Irã enviou contraproposta aos EUA de acordo de 15 pontos, diz mídia estatal
O Irã respondeu com uma contraproposta à ideia de 15 pontos proposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para colocar fim ao conflito no Oriente Médio.
Segundo informações da agência de notícias Tasnim, semioficial do governo, o envio ocorreu nessa quarta-feira (25) por meio de mediadores, acrescentando que Teerã aguarda a resposta dos EUA.
O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo afirmou nesta quinta-feira (26) que o Irã está cobrando taxas para que os navios possam transitar com segurança pelo Estreito de Ormuz. A informação havia sido divulgada pela imprensa nos últimos dias e é pela primeira vez confirmada por uma autoridade oficialmente.
Jasem Mohamed al-Budaiwi é o primeiro alto funcionário a acusar o Irã de cobrar pela passagem segura pelo estreito, a estreita entrada do Golfo Pérsico por onde antes passavam 20% de todo o gás natural e petróleo do mundo.
De acordo com ele, essa cobrança 'ultrapassou todos os limites'.
'Eles fecharam o Estreito de Ormuz e impuseram taxas para a passagem, o que é uma agressão e uma violação do acordo das Nações Unidas sobre o direito do mar. Além disso, algumas embarcações foram sequestradas ou atacadas'.
Al-Budaiwi supervisiona o Conselho de Cooperação do Golfo, um bloco de seis nações árabes do Golfo, incluindo Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
A fala ocorreu durante uma coletiva de imprensa em Riad, na Arábia Saudita.
A agência de notícias Bloomberg destaca que alguns petroleiros sim retomaram a travessia, pagando um valor que chega a US$ 2 milhões.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o Irã permitiu que 'nações amigas' utilizassem o Estreito de Ormuz para navegação comercial.
Araghchi citou cinco países: China, Rússia, Índia, Iraque e Paquistão.
'Não há razão para permitir que o inimigo passe pelo estreito. Permitimos a passagem de certos países que consideramos amigos', declarou o ministro, segundo a agência de notícias oficial do Irã.
Em meio a isso, o parlamento iraniano busca aprovar uma lei em breve para introduzir a cobrança de pedágio para navios que transitam pelo Estreito de Ormuz. A informação já tinha sido revelada anteriormente, e agora possui apoio dentro do governo para institucionalizar medida, segundo as agências de notícias iranianas Fars e Tasnim.
O presidente da Comissão de Assuntos Civis do parlamento afirmou que um projeto de lei já foi elaborado e será finalizado em breve pela equipe jurídica da assembleia legislativa.
'De acordo com este plano, o Irã deve cobrar taxas para garantir a segurança dos navios que passam pelo Estreito de Ormuz. Isso é absolutamente natural. Assim como em outros corredores, quando mercadorias atravessam um país, são pagos impostos; o Estreito de Ormuz também é um corredor. Garantimos sua segurança e é natural que navios e petroleiros paguem os impostos correspondentes', declarou.
O Irã busca o reconhecimento internacional de seu direito de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz como uma das cinco condições para o fim da guerra em curso.
Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã.
Reprodução/Nasa
