Irã já tinha plano secreto para reprimir protestos de forma violenta, diz organização

 

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Diversos documentos internos do governo iraniano mostram que regime já tinha um plano coordenado com seu aparato de segurança e aprovado pelo líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, para reprimir de forma violenta qualquer protesto que ocorresse no país. Além da força física, a ideia era realizar uma forte vigilância e bloquear a internet.

O projeto foi desenvolvido após protestos em 2019 para ser colocado em prática no caso de atos em massa. Ele foi organizado pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.

A informação foi divulgada pelo Conselho Nacional da Resistência do Irã, uma organização de dissidentes iranianos pelo mundo que defende a queda do regime. Segundo o grupo, essas ordens também planejavam um assassinato em massa.

Alireza Jafarzadeh, vice-diretor do escritório de Washington, disse que os documentos 'foram obtidos de dentro do regime' e, posteriormente, citou a Organização dos Mojahedin do Povo do Irã como tendo tido acesso a eles.

'Esses documentos mostram os esforços do regime para impedir o ressurgimento da revolta e, caso ela ocorresse, para reprimi-la', acrescentou Jafarzadeh, antes de afirmar que existem 'planos operacionais claros alocados à Guarda Revolucionária Islâmica para usar força letal para matar quantas pessoas forem necessárias para se manter no poder'.

São diversos documentos ao longo dos anos que constroem um esforço para confronto aos manifestantes. O primeiro, de 2021, por exemplo, destaca várias etapas de controle em caso de distúrbios. Em caso de uma situação mais grave, a repressão armada era autorizada.

Um segundo documento confidencial, compilado em 2024 pelo Quartel-General Sarallah da Guarda Revolucionária Islâmica, revela até que ponto o regime foi preparado para a dissidência.

O 'Plano Abrangente de Segurança de Teerã', com 129 páginas, detalha extensas medidas de vigilância e repressão, identificando membros de grupos da oposição e familiares de dissidentes executados como inimigos de 'nível um', sujeitos a monitoramento e controle.

Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, pelo menos 6.854 pessoas foram mortas durante os protestos, e 11.280 casos estão sob investigação.

Prioridade inicial da reunião entre EUA-Irã é reduzir tensões e não chegar a acordo, diz agência

Trump e líder supremo do Irã, Ali Khamenei.

ALEX WONG / KHAMENEI.IR / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

A primeira prioridade da reunião de negociações entre Estados Unidos e o Irã nesta semana em Istambul, na Turquia, é evitar um conflito e reduzir as tensões entre os dois lados. A informação é da agência de notícias Reuters citando um funcionário envolvido nas conversas.

Além disso, diversas potências regionais foram convidadas. As conversas acontecerão entre ministros das Relações Exteriores. Os convidados são: Paquistão, Arábia Saudita, Catar, Egito, Omã e Emirados Árabes Unidos.

A reunião principal aconteceria na sexta-feira (6) e que era importante iniciar o diálogo entre as partes para evitar uma escalada ainda maior da situação.

Em uma publicação nas redes sociais nesta terça-feira (3), o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirma que as negociações devem ocorrer e ser mantidas para que 'ameaças e expectativas irrazoáveis' sejam evitadas.

'Levando em consideração as demandas de países amigos da região para que se responda à sugestão do presidente dos EUA de iniciar negociações, instruí o ministro das Relações Exteriores a preparar o terreno para negociações equitativas e justas... caso surja uma atmosfera livre de ameaças e expectativas irrazoáveis', escreveu.

Nesta segunda (2), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou em uma coletiva de imprensa que o país 'nunca aceita ultimatos'. A fala de Esmaeil Baqhaei aconteceu após questionamento sobre o prazo de resposta do governo iraniano dado pelo governo Trump.

Com isso, o Irã se recusou a confirmar se recebeu um ultimato do presidente dos EUA para chegar a um acordo nuclear, depois que o líder americano afirmou ter dado à República Islâmica um limite para iniciar as negociações e ameaçou com ação militar.