Irã não vai se render aos EUA nem a Israel, diz presidente; Trump promete ampliar ofensiva para atingir novos alvos
O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, disse neste sábado que seu país não se renderá aos Estados Unidos ou a Israel, quando caças israelenses bombardearam um dos dois aeroportos de Teerã e provocaram um incêndio. No oitavo dia de conflito no Oriente Médio, Pezeshkian adotou um tom desafiador em relação ao homólogo americano, Donald Trump, que, além de exigir na sexta-feira a “rendição incondicional” de Teerã para pôr fim à guerra, afirmou que os EUA podem atacar o país “muito duramente”.
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— Os inimigos levarão ao caixão o seu desejo de que o povo iraniano se renda — disse em um discurso transmitido na televisão pública iraniana neste sábado.
Horas depois, o presidente Trump afirmou que os Estados Unidos atacarão o Irã “muito duramente hoje” e ameaçou ampliar a ofensiva para atingir novos alvos.
“Sob séria consideração para sua completa destruição e morte certa, devido ao mau comportamento do Irã, estão zonas e grupos de pessoas que não haviam sido considerados como alvos até este momento”, escreveu em sua plataforma Truth Social.
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Na publicação, o presidente americano disse ainda que o Irã só “se desculpou e se rendeu diante de seus vizinhos do Oriente Médio” por causa do “ataque implacável dos Estados Unidos e de Israel”. Ele também criticou o país, afirmando que “já não é mais o ‘valentão do Oriente Médio’; agora é ‘O PERDEDOR DO ORIENTE MÉDIO!’ e continuará sendo assim por muitas décadas, até se render ou colapsar completamente”.
A ofensiva israelense-americana começou em 28 de fevereiro. Nesse mesmo dia, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que estava no poder desde 1989, foi morto em um ataque aéreo.
Desde então, o Irã, alvo de centenas de ataques aéreos americanos e israelenses, lançou drones e mísseis contra as monarquias árabes do Golfo — que abrigam bases americanas — e contra Israel.
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Também houve ataques com mísseis contra Chipre, país que abriga duas bases militares britânicas, o Curdistão iraquiano, onde Washington mantém tropas, e o Azerbaijão.
Dez pessoas morreram em Israel e 13 nos países do Golfo desde o início da guerra.
Israel intensifica ataques
Na madrugada de sábado, Israel realizou uma das ondas de bombardeios mais intensas desde o início da guerra. Entre os alvos estavam uma academia militar, um centro de comando subterrâneo, depósitos de mísseis e o aeroporto internacional de Mehrabad, em Teerã, que sofreu um grande incêndio.
— Não acredito que alguém que não tenha vivido uma guerra possa compreender — disse à AFP um professor de 26 anos da capital, que pediu anonimato. — Quando você ouve as bombas, não sabe onde elas vão cair.
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Ao mesmo tempo, ataques simultâneos atingiram alvos do Hezbollah no sul e leste do Líbano, onde o partido-milícia pró-iraniano afirmou ter impedido uma tentativa de incursão israelense próximo à fronteira com a Síria. O Ministério da Saúde do Líbano anunciou 16 mortos nos ataques de sábado.
O conflito também afeta o tráfego marítimo, devido ao fechamento de fato do Estreito de Ormuz, pelo qual circula cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito consumidos no mundo. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado com um drone um petroleiro que tentava atravessar a passagem estratégica.
No Irã, o Ministério da Saúde informou que os ataques americanos e israelenses mataram 926 civis e deixaram quase 6.000 feridos, enquanto a população vive sob forte presença das forças de segurança nas ruas de Teerã.
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Pezeshkian pediu desculpas no sábado “aos países vizinhos que foram atacados pelo Irã”. Ele prometeu que não haveria mais lançamentos de mísseis contra essas nações “a menos que haja um ataque contra o Irã vindo desses países”.
O presidente iraniano faz parte do triunvirato encarregado de exercer o poder interino até a eleição de um novo líder supremo, em data a ser definida.
Os outros dois membros são o chefe do judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, e um dignitário religioso que é membro da Assembleia de Peritos e do Conselho dos Guardiães da Constituição, Alireza Arafi.
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O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, afirmou que Washington não terá papel na escolha do novo líder, que “seguirá apenas a vontade do povo iraniano, sem interferência estrangeira”.
