Irã envia contraproposta defendendo fim da guerra e não cessar-fogo; EUA consideram 'maximalista'

 

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O Irã enviou ao Paquistão uma contraproposta para o fim da guerra no Oriente Médio. Nela, o país defende que não se tenha um cessar-fogo, mas um 'fim permanente à guerra, respeitando as considerações iranianas'.

Segundo a agência de notícias estatal IRNA, um protocolo para passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o fim das sanções estão entre os pedidos.

A agência de notícias afirmou que a resposta foi dada após os acontecimentos do fim de semana no oeste e centro do Irã, que, segundo ela, demonstram a superioridade do Irã no conflito.

A agência acrescenta que 'após duas semanas de reflexão, o Irã enviou sua resposta à proposta dos EUA para o fim da guerra por meio do Paquistão. A resposta consiste em 10 pontos e inclui a reafirmação da rejeição a um cessar-fogo temporário, enfatizando a necessidade de um fim permanente para a guerra, levando em consideração os comentários recebidos'.

O relatório também se referiu ao que chamou de 'fracasso catastrófico' de uma operação aerotransportada dos EUA e afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, se distanciou de ameaças anteriores ao estender repetidamente o prazo.

A proposta, segundo o site Axios, possui 10 pontos. Os Estados Unidos ainda não responderam;

Um oficial americano afirmou ao veículo, contudo, que a proposta do Irã foi considerada 'maximalista', sem deixar claro se ela permitiria uma solução diplomática.

Guarda Revolucionária afirma que Estreito de Ormuz 'nunca mais voltará ao seu estado anterior'

Barco faz manobra no Estreito de Ormuz.

SEPAH NEWS / AFP

O Comando Naval da Guarda Revolucionária iraniana afirmou nesta segunda-feira (6) em uma postagem nas redes sociais que o Estreito de Ormuz 'nunca mais voltará ao seu estado anterior, especialmente para os Estados Unidos e Israel'.

O comunicado diz que a Marinha está 'em processo de conclusão dos preparativos operacionais para o plano anunciado pelas autoridades iranianas para a nova ordem no Golfo Pérsico'. Não foram ditos maiores detalhes.

O Irã e os Estados Unidos receberam um plano para um cessa-fogo temporário que depois se tornaria um plano de paz para a guerra do Oriente Médio. As informações são da agência de notícias Reuters.

Entre as propostas, se forem concordadas pelas partes, está da reabertura ainda nesta segunda-feira (6) do Estreito de Ormuz.

O potencial acordo, que assumiria a forma de um memorando de entendimento, foi finalizado pelo Paquistão e enviado ao Irã e a Israel durante a noite, disse a agência, confirmando o que o site Axios havia relatado anteriormente sobre a possibilidade de um acordo em duas fases, com uma trégua imediata seguida de um acordo abrangente.

'Todos os elementos devem ser acordados nesta segunda', disse a fonte, enfatizando, porém, ao contrário do que o Axios havia relatado, que o Paquistão é o único canal de comunicação entre as partes.

Em resposta, o Irã anunciou que elaborou sua resposta às propostas transmitidas por meio de mediadores e a anunciará quando necessário, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei.

Divulgação

Esmaeil Baghaei afirmou que as negociações não poderiam ocorrer sob ameaças, alertando que as ameaças dos EUA de atacar infraestruturas configurariam crimes de guerra.

Ele acrescentou que o foco do Irã permanece na defesa do país em meio aos ataques contínuos, enquanto a diplomacia prossegue em paralelo aos esforços militares.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores afirmou que as propostas, incluindo um plano americano de 15 pontos transmitido pelo Paquistão e outros países, eram 'excessivas, incomuns e irracionais' e inaceitáveis ​​para Teerã.

Além do cessar-fogo imediato, o plano prevê um prazo de 15 a 20 dias para que as duas partes finalizem os detalhes de um pacto permanente.

Segundo a Reuters, o acordo final incluiria o compromisso iraniano de não buscar armas nucleares em troca do alívio de sanções econômicas e a liberação de ativos congelados.

Apesar de confirmar o recebimento do plano, um alto funcionário do governo iraniano declarou à agência que o Irã não aceita um cessar-fogo apenas temporário e que não reabrirá o Estreito de Ormuz sem garantias de um acordo permanente. Teerã também afirmou que não aceitará ser pressionada por prazos impostos por Washington.