Irã nomeia aiatolá para conselho interino que decidirá sucessor de Khamenei

 

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O Irã começou a reorganizar sua estrutura de poder após a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, confirmada pela mídia estatal no sábado depois de ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no país. Neste domingo, o clérigo Alireza Arafi foi nomeado para integrar o conselho temporário que assumirá as funções da liderança até que um sucessor seja escolhido.

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Arafi, de 67 anos, é membro do Conselho dos Guardiães — órgão influente que supervisiona leis e participa do processo de escolha do líder supremo. Sua indicação para o conselho provisório foi confirmada pelo Conselho de Discernimento do Interesse do Momento, uma instância de arbitragem com forte peso político.

Pela legislação iraniana, um colegiado de três integrantes passa a exercer as atribuições do líder supremo até que a Assembleia de Peritos escolha o sucessor definitivo. Além de Arafi, o grupo será formado pelo presidente do país, Masoud Pezeshkian, e pelo chefe do Judiciário, o clérigo conservador Gholam-Hossein Mohseni-Ejei.

O colegiado, que também inclui o presidente Masoud Pezeshkian e o chefe do Judiciário, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, ficará responsável por conduzir o país até que a Assembleia de Peritos escolha “o mais rápido possível” um novo líder supremo.

A expectativa é que a Guarda Revolucionária Islâmica também tenha papel central na condução do país neste período de transição. O equilíbrio de poder, no entanto, ainda é incerto, especialmente após novas perdas entre os principais nomes da estrutura militar.

Escalada de tensão após ataques

A reorganização ocorre em meio a um clima de forte tensão no Oriente Médio. Autoridades iranianas elevaram o tom contra Washington e Tel Aviv após a morte de Khamenei.

O chefe de segurança do país, Ali Larijani, afirmou que novos ataques estão sendo preparados. Em uma mensagem publicada na rede X, ele declarou que o Irã pretende atingir Estados Unidos e Israel com uma força sem precedentes.

“Ontem, o Irã lançou mísseis contra os Estados Unidos e Israel, e eles causaram danos. Hoje, nós os atingiremos com uma força que eles nunca experimentaram antes”, escreveu.

O presidente Masoud Pezeshkian também prometeu retaliar. Em comunicado divulgado pela televisão estatal, ele afirmou que responder aos ataques é um direito do país.

“A República Islâmica do Irã considera seu dever e direito legítimo vingar os perpetradores e mentores deste crime histórico”, declarou.

A reação veio rapidamente de Washington. Em mensagem publicada na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu Teerã contra novos ataques.

“O Irã acaba de declarar que vai atacar com muita força hoje, mais forte do que jamais atacou antes. É melhor que não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca vista antes”, escreveu.

Destruição em Teerã após ataques de Israel e dos EUA

Operação militar e reação internacional

A morte de Khamenei foi confirmada horas depois de Trump anunciar o resultado da operação. Segundo autoridades americanas e israelenses, os ataques tiveram como objetivo neutralizar ameaças consideradas iminentes e atingir estruturas militares e nucleares iranianas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que havia “fortes indícios” de que o líder iraniano havia sido morto após um ataque contra um complexo em Teerã. Segundo ele, comandantes da Guarda Revolucionária e autoridades do regime também foram atingidos.

A mídia iraniana afirmou ainda que a filha, o genro e uma neta do líder morreram nos bombardeios.

Explosões foram registradas na capital iraniana, e colunas de fumaça foram vistas na região onde fica a residência oficial do líder supremo. Jornalistas da AFP relataram ter ouvido múltiplas detonações, enquanto ambulâncias eram enviadas para diferentes áreas da cidade.

Protestos e clima de instabilidade

A crise desencadeou manifestações em diferentes países. No Paquistão, ao menos duas pessoas morreram durante um protesto diante do consulado dos Estados Unidos em Karachi, onde manifestantes tentaram invadir o prédio e foram dispersados com gás lacrimogêneo.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram jovens quebrando janelas do edifício e tentando iniciar um incêndio. Protestos também foram registrados na cidade de Lahore.

No Iraque, centenas de pessoas se reuniram nas proximidades da Zona Verde, em Bagdá, área que abriga a embaixada americana e prédios do governo. Manifestantes lançaram pedras contra forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo.

Um jovem que se identificou como Ali disse à AFP que a morte de Khamenei “feriu” muitos na região e que o protesto também pedia a retirada das tropas americanas do país.

Transição incerta

Enquanto o Irã declara luto oficial de 40 dias pela morte de seu principal líder político-religioso, a sucessão permanece indefinida. A Assembleia de Peritos deverá decidir quem ocupará permanentemente o cargo.

Nos bastidores, analistas apontam que o papel da Guarda Revolucionária e das lideranças religiosas será decisivo para determinar os rumos políticos e militares do país nas próximas semanas.