambições nucleares de Teerã.
'A viagem do chefe do exército paquistanês a Teerã foi eficaz na redução das divergências em algumas áreas, mas ainda persistem desacordos fundamentais, especialmente no campo nuclear. Surgiram novas esperanças de prorrogação do cessar-fogo e de realização de uma segunda rodada de negociações', disse.
'O destino do urânio altamente enriquecido do Irã e a duração das restrições nucleares iranianas estão entre as questões altamente controversas para as quais ainda não foi encontrada nenhuma solução'.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, elogiou nessa quarta-feira (15) o Paquistão por seu papel nas negociações e disse que as conversas com o Irã foram 'produtivas', acrescentando que provavelmente ocorrerão novamente em Islamabad.
As divergências entre os dois lados sobre as ambições nucleares do Irã giram em torno do fato de os EUA não quererem que Teerã enriqueça seu próprio urânio por 20 anos, de acordo com um funcionário regional citado pela Associated Press.
Teerã quer o direito ao enriquecimento de urânio, pelo menos em algum nível, e oferece, em vez disso, uma suspensão por cinco anos.
O Irã afirma que seu programa nuclear se destina a uso civil, apesar das alegações de Trump de que Teerã deseja construir uma arma nuclear.
Quase metade do urânio enriquecido do Irã, com pureza de até 60%, estava armazenado em um complexo de túneis em Isfahan e provavelmente ainda está lá, afirmou recentemente Rafael Grossi, chefe da agência nuclear da ONU.
