Irã não tem pressa para fechar acordo com EUA e regime está mais estável que antes da guerra, afirma TV

 

Fonte:


O regime iraniano, dito tantas vezes por Donald Trump estar fragmentado e sem lideranças, estaria totalmente estável até mesmo desde antes do início da guerra no Oriente Médio. Até mesmo por isso, e sabendo do desespero dos Estados Unidos para encerrar o conflito, o Irã não tem pressa para fechar um acordo de paz.

As informações são da rede de TV NBC News, citando autoridades americanas de alto escalão e outras de países envolvidos nas negociações.

Um diplomata ocidental com conhecimento do conflito e cinco autoridades ocidentais, todos com conhecimento das avaliações internas iranianas, dizem que o país parece ter se beneficiado politicamente dos ataques iniciados pelos EUA e por Israel.

Os protestos anti-governo em massa que abalaram o país nas semanas que antecederam a guerra já perderam força. A chamada facção moderada ou reformista dentro do regime foi marginalizada, porque os intensos bombardeios dos EUA e os frequentes ultimatos de Trump minaram seus argumentos de que uma abordagem mais conciliatória com Washington poderia trazer benefícios, disseram cinco dos funcionários.

Nessa quinta-feira (23), o presidente negou estar sob qualquer pressão de tempo para pôr fim ao conflito.

'Por favor, estejam cientes de que possivelmente sou a pessoa menos pressionada em toda a história a estar nesta posição. Tenho todo o tempo do mundo, mas o Irã não — o tempo está se esgotando!', escreveu ele em uma publicação no Truth Social.

Trump chamou a guerra anteriormente de uma 'pequena excursão' que terminaria em cerca de cinco semanas após seu início, e depois afirmou que os EUA estavam adiantados em relação ao cronograma.

Estoque de mísseis e armas caras dos EUA esgotou por causa da guerra com Irã, afirma NYT

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante coletiva de imprensa na Casa Branca.

BRENDAN SMIALOWSKI / AFP

De acordo com avaliações internas do Departamento de Defesa, confirmadas por fontes do Congresso que falaram ao jornal americano New York Times, os estoques de mísseis e armas caras dos Estados Unidos foram significativamente reduzidos devido à guerra com o Irã.

Os EUA consumiram cerca de 1.100 mísseis de cruzeiro furtivos de longo alcance, projetados para uma guerra com a China; 1.000 mísseis de cruzeiro Tomahawk, cerca de 10 vezes o número que compram anualmente; 1.200 mísseis interceptores Patriot, cada um custando mais de US$ 4 milhões; e 1.000 mísseis guiados de precisão e mísseis terrestres.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em publicação na rede social Truth Social que o Irã não sabe 'quem é seu líder'.

Segundo ele, há uma luta interna entre os 'linha-dura' que, de acordo com o republicano, vem sofrendo derrotas, e os 'moderados', que, para Trump, 'não são nada moderados, mas estão ganhando respeito'.

'Temos controle total sobre o Estreito de Ormuz. Nenhum navio pode entrar ou sair sem a aprovação da Marinha dos Estados Unidos. Está "totalmente lacrado" até que o Irã consiga fechar um ACORDO!!!', completa o presidente americano.

Trump ainda afirmou nesta quinta-feira (23) ter ordenado à Marinha dos EUA que 'atire e destrua' qualquer embarcação que esteja minando o Estreito de Ormuz.

Em uma publicação na sua rede social Truth Social, o presidente dos EUA afirmou que seus 'caçadores de minas' estavam 'limpando o estreito neste momento'. Há receios de que o Irã tenha minado a via navegável, embora isso ainda não tenha sido confirmado.

Caso isso tenha ocorrido, ameaçaria interromper o tráfego pelo estreito, que é responsável por um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, prejudicando ainda mais a economia global a longo prazo.

Embarcações passam pelo Estreito de Ormuz.

Giuseppe CACACE / AFP