Irã lança primeira onda de retaliações contra Israel e bases americanas no Oriente Médio; Emirados Árabes e Catar dizem ter interceptado mísseis
O Irã afirmou neste sábado ter iniciado uma “primeira onda” de ataques com mísseis e drones contra Israel, em resposta aos bombardeios realizados pelos Estados Unidos e pelo governo israelense contra alvos iranianos. Em comunicado, os Guardiões da Revolução disseram que a ofensiva foi direcionada aos “territórios ocupados”, em referência a Israel.
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Ao mesmo tempo, a escalada atingiu outros países da região. Os Emirados Árabes Unidos afirmaram ter interceptado mísseis iranianos e disseram que se reservam o direito de responder aos ataques. O Ministério da Defesa informou que o país foi alvo de um “ataque flagrante com mísseis balísticos iranianos” e que as defesas aéreas interceptaram vários projéteis. Abu Dhabi classificou a ação como “uma escalada perigosa”. No Kuwait, o chefe do Estado-Maior declarou que os sistemas de defesa aérea também interceptaram mísseis detectados no espaço aéreo do país.
Em um comunicado, o Catar condena uma "violação flagrante" de sua soberania após o ataque iraniano em seu território. O documento foi emitido neste sábado após várias séries de explosões serem ouvidas em toda Doha.
Na nota, o Ministério das Relações Exteriores do Catar expressou "sua firme condenação ao ataque ao território catariano por mísseis balísticos iranianos". O órgão considera que se trata de uma violação flagrante de sua soberania nacional", acrescentando "reservar-se o direito total de responder a este ataque".
Teerã, por sua vez, acusou Washington e Tel Aviv de violar o direito internacional. Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, citado pela Al Jazeera, as forças armadas do país estão “totalmente preparadas” para defender o território e farão os “agressores se arrependerem de seus atos”.
De acordo com o comunicado, os ataques contra o Irã atingiram a “integridade territorial e a soberania nacional do país”, incluindo infraestrutura defensiva e também áreas não militares em diferentes cidades. O governo iraniano afirma que a ofensiva representa uma violação da Carta das Nações Unidas e cita o Artigo 51, que trata do direito à autodefesa.
Bombardeios e reação militar
Segundo a AFP, Estados Unidos e Israel lançaram uma série de ataques contra cidades iranianas no sábado, provocando explosões e colunas de fumaça na capital, Teerã. Testemunhas relataram ter ouvido ao menos três explosões, enquanto fumaça era vista sobre o bairro Pasteur, onde fica a residência do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei.
As forças armadas israelenses afirmaram que o Irã respondeu com disparos de mísseis, enquanto sirenes de alerta foram acionadas em Jerusalém e civis receberam orientações para buscar abrigo.
Em vídeo publicado em sua rede social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as forças americanas iniciaram “grandes operações de combate” no Irã com o objetivo de eliminar “ameaças iminentes”. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse que a operação visa remover o que chamou de “ameaça existencial”.
Autoridades iranianas disseram que o presidente Masoud Pezeshkian está “são e salvo”. A agência de notícias Fars informou que impactos de mísseis foram registrados em distritos de Teerã, enquanto ambulâncias foram enviadas às áreas atingidas, sem confirmação imediata de vítimas.
Com a escalada do conflito, Irã, Iraque e Israel fecharam seus espaços aéreos ao tráfego civil. Sirenes também foram acionadas no Bahrein e em Amã, capital da Jordânia, cuja força aérea informou estar conduzindo operações para “defender os céus do reino”.
