Irã diz que, mesmo se EUA e Israel declararem fim da guerra, seguirá atacando e ameaça 'matadouro'

 

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O Irã ameaçou os Estados Unidos nesta sexta-feira (3) e disse que haverá um 'matadouro' em caso de uma invasão terrestre das tropcas americanas.

Segundo o porta-voz do Estado-Maior das Forças Armadas Iranianas, Abolfazl Shekarchi, uma invasão seria uma 'catástrofe tão grande que ninguém ousará se alistar no exército americano por gerações'.

'Apertaremos a garganta do inimigo até sufocá-lo. Mesmo que os Estados Unidos e Israel declarem o fim da guerra, não os deixaremos escapar. Nossas perdas devem ser compensadas e os agressores devem ser punidos'.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, respondeu as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertando que os iranianos podem suportar qualquer agressão dos EUA.

Segundo ele, hoje o mundo está em uma 'encruzilhada'.

'Continuar no caminho do confronto é mais custoso e inútil do que nunca. A escolha entre confronto e diálogo é real e tem consequências; seu resultado moldará o futuro das próximas gerações. Ao longo de seus milênios de história gloriosa, o Irã sobreviveu a muitos agressores. Tudo o que resta deles são nomes manchados na história, enquanto o Irã perdura – resiliente, digno e orgulhoso'.

As afirmações foram feitas em uma publicação nas redes sociais.

Pezeshkian seguiu e não mencionou a oferta de cessar-fogo feita na semana passada por Donald Trump, ao acusar Israel de arrastar os EUA para a guerra contra o Irã.

'Não seria também o caso de os Estados Unidos terem entrado nessa agressão como um instrumento de Israel, influenciados e manipulados por esse regime?', questionou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez diversas ameaças ao Irã durante seu discurso televisionado no fim da noite dessa quarta-feira (1). Ele alertou, por exemplo, que os EUA poderiam atingir todas as usinas de energia elétrica do Irã e até insinuou ataques contra a indústria petrolífera do país caso não haja acordo entre Washington e Teerã.

'Se não houver acordo, vamos atacar cada uma de suas usinas de geração de energia elétrica, com muita força e provavelmente simultaneamente. Não atingimos o petróleo deles, embora esse seja o alvo mais fácil de todos, porque isso não lhes daria nem uma pequena chance de sobrevivência ou reconstrução. Mas poderíamos o atingir e ele acabaria, e não haveria nada que eles pudessem fazer a respeito'.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declaração na Casa Branca.

ALEX BRANDON / POOL / AFP

Trump também afirmou que a mudança de regime nunca foi o objetivo dos Estados Unidos no Irã. Porém, defende ele, ela ocorreu por 'morte dos líderes originais'.

Com isso, o presidente americano defendeu que os ataques seguirão por mais algumas semanas e prometeu fazer o país 'voltar à Idade da Pedra'.

'Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas, vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, onde eles pertencem'.

Sem fazer um anúncio objetivo sobre os rumos da guerra, Trump reafirmou que o conflito vai durar mais duas ou três semanas. O presidente americano tem enfrentado uma queda na popularidade com a dos preços do petróleo e da gasolina no mercado americano.

China, Rússia e França se opõe ao uso de força para reabrir Ormuz

Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã.

Reprodução/Nasa

A votação de uma resolução do Bahrein, no Conselho de Segurança da ONU, para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz, e que estava agendada para esta sexta-feira (3), foi remarcada. No entanto, China, Rússia e França — que têm poder de veto — se opõem à autorização de qualquer uso da força, o que coloca em dúvida a aprovação do texto.

Segundo o jornal The New York Times, os três países frustraram os esforços dos Estados árabes para obter aval do Conselho para uma ação militar contra o Irã, rejeitando qualquer linguagem que permita o uso da força para reabrir a rota marítima.

Dois diplomatas afirmaram à publicação americana que a reunião dos 15 membros e a votação foram remarcadas para a manhã de sábado, em vez de sexta-feira, que é feriado na ONU.

Autoridades do Irã anunciaram que o país está trabalhando em um protocolo para garantir o tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz em conjunto com Omã.

De acordo com o vice-ministro de Relações Exteriores iraniano, o gerenciamento da circulação de embarcações seria aplicado assim que a guerra terminasse.

A reabertura, no entanto, não valeria para navios ligados aos Estados Unidos e Israel. Segundo Teerã, a rota permanecerá fechada a longo prazo para os países.

O bloqueio do estreito — por onde passam cerca de 20% das exportações de petróleo do mundo — tem causado preocupação internacional. O governo britânico acusou o Irã de manter a economia mundial como 'refém’.

Diplomatas de mais de quarenta países participaram de uma reunião para discutir formas de reabrir a rota.