Irã diz que 'abandonará toda retenção' se EUA e Israel atacarem ilhas no Golfo

 

Fonte:


O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quinta-feira (12) em um comunicado que qualquer agressão contra o território iraniano levará o país a 'abandonar toda a contenção e fazer com que o Golfo Pérsico corra com o sangue dos invasores'.

Ele ainda comentou, em uma reposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o 'sangue dos soldados americanos é responsabilidade pessoal' dele.

Segundo Ghalibaf, o Irã 'abandonará toda a retenção' se EUA e Israel atacarem as ilhas do Golfo. Os locais estão entre os maiores concentradores de petróleo iraniano.

Nessa quarta-feira (11), o presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, conclamou os militares a lutarem bravamente para vencer a guerra. Ele defendeu nas redes sociais que 'Deus consolide sua vitória e aniquile seu inimigo'.

'Confiem em Deus. Firmem os pés no chão e olhem para as fileiras inimigas. Saibam que a vitória vem de Deus Todo-Poderoso', escreveu.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou nesta quarta-feira (11) que o país estava preparado para uma longa 'guerra de desgaste'. A afirmação ocorreu no mesmo dia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou que a guerra terminaria em breve.

Segundo o que o assessor o comandante-em-chefe da Guarda Revolucionária, Ali Fadavi, comentou à TV estatal, Israel e os EUA devem 'considerar a possibilidade de se envolverem em uma guerra de desgaste de longo prazo que destruirá toda a economia americana e a economia mundial, e que fará com que todas as suas capacidades militares sejam corroídas a ponto de serem destruídas'.

Um comunicado divulgado nesta quinta-feira (12) pela Agência Internacional de Energia destaca que a a guerra no Irã e no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz, está causando o maior impacto da história no mercado de petróleo.

A agência alerta que a oferta global de petróleo deverá cair em 8 milhões de barris por dia em março, devido ao bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz pelo Irã.

O texto observa que os países do Golfo já reduziram a produção total de petróleo em pelo menos 10 milhões de barris por dia – um volume equivalente a quase 10% da demanda mundial.

'A paralisação da produção a montante levará semanas e, em alguns casos, meses para retornar aos níveis pré-crise', acrescenta o relatório.

Os preços do petróleo ultrapassaram novamente os US$ 100 por barril após mais caminhões-tanque de combustível terem sido atingidos por barcos carregados de explosivos em um suposto ataque iraniano nesta quinta.

Dois petroleiros pegaram fogo em águas iraquianas após o que aparentavam ser ataques iranianos, enquanto o Irã alertava que o mundo deveria se preparar para o petróleo atingir US$ 200 o barril.

Um funcionário iraquiano disse à mídia estatal que seus portos petrolíferos 'paralisaram completamente as operações'. Outros países retiraram embarcações da área por precaução.

Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.

Kenny HOLSTON / POOL / AFP

Com mercados de petróleo sentindo o impacto da guerra no comércio global, Donald Trump insistiu que os EUA haviam vencido a guerra, mas não queriam ter que voltar a ela a cada dois anos .

'Não queremos ir embora mais cedo, não é? Temos que terminar o trabalho', comentou.

Trump também afirmou ter afundado 28 navios iranianos lançadores de minas no estreito.

De acordo com a agência Reuters, o Irã atacou ao menos seis navios petroleiros na área.

Teerã instalou ainda cerca de uma dúzia de minas na rota marítima, o que aumentou a tensão em um dos principais corredores de transporte de petróleo do mundo.

Mesmo diante das ameaças, Trump declarou que as empresas petrolíferas devem continuar utilizando a rota.

Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, os países da Agência Internacional de Energia decidiram liberar quatrocentos milhões de barris de petróleo das reservas de emergência para tentar conter a alta dos combustíveis. É a maior liberação já feita pelo grupo.

Com a guerra, o preço do barril chegou perto de 120 dólares na segunda-feira, maior nível em quase quatro anos.

Diante da ameaça global, Donald Trump tem enviado sinais contraditórios sobre a duração da guerra. Nessa quarta (11), ele cantou vitória em discurso a apoiadores.

A guerra tem gerado altos custos ao governo americano. O Pentágono afirmou que a campanha contra o Irã custou 11 bilhões de dólares em uma semana. O valor exclui os gastos relacionados à preparação para os ataques.

Fogo após ataque israelense a Teerã, capital do Irã.

UGC/AFP