Irã dá ultimato aos EUA e diz que só aceitará acordo se for proposta de 14 pontos iraniana
O principal negociador do Irã durante todas as conversas envolvendo o Paquistão e os Estados Unidos emitiu um ultimato ao governo Trump nesta terça-feira (12). Segundo ele, devem aceitar o plano de paz de 14 pontos propostos por Teerã para finalizar o conflito.
Essa, diz Mohamad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento do país, é a única forma de acordo entre os dois países.
'Não há alternativa senão aceitar os direitos do povo iraniano, conforme delineados na proposta de 14 pontos. Qualquer outra abordagem será infrutífera e resultará em um fracasso após o outro'.
O presidente do parlamento iraniano acrescentou ainda que, quanto mais Washington demorar a aceitar a proposta, 'mais os contribuintes americanos terão que pagar'.
Um político iraniano afirmou nesta terça-feira (12) que o parlamento irá considerar o enriquecimento de urânio ao nível necessário para armas nucleares caso os Estados Unidos e Israel ataquem novamente. A afirmação foi feita em publicação nas redes sociais.
Ebrahim Rezaei, porta-voz do Bloco de Segurança Nacional e Política Externa do Irã, escreveu:
'Uma das opções do Irã em caso de outro ataque poderia ser o enriquecimento de 90%. Analisaremos isso no parlamento'.
Enquanto as usinas nucleares utilizam urânio enriquecido a 3-5%, as armas nucleares normalmente requerem um enriquecimento de 90%.
Usina nuclear de Bushehr, no Irã.
Planet Labs PBC/Divulgação
Existem dois tipos de átomos de urânio no urânio natural, dos quais apenas um, denominado U-235, é capaz de sustentar uma reação nuclear em cadeia. O enriquecimento se refere a um processo complexo que aumenta a concentração de U-235, medida em porcentagem, através da sua separação dos demais átomos de urânio.
Donald Trump tentou repetidamente justificar o início da guerra com o argumento de que o Irã não deveria ter permissão para possuir armas nucleares.
A mídia americana noticiou que o presidente está considerando novos ataques ao Irã para enfraquecer sua posição de negociação, embora Trump já tenha feito ameaças semelhantes há algum tempo.
Em reunião com oficiais militares, Trump considera retomar ataques ao Irã, diz TV
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declaração no salão oval da Casa Branca.
Kent NISHIMURA / AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, teve uma reunião sobre o Irã nas últimas horas com sua equipe de segurança nacional e altos oficiais militares americanos, afirma a rede de TV CNN. De acordo com a reportagem, foram discutidas estratégias para o conflito.
Entre as pautas na mesa, uma das mais acordadas foi a possibilidade de retomar a ação militar contra os iranianos, uma das soluções consideradas por Trump.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu à proposta enviada pelo Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Em declaração no Salão Oval da Casa Branca, nesta segunda-feira (11), o republicano criticou a contraproposta enviada pelo governo iraniano e disse que o cessar-fogo está 'na UTI'.
A proposta do Irã exigia a compensação pelos danos de guerra, o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos, garantia de que não haverá novos ataques e a retomada das vendas de petróleo iraniano.
Diante do impasse, Trump prometeu nova escalada da violência e convocou a cúpula do governo para uma reunião de emergência para discutir os próximos passos na guerra contra o Irã.
Por outro lado, o presidente do parlamento iraniano afirmou que as forças do país estão prontas para responder a "qualquer agressão" e que os Estados Unidos ficarão "surpreendidos". Pelas redes sociais, o regime dos aiatolás afirmou que, se sofrer novos ataques, pretende enriquecer urânio a 90%.
O impasse pelo fim da guerra ocorre em meio a queda de popularidade do republicano.
Uma pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda-feira mostrou que dois em cada três norte-americanos avaliam que o presidente Donald Trump não explicou de forma clara por que o país entrou em guerra contra o Irã.
Essa percepção negativa inclui um em cada três republicanos — que tendem a apoiar o presidente — e quase todos os democratas.
