Irã ironiza ameaças de Trump e diz que Estreito de Ormuz foi reaberto, mas apenas para chineses
O governo do Irã ironizou a ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que poderia atacar instalações de energia, de petróleo e a ilha iraniana de Kharg caso um acordo não fosse fechado e o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.
Uma publicação na televisão estatal diz que o Irã 'respondeu positivamente às ameaças de Trump e reabriu o Estreito de Ormuz'. Porém, não para todos, e sim 'apenas para dois petroleiros chineses'.
As autoridades iranianas permitiram nesta segunda-feira (30) a passagem de dois navios porta-contêineres de propriedade e tripulação chinesas pelo Estreito de Ormuz.
Em uma publicação nas redes sociais na sua plataforma Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os EUA estavam conversando com um 'regime [do Irã] novo e mais razoável'. Por isso, segundo ele, foi feito um 'grande progresso'.
Trump sugeriu que um acordo com eles seria 'provavelmente' fechado em breve.
No entanto, o republicano reiterou as ameaças de que 'se por qualquer motivo um acordo não for alcançado em breve' e o Estreito de Ormuz não for reaberto, os EUA atacarão as usinas elétricas, os poços de petróleo e a ilha de Kharg do Irã.
Donald Trump durante jantar anual do Comitê Nacional Republicano do Congresso.
Jim WATSON / AFP
Veja a publicação completa:
'Os Estados Unidos da América estão em negociações sérias com um NOVO REGIME, MAIS RAZOÁVEL, para encerrar nossas operações militares no Irã. Grandes progressos foram feitos, mas, se por algum motivo um acordo não for alcançado em breve, o que provavelmente acontecerá, e se o Estreito de Ormuz não for imediatamente "aberto para negócios", concluiremos nossa adorável "estadia" no Irã explodindo e obliterando completamente todas as suas usinas de geração de energia elétrica, poços de petróleo e a Ilha de Kharg (e possivelmente todas as usinas de dessalinização!), que propositalmente ainda não "tocamos". Isso será em retaliação pelos nossos muitos soldados e outros que o Irã massacrou e matou durante os 47 anos do "Reinado de Terror" do antigo regime'
A fala ocorre após o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã contradizer Trump sobre suas declarações anteriores a respeito das negociações;
Esmaeil Baqaei voltou a afimar nesta segunda-feira (30) que o país 'não teve nenhuma negociação direta com os Estados Unidos até o momento'.
Segundo ele, em comentários divulgados pela agência de notícias semifoficial Tasnim, o que foi debatido até agora foram 'mensagens que recebemos por meio de intermediários, afirmando que os EUA querem negociar'.
Baqaei defendeu que 'não há como' acreditar nas afirmações dos diplomatas americanos, que ficam 'mudando de posição'.
'O Irã deixou clara sua posição desde o início, e sabemos muito bem qual é o quadro que estamos considerando. O material que nos foi transmitido contém exigências excessivas e descabidas'.
'As reuniões que o Paquistão realiza são uma estrutura que eles mesmos estabeleceram e da qual não participamos. É bom que os países da região se preocupem em pôr fim à guerra, mas devem ter cuidado com quem a iniciou', declarou.
Espanha anuncia que fechou espaço aéreo para aviões envolvidos na guerra do Irã, incluindo dos EUA
Avião de abastecimento dos EUA KC-135.
Reprodução
A Espanha fechou nesta segunda-feira (30) seu espaço aéreo para aeronaves envolvidas na guerra com o Irã, incluindo os americanos. A informação foi revelada pelo jornal El País e confirmada pelo governo através da ministra da Defesa, Margarita Robles.
'Não autorizamos o uso de bases militares nem o uso do espaço aéreo para ações relacionadas à guerra no Irã', comentou ela a repórteres em Madrid.
Segundo a reportagem, a proibição incluí o uso das bases militares de Rota e Morón, que abrigam forças americanas na Espanha. A proibição já havia causado um conflito entre os líderes da Espanha e Donald Trump.
A medida se estende à proibição de aeronaves ligadas à guerra sobrevoarem o espaço aéreo espanhol, o que poderia incluir, por exemplo, voos militares dos EUA partindo do Reino Unido ou da França.
A decisão espanhola obriga os aviões militares americanos a contornarem a Espanha a caminho do Oriente Médio.
'Esta decisão faz parte da decisão já tomada pelo governo espanhol de não participar ou contribuir para uma guerra iniciada unilateralmente e contra o direito internacional', disse o ministro da Economia, Carlos Cuerpo, em entrevista à rádio Cadena Ser.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, tem sido um dos opositores mais fortes dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, os descrevendo como imprudentes e ilegais.
Trump ameaçou cortar relações comerciais com Madri por esta ter negado aos EUA o uso das bases militares espanholas.
