Irã promete vingança pela morte de Khamenei; Trump reage e ameaça resposta 'nunca vista'
O governo do Irã endureceu o discurso neste domingo após a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. Autoridades do país prometeram retaliar e falaram em uma resposta militar de grande escala.
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O chefe de segurança iraniano, Ali Larijani, afirmou que novos ataques estão sendo preparados. Em uma publicação na rede X, ele declarou que o país atingirá Estados Unidos e Israel com uma força inédita.
“Ontem, o Irã lançou mísseis contra os Estados Unidos e Israel, e eles causaram danos. Hoje, nós os atingiremos com uma força que eles nunca experimentaram antes”, escreveu.
TV estatal Iraniana mostra destruição após ataque dos EUA e Israel
Na mesma linha, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que retaliar pela morte de Khamenei é uma obrigação do país. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, ele disse que a resposta faz parte do que classificou como um direito legítimo da República Islâmica.
“A República Islâmica do Irã considera seu dever e direito legítimo vingar os perpetradores e mentores deste crime histórico”, afirmou.
A reação veio rapidamente de Washington. Em uma mensagem publicada neste domingo em sua rede social, a Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu o Irã contra novos ataques e prometeu uma resposta ainda mais dura.
“O Irã acaba de declarar que vai atacar com muita força hoje, mais forte do que jamais atacou antes. É melhor que não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca vista antes”, escreveu. “Obrigado pela atenção! Presidente Donald J. Trump.”
Captura de tela da publicação de Trump
Reprodução/Truth
Protestos e ataques a representações americanas
A escalada de declarações ocorre enquanto manifestações se espalham em diferentes países após a morte de Khamenei. No Paquistão, ao menos duas pessoas morreram durante um protesto diante do consulado dos Estados Unidos em Karachi.
Centenas de manifestantes tentaram invadir o prédio e foram dispersados com gás lacrimogêneo. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram jovens quebrando janelas do edifício enquanto a bandeira americana tremulava sobre o complexo.
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Em uma gravação, um manifestante afirma que o grupo tentava incendiar o consulado em resposta à morte do líder iraniano. Equipes de resgate disseram à AFP que os corpos das vítimas foram levados a hospitais após os confrontos. Protestos também foram registrados em Lahore.
No Iraque, centenas de pessoas se reuniram nas proximidades da Zona Verde de Bagdá, área fortemente protegida que abriga prédios do governo e a embaixada dos Estados Unidos. Jornalistas da AFP relataram forte presença de segurança enquanto manifestantes tentavam avançar em direção ao complexo diplomático.
Alguns participantes lançaram pedras contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo. Um manifestante que se identificou como Ali disse à AFP que a morte de Khamenei “feriu” muitos na região e que o protesto exigia a retirada das tropas americanas do Iraque.
Ataques que desencadearam a crise
A mídia estatal iraniana confirmou no sábado a morte de Khamenei após ataques realizados contra alvos no país. O governo anunciou um período de luto nacional de 40 dias.
Horas antes, Trump já havia afirmado que o líder iraniano estava morto e classificou o episódio como uma oportunidade para que o povo do país “recupere seu país”.
Segundo veículos iranianos, a filha, o genro e uma neta do líder também morreram nos bombardeios. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que havia “fortes indícios” da morte de Khamenei após um ataque contra um complexo em Teerã.
A ofensiva atingiu diferentes pontos do país e provocou explosões na capital iraniana. Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel, enquanto diversos países da região fecharam seus espaços aéreos e emitiram alertas de segurança.
A escalada militar e o aumento da tensão diplomática levantam temores de que o conflito possa se ampliar nos próximos dias.
