O Irã executou, neste domingo (23), um homem que havia sido condenado por agir em favor de Israel e dos Estados Unidos durante protestos antigovernamentais em janeiro, informou o site do judiciário do país islâmico.
Muitas pessoas foram executadas na República Islâmica por causa das manifestações que eclodiram em dezembro devido ao aumento do custo de vida, e que rapidamente se transformaram em um movimento de protesto em todo o país.
Segundo o site Mizan Online, Mayid Adineh foi condenada por "incêndio criminoso, reunião e conluio com a intenção de cometer crimes contra a segurança interna do país".
O tribunal "o condenou à morte e à confiscação de todos os seus bens", explicou ele.
Embora o acusado tenha recorrido, seu recurso foi negado e ele foi executado na manhã de domingo, acrescentou.
Segundo o site do judiciário, Adineh e outro suspeito foram presos em 9 de janeiro na província de Alborz, a oeste de Teerã.
Eles portavam "um revólver, munição, duas pistolas Taser, duas granadas de gás lacrimogêneo, uma motosserra recarregável e uma garrafa de gasolina", informou o site.
Os protestos antigovernamentais atingiram o seu auge precisamente entre 8 e 9 de janeiro.
As autoridades iranianas relataram mais de 3 mil mortes em decorrência dos distúrbios e atribuíram a violência a "atos terroristas" orquestrados pelos Estados Unidos e por Israel.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, o número de execuções no Irã aumentou, muitas delas ligadas aos protestos ou ao conflito.
As autoridades iranianas executaram pelo menos 1.639 pessoas no ano passado, um número recorde desde 1989, de acordo com a Iran Human Rights, uma ONG sediada na Noruega, e a Together Against the Death Penalty (ECPM), sediada em Paris.
Segundo a Amnistia Internacional, o Irã é o segundo país com o maior número de execuções, ficando atrás apenas da China.
'Inimigos'
O Irã advertiu, neste sábado (22), que vai considerar "inimigo" qualquer país que participe da aplicação de sanções econômicas contra a república islâmica, segundo declarações de Mohsen Rezaï, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano à TV estatal.
As declarações ocorrem depois que Washington anunciou um reforço das sanções econômicas destinadas a aumentar a pressão sobre Teerã.
"Advertimos todos os países (...) Não se unam à guerra econômica que os Estados Unidos travam.
Qualquer país que participe da imposição de restrições econômicas contra nós será considerado um inimigo", declarou Mohsen Rezai, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã.
Se estes países "se negarem a se distanciar" dos Estados Unidos, o "Irã atacará seus interesses", acrescentou.
"Ainda não atacamos nenhum interesse econômico americano.
Até agora, só atacamos bases militares, mas se pretendem nos impor sanções econômicas, os Estados Unidos possuem petróleo e empresas econômicas no Irã e em outros lugares, e os atacaremos", continuou Rezai.
Se Donald Trump "tomar medidas" contra o Irã, "nosso confronto será como um terremoto", ameaçou.
Na quinta-feira, a chancelaria iraniana acusou os Estados Unidos de praticarem "terrorismo econômico" depois que o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, afirmou que Washington conseguiria "provocar a derrubada" do governo iraniano com suas novas sanções.
Bessent tem previsto dar uma coletiva de imprensa na segunda-feira sobre como os Estados Unidos pretendem aumentar ainda mais a pressão, quase seis meses depois do início da guerra, desencadeada por um ataque combinado de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Washington instou outros governos, inclusive o de Pequim, a participar dos esforços para isolar a economia iraniana.
A China, parceiro econômico estratégico do Irã, criticou esta iniciativa, argumentando que "as sanções e a pressão" americanas não vão resolver o conflito no Oriente Médio.
Entre os principais parceiros comerciais do Irã estão os Emirados Árabes Unidos, que anunciaram na terça-feira a suspensão de todas as transações comerciais e financeiras bilaterais até novo aviso.
Irã executa homem acusado de colaborar com os EUA e Israel durante protestos
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