Irã diz que Trump tenta desviar atenção de crise interna nos EUA com ameaça de

Irã diz que Trump tenta desviar atenção de crise interna nos EUA com ameaça de 'guerra econômica'

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reagiu nesta quinta-feira às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de promover uma guerra econômica “sem precedentes” contra a República Islâmica.
Segundo o chanceler iraniano, os comentários feitos por Trump na noite de quarta-feira são uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública americana dos problemas financeiros internos do país, entre eles a dívida em nível recorde e a alta dos juros.
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“O chamado ‘Dia D econômico’ é uma tentativa de desviar a atenção da própria crise dos Estados Unidos: uma dívida sem precedentes e custos crescentes com juros”, escreveu Araqchi no X.
A declaração foi feita depois de o Departamento do Tesouro informar que a dívida pública americana ultrapassou pela primeira vez US$ 40 trilhões, em um momento de preocupações crescentes com a trajetória das contas públicas do país.

“Insistir em políticas fracassadas só trará novas derrotas — e aumentará a hostilidade dos iranianos”, acrescentou Araqchi.
“O terrorismo econômico dos Estados Unidos ameaça a economia global e a soberania nacional de países em todo o mundo.”

A reação do chanceler também veio após Trump ameaçar impor consequências econômicas a qualquer país que ofereça “qualquer tipo de apoio ao Irã”.
Na publicação de quarta-feira, o presidente americano prometeu uma operação econômica contra Teerã que classificou como “a mais devastadora” já adotada contra um país.

“QUALQUER país que permita que suas instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais forneçam qualquer tipo de apoio ao Irã enfrentará, ele próprio, ENORMES consequências econômicas”, escreveu Trump.

A ameaça amplia a pressão sobre Teerã em um momento em que Washington ainda não conseguiu alcançar os principais objetivos estabelecidos no início do conflito: desmantelar o programa nuclear iraniano, limitar a capacidade do país de atacar seus rivais regionais e criar condições para que os iranianos derrubem seus governantes religiosos.

A guerra, iniciada há quase seis meses pelos EUA e Israel, já deixou milhares de mortos, envolveu outros países do Golfo e abalou os mercados globais.
O conflito também afetou a navegação pelo Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo comercializado mundialmente antes do início dos confrontos, em fevereiro.

Washington e Teerã anunciaram duas vezes acordos de cessar-fogo, em abril e junho, com o objetivo de restabelecer a livre navegação por Ormuz e abrir caminho para o fim da guerra.
Ambos os pactos, porém, ruíram rapidamente, mesmo após Israel ter se retirado em grande parte dos combates.

A nova ameaça econômica se soma a décadas de pressão sobre Teerã.
O regime teocrático enfrenta duras sanções econômicas há quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979.