Irã lança primeiro ataque contra Israel e países do Golfo após ascensão de Mojtaba Khamenei ao poder
As Forças Armadas do Irã lançaram uma nova onda de ataques contra Israel e países do Golfo nesta segunda-feira, na primeira ofensiva desde a escolha do aiatolá Mojtaba Khamenei como sucessor do pai, Ali Khamenei, como líder supremo do país. Mísseis e drones provocaram uma morte em território israelense, enquanto explosões voltaram a ser ouvidas em Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes e Kuwait — em um momento em que autoridades do regime iraniano afirmam que a escolha do novo líder político, religioso e militar do país está alinhada com a oposição a uma rendição total a Israel e EUA.
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Ao menos dois dos bombardeios iranianos lançados contra a região central de Israel deixaram vítimas entre a noite de domingo e a madrugada desta segunda. Um homem por volta de 40 anos morreu e outro ficou ferido em um canteiro de obras em Yehud, atingido por pedaços de projéteis abatidos, segundo os serviços de emergência Magen David Adom.
"Após tentativas de reanimação, tivemos que declarar o óbito de um homem de aproximadamente 40 anos", indicaram as autoridades em um comunicado.
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Em um evento separado, um terceiro homem, identificado como tendo por volta dos 30 anos, sofreu ferimentos graves ao também ser atingido por estilhaços abatidos em uma localização na região central de Israel. Jornalistas da AFP em Israel indicaram em certa altura desta segunda-feira que ao menos 12 explosões foram ouvidas na região de Tel Aviv.
A nova retaliação também voltou a afetar vizinhos regionais, que há semanas convivem com uma realidade de guerra da qual não tomaram parte. A Arábia Saudita anunciou ter interceptado drones que seguiam em direção a um campo de petróleo no leste do país. Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores saudita afirmou que tem o "direito pleno de tomar todas as medidas necessárias para salvaguardar sua segurança". Riad também afirmou que o Irã "seria o maior perdedor" em caso de "uma escalada do conflito".
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Jack Guez/AFP
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Emirados Árabes Unidos e o Kuwait também voltaram a relataram ataques com mísseis, enquanto o Bahrein informou que 32 civis ficaram feridos em um ataque noturno iraniano com drones contra a ilha de Sitra. Quatro pessoas estariam em estado grave, segundo comunicado do Ministério da Saúde do país. As instalações petrolíferas de Al Ma'ameer, principal refinaria do Bahrein, foi alvo de ataques na noite, com o governo confirmando que um incêndio com extensos danos materiais.
A retaliação iraniana ao ataque inicial lançado em conjunto por EUA e Israel há 10 dias provocou uma instabilidade que afeta toda a região e o mundo. O barril de petróleo ultrapassou a marca dos US$ 100 pela primeira vez desde 2022, com autoridades ao redor do mundo discutindo como controlar. Na frente militar, os EUA perderam sete militares em ataques iranianos.
Embora sob intensa pressão de ataques aéreos constantes, o regime dos aiatolás tenta manter o controle do país, embasado por uma estrutura de poder e repressão estabelecida ao longo de décadas. A escolha de Mojtaba Khamenei, segundo analistas, foi uma demonstração da Revolução Islâmica de que os ataques não enfraqueceram a posição ideológica do regime — algo que as autoridades vêm reforçando em seus discursos.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou no sábado que as forças iranianas não iriam se curvar aos interesses de EUA e Israel, afirmando que a ideia de uma rendição incondicional — uma expressão que a liderança em Washington vem repetindo, incluindo o secretário de Defesa Pete Hegseth, em entrevista ao 60 minutes, da emissora CBS.
—A ideia de que nós vamos nos render incondicionalmente, eles vão levar esse sonho para a cova — disse Pezeshkian no sábado.
Sucessão em meio à escalada militar
O anúncio da escolha de Mojtaba Khamenei pelo Conselho dos Especialistas como líder supremo em sucessão ao pai, na madrugada desta segunda (noite de terça em Brasília), mostra sinais de inflexão do regime. O religioso de 56 anos tem fortes vínculos com a Guarda Revolucionária iraniana, e sua confirmação foi celebrada por setores linha-dura do regime. Opositores em Teerã reagiram com protestos, gritando "Morte a Mojtaba" de suas janelas.
Autoridades israelenses já haviam ameaçado eliminar o sucessor do aiatolá. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também criticou a escolha, classificando-a como "inaceitável" e afirmando, em entrevista à ABC News no domingo, que o novo líder "não duraria muito tempo" sem aprovação de Washington. (Com AFP)
