Irã fecha espaço aéreo em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos

 

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Autoridades do Irã informaram companhias aéreas nesta quarta-feira (14) o fechamento do espaço aéreo do país para voos internacionais, com exceção das operações com origem ou destino a Teerã. No início da noite, por volta das 18h30 (horário de Brasília), sites de monitoramento mostravam tráfego reduzido na região sob controle iraniano.

A medida ocorre em meio à escalada das tensões entre o Irã e os Estados Unidos, intensificada após declarações do presidente americano, Donald Trump, que voltou a sugerir a possibilidade de uma intervenção militar em meio à onda de protestos contra o regime iraniano.

Irã fecha espaço aéreo em meio à escalada de tensões com os Estados Unidos

Reprodução/FlightRadar24

Mais cedo, a Alemanha emitiu um alerta às companhias aéreas do país recomendando que evitem o espaço aéreo iraniano. Segundo comunicado divulgado pelo site Flightradar24, o governo alemão classificou a situação como perigosa e citou risco potencial à aviação civil devido à escalada do conflito e ao uso de armamento antiaéreo. A recomendação se refere à FIR Teerã — Região de Informação de Voo sob controle do Irã.

Dados de monitoramento indicam que alguns voos chegaram a mudar de rota para evitar a área. Um avião da Emirates, que vinha de Seul com destino a Dubai, deu meia-volta ao sobrevoar o Turcomenistão. Outro voo, da companhia FlyOne, entre Medina e Tashkent, também alterou o trajeto ao se aproximar do Golfo Pérsico.

Reação a protestos

O fechamento do espaço aéreo ocorre enquanto o regime iraniano endurece a repressão aos protestos iniciados no mês passado. Segundo grupos de direitos humanos, mais de 3,4 mil manifestantes já foram mortos. Nesta quarta, o chefe do Judiciário iraniano anunciou que os julgamentos de manifestantes presos passarão a ser televisionados, em meio ao temor de uma aplicação em massa da pena de morte.

Um oficial iraniano de alto escalão afirmou à agência Reuters que o país vai atacar bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio caso seja bombardeado, e que os países vizinhos já foram avisados da decisão. A declaração ocorre após ameaças de Trump de agir em defesa dos manifestantes.

Diplomatas ouvidos pela Reuters disseram que parte do pessoal americano foi orientada a deixar a base aérea dos EUA no Catar, a maior do país na região, que abriga cerca de 10 mil militares. Autoridades americanas confirmaram a retirada parcial de funcionários, mas negaram um esvaziamento amplo.

Paralelamente, o Irã marcou para esta quarta-feira a primeira execução relacionada à nova onda de protestos. O manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, condenado após um julgamento acelerado e sem garantias legais, teria a execução marcada para esta quarta. Até o momento, no entanto, não há confirmação oficial de que o enforcamento tenha ocorrido. Familiares afirmaram a uma emissora britânica que a execução foi adiada.

Apesar disso, Donald Trump afirmou que o Irã “não tem planos de execuções” e que “os assassinatos pararam”, sem especificar a origem das informações. Na véspera, ele havia prometido medidas “muito duras” caso o país começasse a executar manifestantes. Já nesta quarta, embora não tenha descartado uma ação militar, disse apenas que ficaria “muito chateado” se isso acontecesse.