Irã culpa EUA e Israel por fechamento de Ormuz e insta ONU a condenar ataques em telefonema

 

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, pediu para a Organização das Nações Unidas condenarem o que descreveu como 'agressão' dos Estados Unidos e de Israel. A fala foi feita durante uma conversa telefônica nesta terça-feira (17) com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Araghchi afirmou que os países preocupados com a paz e a segurança devem condenar as ações dos Estados Unidos e de Israel e exigir o fim das operações militares contra o Irã.

Ele afirmou que a interrupção da navegação no Estreito de Ormuz era 'resultado da guerra imposta pelos Estados Unidos e pelo regime israelense' e não podia ser dissociada do contexto regional mais amplo.

Em uma entrevista nesta terça-feira (17), a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, defendeu que é necessário buscar uma solução diplomática para manter o Estreito de Ormuz aberto.

A afirmação acontece logo após mais pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pedindo para aliados que enviem navios de guerra para a região a fim de garantir o trânsito em meio à guerra entre EUA e Israel contra o Irã.

'Ninguém está disposto a colocar seu povo em perigo no Estreito de Ormuz. Precisamos encontrar maneiras diplomáticas de manter essa passagem aberta para que não tenhamos uma crise alimentar, uma crise de fertilizantes e também uma crise energética', comentou Kallas à Reuters.

O presidente americano, Donald Trump, afirmou que as instalações militares e o regime do Irã foram destruídos, que o país não tem mais 'mísseis para usar', nem 'tiros para dar'. Segundo ele, a operação militar segue com 'força máxima'.

O republicano disse que recebeu propostas de negociar mas que não sabe quem governa o país, já que Mojtaba Khamenei ainda não fez nenhuma aparição pública.

Nessa segunda (16), o jornal inglês The Telegraph informou que ele escapou por 'segundos' do mesmo ataque que matou a mulher, um dos filhos e o pai, o aiatolá Ali Khamenei, além de outros membros da família. Trump reiterou as dúvidas sobre o estado de saúde do novo líder supremo.

Washington diz não querer negociar no momento, e o Irã negou ter pedido um cessar-fogo, mas o portal Axios afirmou que um canal direto entre os países foi reativado e que já houve troca de mensagens.

O ministério das Relações Exteriores do Irã acusou Estados Unidos e Israel de terem matado centenas de civis, incluindo mais de duzentas crianças. A ofensiva foi classificada como 'massacre'.

Estreito de Ormuz é uma região entre Irã e Omã.

Reprodução/Nasa

O país ameaçou atacar indústrias americanas no Oriente Médio - sem especificar quais - e pediu que civis deixem os arredores.

Já o Exército americano informou que o número de soldados feridos na guerra chegou a duzentos - ao menos treze morreram.

Essa segunda (16) foi marcada por um ataque ao Iraque: explosões foram ouvidas perto da embaixada americana em Bagdá e um drone atingiu um hotel que costuma hospedar jornalistas e diplomatas.

No Líbano, o número de mortos chegou a 886, e o de deslocados passa de um milhão desde 2 de março, quando foi rompido o cessar-fogo entre o Hezbollah e Israel. Agora, além dos bombardeios, Tel Aviv conduz uma incursão terrestre.

O Estreito de Ormuz segue fechado, e a União Europeia disse não ter interesse em expandir a missão naval na região.

No fim de semana, Trump exigiu que ao menos sete países mandassem navios de guerra para abrir a via, mas pelo menos três - Alemanha, Itália e Grécia - já recusaram. Em resposta, o republicano disse que os Estados Unidos são o maior país do mundo e que não pode contar com os aliados quando precisa.

Com o fechamento prolongado, o barril do petróleo Brent voltou a encerrar o dia cotado a mais de 100 dólares.

Fogo após ataque israelense a Teerã, capital do Irã.

UGC/AFP