Irã promete combustível e assistência médica a navios presos no Golfo Pérsico em meio a relatos de fome e abandono

 

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O Irã afirmou que oferecerá combustível, atendimento médico e assistência técnica aos navios retidos em suas águas territoriais, em meio ao agravamento da crise humanitária enfrentada por cerca de 20 mil marinheiros presos no Golfo Pérsico, segundo autoridades iranianas. Enquanto tripulações relatam falta de comida, água e combustível, sindicatos internacionais recebem diariamente pedidos de socorro de trabalhadores que tentam deixar a região desde o fechamento do Estreito de Ormuz.

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Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, Teerã declarou ter controle sobre a passagem marítima. O país passou a atacar embarcações comerciais na região, especialmente aquelas que, segundo o governo iraniano, tentam deixar a área sem autorização.

De acordo com o secretário-geral da Organização Marítima Internacional (OMI), Arsenio Domínguez, cerca de 1.500 embarcações seguem “presas” no Golfo por causa do bloqueio iraniano no Estreito de Ormuz.

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Enquanto o impasse se prolonga às vésperas da décima semana de crise, aumentam os relatos de abandono de tripulações e atrasos salariais. Em alguns casos, marinheiros afirmam estar há meses sem receber pagamento.

Todas as manhãs, o representante sindical Mohamed Arrachedi desperta com dezenas de mensagens e chamadas de socorro vindas de navios presos na região. Como coordenador regional da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes (ITF), ele se tornou uma das principais referências para tripulações que tentam conseguir ajuda humanitária ou assistência básica.

— Recebo diariamente, às vezes, 60 ou 70 mensagens no WhatsApp — ele conta.

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Segundo Arrachedi, os pedidos mudaram de perfil ao longo das últimas semanas. Se no início da guerra predominavam solicitações de repatriação, agora os relatos são de fome, falta de água, escassez de medicamentos, combustível e abandono.

— Restam apenas dois ou três dias. Depois disso, não haverá mais comida na embarcação — relata o sindicalista sobre uma das conversas mantidas com um marinheiro preso no Golfo Pérsico.

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Arrachedi afirma que muitos pedidos de ajuda chegam acompanhados de vídeos e fotos de explosões próximas às embarcações. Segundo ele, sua equipe já recebeu mais de 2 mil pedidos de ajuda desde o início da crise e realizou mais de 500 repatriações. Em alguns casos, porém, a situação é agravada pela falta de transparência envolvendo os proprietários dos navios.

— O capitão está há 12 meses sem receber salário. Ele está realmente preocupado em ser repatriado antes de conseguir receber o que lhe devem — afirma.

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O representante sindical também conta que já presenciou casos em que marinheiros foram deixados sem comida como forma de pressão para abrirem mão de salários atrasados.

— Não há absolutamente nenhum precedente para o que está acontecendo agora — destaca.

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Arrachedi ressalta que muitos tripulantes têm medo de não conseguir sair vivos da região.

— “Vocês são nossa única esperança. Queremos voltar para casa. Não queremos morrer aqui”, repetem para mim o tempo todo — relata.

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Em resposta às críticas e ao aumento da pressão internacional, a Organização de Portos e Marítima de Teerã informou que passará a transmitir mensagens três vezes ao dia incentivando os navios em águas iranianas a procurarem portos do país caso precisem de reparos emergenciais, combustível ou assistência humanitária para as tripulações.