Irã entra na terceira semana de protestos; mais de 640 pessoas morreram, dizem ativistas

 

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O Irã entrou nesta segunda-feira (12) na terceira semana de protestos contra a crise econômica e o governo, na maior mobilização contra o regime do aiatolá Ali Khamenei em mais de três anos.

De acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, 648 pessoas morreram em decorrência da repressão às manifestações, que se espalharam por diversas cidades do país.

Outras ONGs também monitoram os protestos no Irã e têm reportado o aumento das vítimas. Elas dizem que o número pode ser ainda maior, já que o regime não abre atualização sobre os números. Ainda segundo a Agência, mais de 10,6 mil pessoas foram detidas.

Na quinta-feira (08), considerada a noite mais intensa de manifestações até agora, as autoridades cortaram o acesso à internet e às linhas telefônicas, deixando o Irã praticamente isolado do mundo exterior.

Mulheres adotam novos símbolos de protesto

Mulheres iranianas passaram a adotar novos símbolos de resistência, como a queima de fotos do aiatolá Ali Khamenei durante protestos

Reprodução

Em resposta à repressão, mulheres passaram a adotar novos símbolos de resistência, como a queima de fotos do aiatolá Ali Khamenei durante os atos.

O Irã é considerado um dos países mais repressivos para as mulheres, com leis como o uso obrigatório do véu e regras discriminatórias em áreas como o direito à herança.

Governo diz que situação está sob controle

Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmou que a situação no país está “sob controle total”, apesar do aumento da violência durante o fim de semana.

O chanceler iraniano também acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de incentivar o que chamou de “terroristas” a atacar manifestantes e forças de segurança, após Trump afirmar que tomaria medidas caso os protestos se tornassem sangrentos.

O representante do governo prometeu ainda que o serviço de internet será retomado, em coordenação com as autoridades de segurança.

Pressão dos EUA e acordo nuclear

Na última sexta-feira (9), Donald Trump declarou que os Estados Unidos devem intervir caso o Irã continue a matar pessoas durante a repressão aos protestos. Já neste domingo (11), o presidente americano afirmou que o Irã entrou em contato com Washington e propôs negociar um acordo nuclear, após as ameaças em resposta à violência no país.

Nas declarações desta segunda-feira, no entanto, o chanceler iraniano não comentou sobre a possibilidade de retomada das negociações.

Durante seu primeiro mandato, em 2017, Trump rompeu o acordo nuclear firmado no governo Barack Obama, que limitava o programa nuclear iraniano em troca do fim de sanções econômicas. Desde então, o governo de Teerã voltou a enriquecer urânio acima do nível necessário para produção de energia, embora não haja evidências de que o país estivesse próximo de desenvolver uma bomba nuclear.