Irã não fará concessões em matéria nuclear, diz autoridade de Teerã

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Fonte da notícia: Valor Valor

O Irã não mostrará flexibilidade em relação ao programa nuclear mesmo que os Estados Unidos aceitem sua proposta de reabrir o Estreito de Ormuz — que prevê medidas como o fim do bloqueio naval aos portos iranianos —, afirmou uma autoridade iraniana à Reuters nesta sexta-feira. Leia mais: Irã propõe aos EUA reabrir Ormuz em 7 dias e retomar negociação para encerrar guerra Na ONU, 80 países exigem reabertura de Ormuz e condenam ataques do Irã e de houthis Diplomatas tentam avançar em acordo sobre Irã na ONU após ameaça de Trump de ‘aniquilar’ regime A fonte, que falou sob condição de anonimato, disse que a via navegável permanecerá fechada até que “todas as condições do Irã sejam atendidas” pelos Estados Unidos.

Na proposta, Teerã se ofereceu para reabrir o Estreito de Ormuz, de importância estratégica vital para o petróleo. Em até sete dias, as hostilidades cessariam em todas as frentes, incluindo o Líbano, e os Estados Unidos suspenderiam o bloqueio aos portos iranianos, liberariam os fundos congelados do Irã e revogariam as sanções ao petróleo, afirmou ontem o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.

A proposta surge após uma forte escalada nas tensões no Oriente Médio, em sete meses de guerra entre Irã e Estados Unidos, com as milícias houthis no Iêmen, apoiadas por Teerã, passando recentemente a lançar mísseis e drones contra a Arábia Saudita.

O Estreito de Ormuz tornou-se a principal moeda de troca nos esforços para pôr fim ao conflito, com o Irã buscando alívio do bloqueio americano que sufoca sua economia — e Washington em busca da retomada de livre passagem de navios por Ormuz, atualmente bloqueada por Teerã.

Em reunião com jornalistas na quinta-feira, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, disse que esperava que um acordo com Washington seja alcançado antes das eleições nos EUA, em 3 de novembro.

O governo iraniano afirmou que só estaria disposto a participar de negociações detalhadas sobre o programa nuclear depois que suas condições sejam atendidas pelos EUA. Mas o representante oficial ouvido sob condição de anonimato pela Reuters afirmou que o Irã não faria concessões quanto a direitos, incluindo o enriquecimento de urânio ou envio de urânio altamente enriquecido para fora do país, uma das principais exigências dos EUA.

Israel, Estados Unidos e outros países ocidentais há muito acusam Teerã de buscar armas nucleares, apontando, entre outros fatores, a iniciativa de enriquecer urânio a 60%, nível muito superior ao necessário para usos civis e mais próximo dos 90% exigidos para a fabricação de armas. O Irã nega a intenção de possuir armas nucleares.

A Agência Internacional de Energia Atômica estima que o Irã possuía 440,9 kg de urânio enriquecido a 60% quando Israel e os EUA atacaram instalações nucleares do país, em junho de 2025. Não está claro quanto desse material sobreviveu ao ataque.

Autoridades iranianas afirmaram que poderiam concordar em diluir o urânio mais altamente enriquecido. Em maio, a Reuters reportou que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, emitiu diretriz em que determina que o urânio altamente enriquecido não seja enviado ao exterior, segundo duas fontes iranianas de alto escalão.

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