Irã promete 'resposta decisiva' a tentativas de desestabilização em meio a protestos após incentivo do Mossad

 

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O procurador-geral do Irã afirmou nesta quarta-feira que qualquer tentativa de desestabilização do país, em meio aos protestos massivos que tomaram conta da nação persa, será alvo de com uma "resposta decisiva". A declaração ocorreu após serviço de inteligência de Israel, Mossad, emitir uma mensagem de apoio aos manifestantes, sugerindo que estariam "em solo", ao lado dos iranianos.

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— Protestos pacíficos por subsistência fazem parte de realidades sociais e são compreensíveis — disse Mohammad Movahedi-Azad à mídia estatal. — Qualquer tentativa de transformar protestos econômicos em uma ferramenta de insegurança, destruição de patrimônio público ou implementação de cenários projetados externamente será inevitavelmente recebida com uma resposta legal, proporcional e decisiva.

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Protestos estouraram ao redor do país desde o fim de semana, centrados na deterioração das condições de vida e na complexa crise econômica do país. As manifestações foram puxados por comerciantes de Teerã, uma classe social influente na sociedade iraniana, aos quais se juntaram estudantes de ao menos 10 universidades.

As ruas de Teerã amanheceram calmas nesta quarta-feira — uma mudança em relação ao tráfego habitualmente caótico e sufocante — após as autoridades terem anunciado um feriado bancário com apenas um dia de antecedência. A maior altercação foi registrada em Fasa, localizada 780 km ao sul da capital, onde várias pessoas atacaram e danificaram o escritório do governador, segundo autoridades citadas pela agência Mizan.

"Parte da porta e do vidro do escritório do governador foram destruídos em um ataque realizado por um grupo de pessoas", disse Hamed Ostovar, chefe do judiciário da cidade de Fasa, citado pela agência, sem especificar como o ataque foi realizado.

Manifestantes em protesto contra a deterioração das condições econômicas no Irã, em Teerã

FARS NEWS AGENCY / AFP

O regime iraniano acompanha com atenção os desdobramentos dos protestos, com um histórico de repressão dura contra inquietações sociais anteriores — como em 2022, após o assassinato da jovem Mahsa Amini, e em 2019, em meio a uma crise relacionada ao preço dos combustíveis —, sobretudo ao final de um ano particularmente duro para o governo.

A pressão interna vem após o país se envolver em um conflito direto com Israel, sendo duramente atacado por dias a fio, e sofrer danos pesados em seu programa nuclear, com bombardeios dos EUA castigando algumas de suas principais instalações.

É nesse contexto que as declarações do Mossad foram recebidas com particular atenção por Teerã. Em uma publicação na conta em língua farsi no X, a agência de espionagem encorajou os iranianos a "saírem às ruas juntos", em um aceno à uma possível interferência.

"Vamos às ruas juntos. O tempo chegou. Nós estamos com vocês", diz a publicação. (Com AFP)